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Seções — Especial

Luteranos comemoram em Nova Friburgo os 180 anos de sua presença no Brasil

No final do século passado, precisamente há 20 anos, sete famílias reformadas do norte da Holanda vieram para o Brasil e fundaram a colônia Brasolândia (Brasil + Holanda), uma área de 2 mil hectares a 1.100 metros de altitude, 40 quilômetros distante de Unaí, em Minas Gerais. Hoje, a colônia conta com 108 imigrantes e filhos de imigrantes (três vezes mais o número de 1984). O cemitério de Brasolândia tem apenas duas sepulturas, onde estão enterrados dois holandeses acima de 70 anos.

O mesmo sucesso não aconteceu com os 300 alemães luteranos que vieram para a região serrana de Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, no início do século 19, em maio de 1824, 160 anos antes dos holandeses de Brasolândia. Enquanto estes viajaram apenas 10 horas a bordo de confortáveis aviões, os alemães da pequena cidade de Becherbach gastaram 6 meses para atravessar o Atlântico em precárias embarcações. Durante a viagem, os imigrantes foram atacados por piratas, enfrentaram tempestades e choraram a perda de alguns familiares. O próprio pastor Friedrich Oswald Sauerbronn, de 40 anos, que liderava o grupo, ficou viúvo durante a viagem. A esposa morreu logo depois de dar à luz o sexto filho do casal.

Ao chegar ao Brasil, os alemães fixaram residência em Friburgo e não em Almada, na Bahia, como havia sido programado. As terras que o governo de Dom Pedro I reservou para eles não eram produtivas. Houve decepção e desânimo generalizado. O primeiro ato religioso de que participaram foi uma cerimônia fúnebre, o sepultamento do filho do pastor Sauerbronn, nascido em alto mar. Mas os surpresos imigrantes que buscavam uma nova Canaã no Brasil sobreviveram aos trancos e barrancos e entraram para a história. O sofrido Sauerbronn é tido como o primeiro pastor protestante a residir no país. Ele pastoreou a comunidade luterana de Friburgo por longos 40 anos, até morrer em 1864, aos 80 anos.

Por ocasião do culto festivo em gratidão a Deus pelos 180 anos de presença luterana no Brasil, realizado em Friburgo, no primeiro domingo de maio, o pastor Armindo Müller deu início à cerimônia com estas palavras: “Quando se abate a esperança, Deus se achega e nos fala”.

Muito oportuno também foi o cântico do mais famoso hino protestante, o Castelo Forte, de Martim Lutero (1483-1546), mormente por causa da versão usada pelos luteranos: “Se a morte eu sofrer / Se os bens eu perder: / Que tudo se vá! / Jesus conosco está / Seu Reino é nossa herança!”

Deve ter sido por causa dessas certezas que a primeira geração de luteranos venceu todos os obstáculos. Cada um deles trouxe consigo a Bíblia, o hinário e o catecismo de Lutero. Armindo mostrou ao público que lotava o auditório os documentos eclesiásticos originais e a velha Bíblia em alemão que ficava no púlpito — preciosidades que se julgavam perdidas, encontradas poucos dias antes da celebração.

O presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Walter Altmann, pregou sobre as palavras de Jesus no Sermão da Montanha: “Vós sois o sal da terra” e “vós sois a luz do mundo” (Mt 5.13,14). Explicou que “nossa luz não tem estado no velador, onde deveria estar nem debaixo do alqueire, onde não deveria estar, mas num lugar intermediário” e concluiu: “Não abrimos todas as janelas para novas visões nem todas as portas para novos hóspedes”.

O representante da comunidade luterana de Juiz de Fora, organizada em 1852, ofereceu aos seus irmãos de Friburgo um pão alemão caseiro e explicou: “O pão com p minúsculo é o pão alemão que alimenta o corpo e o Pão com p maiúsculo é Jesus Cristo, que alimenta a alma”.

Momentos antes do culto festivo, luteranos de Friburgo e de vários outros lugares de colonização alemã (Petrópolis, Rio, Juiz de Fora, Teófilo Otoni, Rio Claro etc.) inauguraram o primeiro busto de Martim Lutero no país e o segundo na América do Sul (o primeiro está em Santiago do Chile) em frente ao templo luterano. Estavam presentes o pastor da comunidade (Armindo Müller), o presidente do Sínodo Sudeste (Rolf Schünemann), o presidente da IECLB (Walter Altmann), o representante da Luterprev (Everson Oppermann), o escultor (Otávio Teixeira Mendes Neto), vários outros pastores e pastoras e diversos corais.

Em seu discurso inaugural, Rolf Schünemann deixou claro: “Ao inaugurarmos este busto não rendemos adoração a um santo nem prestamos culto a imagens. Apenas chamamos atenção para uma pessoa que, vocacionada por Deus, testemunhou dentro de seu tempo a verdade evangélica de forma corajosa e inspirou milhares de pessoas a fazer o mesmo pelo mundo afora ao longo dos últimos quatro séculos”. O orador acrescentou que “Martim Lutero é maior que as igrejas, mesmo aquelas que se denominam luteranas”. O presidente do Sínodo Sudeste afirmou ainda que os cristãos têm “o desafio de descobrir ou redescobrir sempre a importância das Sagradas Escrituras e, em especial, afirmar e reafirmar, valorizar e reinterpretar a teologia da graça e da justificação para homens, mulheres, jovens e crianças do nosso tempo e de nosso país”.

O busto, construído pela empresa MG Art & Metal, de Campinas, SP, foi um presente da Luterprev Previdência Complementar, uma organização sem fins lucrativos que visa garantir e promover amparo previdenciário das pessoas e das organizações religiosas no Brasil.

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