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Colunas — Missão integral

A missão da paz e da justiça (parte 1)

 René Padilla

Como a missão de Jesus, a missão da Igreja é uma missão de paz e justiça. Esses dois conceitos aparecem estreitamente vinculados no Antigo Testamento, provendo, assim, o pano de fundo para entender a missão integral da Igreja segundo o Novo Testamento.
A paz é um bem desejado tanto em nível pessoal como em nível nacional e internacional. No entanto, a paz tem suas condições, e, a menos que estas sejam cumpridas, ela não passa de um ideal que não se torna realidade. Isaías 32.17 define com toda clareza a condição mais importante para a existência da paz: a justiça. O profeta diz: “E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre”. A paz se relaciona com a justiça como um fruto se relaciona com a árvore que o produz. Onde não há justiça, tampouco pode haver paz.
Ao longo do livro de Isaías, é descrita a situação de injustiça criada pelas classes governantes. Já no primeiro capítulo, lemos: “Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva” (Is 1.23). O dever dado por Deus aos governantes é promover o bem comum, especialmente dos membros mais vulneráveis da sociedade. No entanto, em vez de cumprir seu dever, a preocupação principal dos governantes é seu enriquecimento pessoal. Estão ocupados com a compra de casas e terras: “Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores no meio da terra” (Is 5.8; cp. Mq 2.1-2).
O sistema legislativo está igualmente corrompido: “Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que prescrevem opressão. Para desviarem os pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!” (Is 10.1-2). E também não se pode esperar justiça do sistema judicial, já que “fazem culpado ao homem por uma palavra, e armam laços ao que repreende na porta, e os que sem motivo põem de parte o justo” (Is 29.21).
Nos tempos do profeta Isaías, a injustiça era o pão de cada dia e não estava sozinha: onde os poderosos usavam o poder para oprimir em benefício próprio, a anarquia reinava. Isso é o que Isaías descreve: “E o povo será oprimido; um será contra o outro, e cada um contra o seu próximo; o menino se atreverá contra o ancião, e o vil contra o nobre” (Is 3.5). A lei e a ordem são essenciais para o bem-estar de todos os membros da sociedade, mas, quando se tornam mera retórica para defender interesses criados, o que se institucionaliza é a impunidade e a desordem. Como resultado, os valores éticos perdem a validade e aparece a situação que o profeta descreve: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem das trevas luz, e da luz, trevas; e fazem do amargo doce, e do doce, amargo!” (Is 5.20). Perde-se toda a noção do bem e do mal, e reina o caos social. Para complicar ainda mais a situação, o povo de Israel não tem consciência de seu pecado. Consequentemente, a mensagem do profeta chega a ouvidos surdos. Diante desta rebelião -- diz o profeta -- a Assíria, uma nação pagã, será usada como vara da ira de Deus e a nação de Israel sofrerá o exílio: “Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede” (Is 5.13). Entretanto, essa mensagem é recebida com indiferença. A destruição é iminente, mas, no lugar de lamentação e arrependimento, “porém eis aqui gozo e alegria, matam-se bois e degolam-se ovelhas, come-se carne, e bebe-se vinho, e diz-se: comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (Is 22.13). O hedonismo caminha junto da falsa segurança dos líderes de Israel, uma expressão de sua confiança no poder militar do Egito. Em vez de se arrependerem e confiarem no Deus de justiça, se aliaram ao Faraó, esquecendo-se de que os egípcios “são homens, e não Deus; e os seus cavalos, carne, e não espírito” (Is 31.3).
O capítulo 32 de Isaías começa com a promessa de um reino em que “eis que reinará um rei com justiça, e dominarão os príncipes segundo o juízo” (v. 1). Contrariamente à situação de violência institucionalizada que existe hoje em Jerusalém, nesse reino que está por vir, “ao vil nunca mais se chamará liberal; e do avarento nunca mais se dirá que é generoso”; o faminto não será deixado com fome, nem o sedento, sem água, nem o pobre, com mentiras (v. 5-8). Jerusalém -- a cidade jubilosa -- será destruída. As “mulheres sossegadas” que vivem lá são exortadas a se estremecer e a começar a tremer; a por de lado sua falsa segurança e a reconhecer que seu juízo está próximo (v. 9-13).
Depois dessa exortação, o profeta contempla as mudanças que acontecerão quando Deus executar seu juízo: o Espírito de Deus será derramado e surgirá uma nova sociedade e uma nova criação. “E o juízo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fértil.
E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre.
E o meu povo habitará em morada de paz, e em moradas bem seguras, e em lugares quietos de descanso” (v. 16-18). Que bela mensagem de esperança enunciada em meio à situação caótica descrita anteriormente!

Traduzido por Wagner Guimarães.

C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de O Que É Missão Integral?.

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