Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Seções — Arte e Cultura

Sangue Sábio – graça e violência

Sangue Sábio – graça e violência
Gladir Cabral

Quando o livro “Sangue Sábio” (Wise Blood), de Flannery O’Connor, foi publicado, em 1952, ele recebeu pouca atenção dos críticos. Contudo, foi lentamente ganhando reconhecimento até se tornar umas das obras mais importantes da literatura norte-americana.

O romance conta a história de Hazel Motes, um jovem veterano de guerra que retorna à sua casa, numa área rural do sul dos Estados Unidos, mas a encontra vazia e abandonada. Criado numa família religiosa, porém órfão de tudo, parte para uma cidade grande para recomeçar a vida. Cheio de revolta, Motes tenta esconder e negar suas origens cristãs. Vive repetindo: “Não sou um pregador”. A certa altura, Motes toma uma decisão: confrontar diretamente a fé cristã e fundar uma nova igreja, a Igreja da Verdade sem Jesus Cristo Crucificado.

Ele sobe no capô de um velho automóvel e começa a sua pregação: “Escutem! Não há Queda, pois não há lugar algum de onde cair e não há redenção, pois não há Queda. E não há juízo final, pois não há os dois. Nada importa senão que Jesus é mentiroso”. No meio do caminho, Motes encontra um pregador frustrado que finge ser cego e outros que usam a religião para ganhar dinheiro. Motes não tolera esse tipo de farsa e logo os desmascara.

Sem conseguir fundar sua nova igreja, Motes queima os próprios olhos e se torna uma figura solitária, andando pela cidade, tentando se punir e confessando sua condição – um cego tentando guiar outros cegos.

Utilizando elementos do grotesco e do humor, juntando com elementos psicanalíticos e míticos, Flannery O’Connor cria uma história em que religião, violência e graça se unem mostrando a condição humana, a profundidade da Queda e a necessidade de redenção. Ela mesma comenta: “Nós vivemos em uma era descrente, mas que é notável e desequilibradamente espiritual. Há um tipo de homem moderno que reconhece o espírito em si mesmo, mas que deixa de reconhecer um ser fora de si a quem possa adorar como Criador e Senhor; consequentemente, ele tem se tornado sua própria preocupação última” (1963).

Ao morrer, assistido pela senhora Flood, dona da pensão onde mora, Motes parece encontrar algum repouso, um pequeno indício de luz: “Ela o viu mover-se para longe e mais longe, longe e mais longe, para dentro das trevas até que ele se tornou apenas um ponto de luz” (2007).

Para Flannery O’Connor, “[a] fé faz grande diferença na escrita de um romance”. O artista cristão deve “penetrar o mundo concreto a fim de encontrar em sua profundidade a imagem da realidade última” (1963), e isso demanda honestidade e fé.


O’CONNOR, Flannery. Wise blood. Nova York: Farrar Strauss and Giroux, 2007.

O’CONNOR, Flannery. Sangue sábio. Trad. José Roberto O’Shea. São Paulo: Editora Arx, 2002.

O’CONNOR, Flannery. “Romancista e crente”. Trad. William C. Cruz. Originalmente publicado em 1963. Disponível em: http://esbocoserascunhos.blogspot.com.br/2014/06/romancista-e-crente.html.

• Gladir Cabral é pastor, músico e professor de letras na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Acompanhe o seu blog pessoal: ultimato.com.br/sites/gladircabral

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.