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Colunas — Redescobrindo a Palavra de Deus

2020: Uma nova década? Um novo tempo?

Por Valdir Steuernagel

Números falam e números redondos falam mais alto. Ao chegarmos a 2020, não faltam interpretações quanto ao passado e prognósticos para a nova década, uns mais pacíficos e outros, menos. É ponto comum, por exemplo, que na última década o Brasil mergulhou em uma grave crise econômica, com o dramático quadro de desemprego e a volta de índices de pobreza, que pareciam superados. A vida ficou mais difícil para muitos e as análises econômicas indicam que uma lenta retomada consumirá parte desta nova década. Também não é difícil constatar que o nosso clima relacional ficou mais polarizado e até raivoso. As pessoas têm menos paciência umas com as outras, cortam relações com facilidade e só se relacionam com quem concorda com elas, resultando em ambientes de trabalho mais tensos, conflitos familiares e igrejas que não suportam a diversidade e excluem quem não concorda com seus líderes. Outros desafios e esperanças poderiam ser aqui delineados, com destaque para a questão ambiental e para a gestão de recursos, a fim de discernir tanto o tempo no qual vivemos como a vocação para sermos, neste, discípulos de Jesus e agentes do reino de Deus. Isto é chave neste tempo no qual a igreja evangélica cresce com influência política nunca vista e, tantas vezes, parece tão igual à nossa histórica e circundante cultura sociopolítica, sempre focada na geração de desigualdade.

Uma das marcas da fé cristã é que ela se encarna na realidade e não tenta escapar desta buscando refúgio em algum lugar ilusório onde a angústia inexista, o pulsar dos conflitos não seja real e o medo nunca nos visite. Nossa vivência evangélica precisa dar testemunho de um Deus que se importa com o lugar (e as pessoas) onde vivemos e nos chama para o exercício de uma vocação restauradora e transformadora. Para isso é fundamental escutar a voz de Jesus, que nos convida a andar e aprender com ele.

Trago à memória um momento em que Jesus afirma sua missão e faz ecoar o impacto de sua ação no universo no qual ministra. Ele acabara de iniciar seu ministério e o seu antecessor, João Batista, passava por um momento difícil. Este, na boa tradição profética, havia começado a pregar nas cercanias do deserto da Judeia, junto ao rio Jordão, denunciando os pecados de sua gente e convocando-a para um batismo de conversão nas águas daquele simbólico rio. Suas denúncias apontavam para uma sociedade desigual, corrupta e violenta (Lc 3.7-14) e muitos foram ouvi-lo e receber um batismo que simbolizava a ruptura com o passado e o advento de um novo tempo. Um tempo de Deus e um tempo com Deus.

Porém, denunciar os males da sociedade e apontar para desvios, especialmente das autoridades, nunca é sem risco; João foi preso pelo governador que ele havia criticado. Na prisão tudo mudou. Da liberdade no deserto ele passou à escuridão do cárcere. Da popularidade, passou ao isolamento; e da aclamação dos seus ouvintes passou a ser enquadrado pelo governador. Tomado pelas dúvidas, João precisava de uma resposta: será que Jesus era quem ele esperava que fosse? Será que ele trazia algo novo, algo muito de Deus, ou tudo iria acabar como sempre, como estava ocorrendo com ele? João Batista chama alguns de seus discípulos e os envia a Jesus com a pergunta crucial. Jesus os recebe e os convida a acompanharem um pouco do que ele vinha fazendo. O Evangelho diz que “naquele momento Jesus curou muitos que tinham males, doenças graves e espíritos malignos, e concedeu visão a muitos que eram cegos”. Os mensageiros são enviados de volta com as palavras: “Anunciem a João o que vocês viram e ouviram: os cegos veem, os aleijados andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas são pregadas aos pobres e feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa” (Lc 7.21-23). Algo novo, chamado reino de Deus, estava acontecendo, e disso João precisava saber.

O convite que Jesus fez aos discípulos de João se estende a nós, hoje, para que respiremos o ar dessa nova esperança. Não porque uma mera nova década começou, partidos políticos se revezaram no poder ou prognósticos sugerem que haverá crescimento econômico. A esperança que Jesus põe no ar vem de Deus e nos convida a uma experiência de transformação de vida que nos reposiciona na sociedade como agentes de transformação. Ela vai muito além de uma década, pois tem o toque do eterno presente na ação de Jesus.

O que venha a acontecer nesta década é importante, pois marcará a nossa vida. Para os seguidores de Jesus, no entanto, o referencial básico não são os prognósticos socioeconômicos e políticos. O básico é que, sobre os seguidores de Jesus hoje, se possa dizer o mesmo que ele mandou dizer a João e que aponta para a transformação de vida dos cansados, doentes, oprimidos e necessitados. O básico é que Jesus nos convida a deixar-nos tocar por ele para que os nossos pulmões vitais sejam enchidos com o ar de um novo tempo, que é o tempo de Deus e com Deus. E assim nos tornemos testemunhas de uma transformação de vida com cheiro de eternidade.

Deus não nos anuncia simplesmente uma nova década. Ele anuncia um novo tempo: reino de Deus. Você acredita nisso e vive para isso?

Valdir Steuernagel é pastor luterano e integrante da Aliança Cristã Evangélica Brasileira e da Visão Mundial.

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