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Colunas — Entrevista

“Best-sellers” são substituídos e esquecidos, mas a Bíblia permanece sempre no topo

Em 2007, foram distribuídas no Brasil mais de 5 milhões de Bíblias. O desafio é fazer com que a Bíblia seja o livro mais lido, amado seguido.

Poucos dias antes de completar 21 anos e menos de um mês antes de se casar, o gaúcho Erni Walter Seibert graduou-se em teologia no Seminário Concórdia. Nascido de uma família luterana e batizado na infância, Erni Walter teve o raro privilégio de participar do chamado culto doméstico, quando toda a família se reúne para ler a Bíblia e orar. Mestre em teologia e doutor em ciência da religião, o atual Secretário de Comunicação e Ação Social da Sociedade Bíblica do Brasil já foi pastor de igrejas luteranas, professor de teologia, vice-presidente da Igreja Evangélica Luterana no Brasil e presidente da Associação de Editores Cristãos (AsEC). Quando era seminarista em Porto Alegre, para sustentar seus estudos, Erni Seibert, hoje com 56 anos e pai de quatro filhos, trabalhou como servente de pedreiro e jardineiro. Esta entrevista é feita a propósito do 60º aniversário da SBB.

Há mais de 180 anos, quando o Brasil tinha acabado de proclamar sua independência de Portugal, o secretário-geral da Sociedade Bíblica Americana dizia que “os povos que vivem na América do Sul estão preparados para receber não centenas ou milhares de Escrituras, mas milhões de exemplares”. Essa previsão se cumpriu?
Erni Seibert --
Há 180 anos ninguém poderia imaginar que a produção de Bíblias alcançaria as cifras atuais. No mês de agosto, recebi a estatística oficial de distribuição de Bíblias no mundo das Sociedades Bíblicas Unidas, referente ao ano de 2007. A distribuição mundial subiu cerca de 5% em relação ao ano de 2006. Em 2007, as Sociedades Bíblicas Unidas distribuíram 26.996.323 exemplares de Bíblias completas. Deste total, 11.383.264 foram distribuídos na região das Américas. A Sociedade Bíblica do Brasil foi responsável por distribuir, no ano passado, 5.161.811 exemplares no Brasil. Se pensarmos na distribuição mundial de Bíblias e na distribuição da população mundial pelos continentes, muito ainda precisa ser feito. No Brasil, estamos vivendo o período de maior distribuição de Bíblias de toda a sua história. O desafio constante é fazer com que essas Bíblias sejam lidas, estudadas e tenham o devido efeito na vida das pessoas.

Na história da Bíblia no Brasil houve acentuados recuos, tanto da parte de católicos como da parte de protestantes. Estes acusavam os católicos de publicarem Bíblias com notas culturais e teológicas e aqueles acusavam os protestantes de colocarem à venda Bíblias falsas, por não incluírem os livros apócrifos. O que o senhor diz?
Erni Seibert --
A distribuição de Bíblias no Brasil teve capítulos difíceis, como também aconteceu em outras partes do mundo. A leitura da Bíblia não recebia, por parte da Igreja Católica, muito incentivo. A distribuição de Bíblias era pequena. Quando os evangélicos começaram a distribuir a Bíblia, houve vários incidentes. O problema não era a Bíblia propriamente dita, mas as acusações que se faziam mutuamente. A questão do cânone, por exemplo, elucida muito. Não são os livros apócrifos ou deuterocanônicos que estabelecem as diferenças entre católicos e evangélicos. A diferença está especialmente na interpretação de passagens dos livros presentes em ambas as versões do cânone bíblico. O desconhecimento do conteúdo desses livros não é muito diferente entre a maioria dos católicos e a maioria dos evangélicos. Por isso mesmo, as acusações recíprocas nem sempre têm fundamento. Em vez de acusações, o diálogo sério sobre o texto bíblico certamente pode ajudar muito, tanto evangélicos como católicos, no entendimento e na aproximação da Palavra de Deus.

A SBB inaugurou o barco Luz na Amazônia III em 1994, quase 140 anos depois da famosa viagem do barco Tabatinga, que levou o representante da Sociedade Bíblica Americana e um carregamento de 2.500 exemplares das Escrituras até Iquito, no Peru. Há alguma relação entre um evento e outro?
Erni Seibert --
A região amazônica sempre mereceu atenção especial das Sociedades Bíblicas. Tanto a Sociedade Bíblica Americana como a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira desenvolveram programas de distribuição de Bíblias naquela região já no século 19. O programa Luz na Amazônia começou em 1962. Na época, o Rev. Luiz Antonio Giraldi fez uma visita à região e perguntou o que a Sociedade Bíblica do Brasil (organizada em 1948) poderia fazer para ajudar na distribuição de Bíblias. A resposta foi que na região amazônica era extremamente necessário um barco que levasse a Bíblia às populações ribeirinhas. Assim, foi comprado o primeiro barco. Hoje, o programa Luz na Amazônia, além de levar a Bíblia, desenvolve um importante trabalho social na região. As pessoas não apenas são assistidas com a Palavra de Deus, mas vêem o amor de Deus em ação através dos projetos sociais ali desenvolvidos. Esta é uma região de nosso país que precisa receber ainda mais atenção no que diz respeito à distribuição da Palavra de Deus. As condições de distribuição são difíceis e caras e precisam do apoio de cristãos de outras partes.

Até 1990, havia mais evangélicos do que Bíblias no Brasil. De 2000 para cá há mais Bíblias do que evangélicos. Qual foi o fato novo que reverteu o quadro?
Erni Seibert --
Estima-se também que a distribuição total de Bíblias no Brasil (incluindo todas as editoras que publicam o texto sagrado) seja de aproximadamente 8 milhões de exemplares ao ano. Isso significa que a cada cinco anos é possível colocar uma Bíblia ao alcance de cada família. Este quadro de ampla distribuição da Bíblia começou a acontecer quando o custo das Bíblias diminuiu. Sem dúvida, a Gráfica da Bíblia, da Sociedade Bíblica do Brasil, influenciou diretamente essa questão. Com a existência dessa gráfica, Bíblias de boa qualidade gráfica e com preços acessíveis se tornaram comuns no Brasil. Mas esta é apenas uma explicação parcial do que ocorreu. Devemos lembrar também que, nesse período, muitas igrejas empreenderam enormes esforços evangelísticos, distribuindo Bíblias ao povo, levando a Palavra de Deus às pessoas, com o apoio dos meios de comunicação. A rica distribuição da Palavra fez com que as igrejas crescessem. Mas a explicação não pára aí. Acima de tudo, a bênção de Deus se fez presente.

Com 60 anos de história, a SBB já publicou mais de 60 milhões de Bíblias completas, em português e em outros dezesseis idiomas. Há algum outro livro de tiragem igual ou maior?
Erni Seibert --
Não conheço outro livro que alcance os números da Bíblia. Mesmo os autores “best-sellers” não atingem cifras idênticas. E “best-sellers” não se mantêm nessa condição por muitos anos. São substituídos e, muitos deles, esquecidos. A Bíblia é um caso único na história do livro. Por vezes se fala que o mesmo papel exercido pela Bíblia no cristianismo é exercido por outros livros sagrados em outras religiões. Na verdade, não há outro livro que em outra religião desempenhe o mesmo papel que a Bíblia desempenha para a fé cristã. Ela é o texto básico da fé cristã e é um livro que nasceu para ser traduzido para todas as línguas existentes sobre a face da terra. A intenção manifesta de Deus, na própria Bíblia Sagrada, é que a sua Palavra alcance todas as línguas e nações. Isso explica, ao menos em parte, a razão pela qual a Bíblia é um livro tão difundido.

A SBB é mesmo o maior centro produtor de Bíblias do mundo?
Erni Seibert --
Sim. A Gráfica da Bíblia, da SBB, desde a sua inauguração em 1995, já produziu quase 70 milhões de exemplares de Bíblias completas, sem contar os Novos Testamentos produzidos no mesmo período. Não há outro lugar no mundo em que, em tão pouco tempo, tenham sido produzidas tantas Bíblias.

Por que 2008 está sendo chamado de “O Ano da Bíblia”?
Erni Seibert --
Por vários motivos. Primeiro, faz 200 anos que foram preparados os primeiros Novos Testamentos em português para serem distribuídos em países lusófonos. Eles foram produzidos na Inglaterra, pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira. Em 1808, o rei de Portugal mudou-se com sua corte para o Brasil. Aqui chegando, abriu os portos brasileiros às nações amigas de Portugal, o que motivou a produção desses Novos Testamentos em português. Outro motivo são os 60 anos de fundação da SBB. Em 10 de junho de 1948, representantes de igrejas cristãs, reunidos na Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, decidiram pela criação da SBB. Além disso, é notório que o Brasil seja o país do mundo onde hoje mais Bíblias são distribuídas. Com o Ano da Bíblia se pretende não apenas chamar a atenção da opinião pública sobre o valor da Bíblia, mas também estimular a sua leitura.

Apenas as editoras evangélicas e católicas produzem Bíblias no Brasil? Qual é a porcentagem de cada uma delas?
Erni Seibert --
Os números de distribuição da Bíblia não são divulgados por todas as editoras. Por isso, organizações como a Associação de Editores Cristãos (AsEC) e a Câmara Brasileira do Livro (CBL) têm dificuldades para apurar números exatos. Estima-se que sejam distribuídos, por ano, cerca de 8 milhões de Bíblias no Brasil. A SBB tem a tradição de, a cada início de ano, publicar sua distribuição referente ao ano anterior (os números estão no site da organização: www.sbb.org.br). A grande maioria das Bíblias é publicada por editoras cristãs. Raramente editoras seculares publicam Bíblias. Não há dados oficiais sobre a quantidade de Bíblias publicadas por editoras católicas. Por isso é difícil falar de porcentagens.

O que aconteceu com a Tradução Brasileira da Bíblia, feita por brasileiros e para brasileiros, publicada pela primeira vez há 90 anos?
Erni Seibert --
A Tradução Brasileira da Bíblia foi um trabalho muito importante, realizado no Brasil sob a coordenação da Sociedade Bíblica Americana e da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira. Ela foi publicada pela primeira vez em 1917. Nessa tradução trabalharam nomes como Rui Barbosa, José Veríssimo e Heráclito Graça. Uma das características dessa tradução foi seu rigor no método de tradução por equivalência verbal. Por isso, especialmente para aqueles que tinham estudado hebraico e grego, ela era útil na hora do estudo. Houve, porém, um detalhe de tradução que fez com que ela não se tornasse tão popular nas igrejas. Os tradutores optaram por não traduzir os nomes dos personagens bíblicos. A tradução apenas transliterava, na medida do possível, esses nomes. Como os leitores das igrejas já estavam acostumados com nomes como Abraão, Isaque e Jacó, foi difícil para eles começar a ler Abraham, Isaac e Jacob. De todo modo, essa tradução é um testemunho do amor que os brasileiros sempre tiveram pela Bíblia.

A SBB tem algum departamento que incentiva não só a aquisição da Bíblia, mas também a sua leitura proveitosa?
Erni Seibert --
Este é um esforço que todos os departamentos da SBB fazem. O estímulo à leitura se dá por meio da produção de uma tradução bem feita, da diagramação adequada e da impressão com qualidade. Tudo isso visa facilitar a vida do leitor e estimulá-lo à leitura. A própria distribuição da Bíblia, facilitando o acesso do leitor a ela, estimula a leitura. A Secretaria de Comunicação e Ação Social da SBB coordena os esforços de divulgação da Bíblia e de estímulo à leitura por meio de ações que ela coordena. Exemplo disso são campanhas como a do Ano da Bíblia, a distribuição de Bíblias para pessoas com necessidades especiais, a distribuição em projetos sociais, a divulgação de planos de leitura da Bíblia, a distribuição de textos bíblicos por e-mail, entre outros esforços. A SBB também oferece um diploma de leitura bíblica a todos aqueles que informam que concluíram a leitura da Bíblia. O nosso intento é que a Bíblia seja não apenas o livro de maior distribuição, mas o livro mais lido, amado e seguido.

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