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Colunas — Entrevista

Entrevista com Manuel Covarrubias

Nascido em Viña del Mar, o pastor chileno Manuel Covarrubias, 67 anos, tem batido um recorde talvez inédito: está exercendo o seu mandato de moderador da Igreja Presbiteriana do Chile pela décima primeira vez. Eleito em 1983 e reeleito a cada dois anos, Covarrubias ocupa esse cargo há 21 anos (um terço do curso de sua vida). Casado, duas filhas e quatro netos, diplomado em teologia pela Faculdade Evangélica de Teologia de Buenos Aires, Covarrubias é também membro da diretoria da Sociedade Bíblica Chilena, professor do Seminário Presbiteriano de Santiago e ex-pastor de várias igrejas. Esta entrevista foi realizada na Igreja Presbiteriana El Redentor, em Santiago, no dia 8 de abril. Covarrubias não esconde: “Somos a mais antiga igreja protestante chilena e talvez a menor de todas as igrejas históricas”. E, ao mesmo tempo, reage: “Espero que se acenda um fogo ainda inexistente dentro de nossas igrejas”.



Ultimato - Parece que a Igreja Presbiteriana do Chile, a primeira a ser organizada, não cresceu tanto.

Covarrubias
- Ela simplesmente não cresceu. Estatisticamente, nunca superou os 2.500 membros. Creio que uma das explicações é o nosso sistema de governo democrático-representativo. Os membros, com sua mentalidade catolizante, não souberam valorizar o sistema de governo presbiteriano, e isso tem desembocado, com muita facilidade, em divisões. Ao longo da história, temos sofrido várias divisões, o que significa enorme perda de recursos e de gente. Gastamos 30 anos para estabilizar o que ficou. Mas os que permaneceram na igreja acreditam que as lideranças eclesiásticas teriam aplicado medidas excessivas e sem misericórdia. Entendo, no entanto, que os conselhos tomavam essas medidas disciplinares publicamente, depois de todas as informações disponíveis, discussões abertas e votações. Além das divisões internas, creio que temos perdido um pouco o zelo evangelístico.



Ultimato - Somando todas as dissidências, quantos presbiterianos há no Chile?

Covarrubias
- Somos ao todo de 12 a 15 mil presbiterianos no Chile, incluindo as seguintes denominações: Presbiteriana Fundamentalista, Presbiteriana Evangélica, Presbiteriana Nacional, Presbiteriana Independente (muito pequena) e a histórica Presbiteriana do Chile. Se formos 15 mil, então somos pouco menos de 1% da população chilena.



Ultimato - Encontram-se aqui no Chile, a convite de várias igrejas de sua denominação, quase dez pastores da Igreja Presbiteriana do Brasil. Acha positiva a participação brasileira?

Covarrubias
- Como não? Acredito que sim. Esperamos que mobilizem nossas congregações. Mas não creio que será uma tarefa fácil, mesmo por causa da nossa maneira de ser. Já tivemos missionários brasileiros aqui em tempos passados. Mas a situação era diferente. Eles eram associados aos missionários americanos e vieram a convite deles. Creio que a contribuição fundamental dessa primeira leva de pastores brasileiros foi a de reestruturar o sistema de governo da igreja. O chileno é menos efusivo e não tem a mesma espontaneidade.



Ultimato - A participação brasileira nas décadas de 1950 e 1960 foi positiva?

Covarrubias
- Naturalmente que sim, ainda que seja necessário dizer que, de algum modo, quando eles se foram, as coisas voltaram a ser como eram antes. Não houve uma explosão de crescimento, mas a contribuição deles foi positiva.



Ultimato - Como moderador do Sínodo há vários anos, que conselho o sr. daria aos pastores brasileiros atualmente no Chile?

Covarrubias
- Eles precisam ser pacientes, porque a psicologia do chileno é diferente da psicologia do brasileiro. Somos um povo difícil de mover. Encontramo-nos num extrato social complicado. Os pobres nos consideram ricos e os ricos nos consideram pobres. Não estamos em nenhuma parte, nem na classe média nem na classe baixa. Talvez estejamos numa espécie de classe média mais baixa que média. Isso dificulta o trabalho. Creio que parte do trabalho dos obreiros brasileiros deve estar ligada à formação de nossos futuros pastores, dando-lhes consistência ampla e profunda, inclusive no que diz respeito à santidade de vida e ao zelo evangelístico. Como vão fazer isso, não sei. Mas, se não conseguirmos essa qualidade intelectual, essa vida de santidade e esse zelo evangelístico, então não teremos futuro.



Ultimato - Qual a porcentagem de católicos romanos no Chile?

Covarrubias
- Oficialmente, 73%. Os protestantes são 17%. Os 10% restantes são de outras religiões ou chilenos sem religião. A Igreja Católica Romana diz: “Não importa que diminuamos e que cresçam os irmãos evangélicos. O perigo está no aumento numérico dos sem-religião, agnósticos e ateus. Que os evangélicos nos ajudem a combater este último grupo.”



Ultimato - Há muitos ateus no Chile?

Covarrubias
- Não. São uns 8% de indiferentes, livres pensadores etc.



Ultimato - Os católicos romanos são praticantes ou nominais?

Covarrubias
- São nominais em sua grande maioria. Os praticantes seriam uns 10% deles.



Ultimato - Dizem que a influência da Opus Dei é muito forte no catolicismo chileno.

Covarrubias
- Muito forte. É a força mais ativa dentro do catolicismo. Está representada na hierarquia e implementou todo um sistema educacional para a aristocracia e uma cadeia de colégios para os pobres. Eles estão dando bolsas de estudos aos filhos dos pastores para estudarem em seus colégios. Há cerca de 20 ou 30 anos, o bispo de Concepción disse: “Não importa que os evangélicos cresçam: nós os educamos”.



Ultimato - As igrejas protestantes e os outros credos têm os mesmos direitos que os católicos no país?

Covarrubias
- Do ponto de vista jurídico, temos os mesmos direitos desde 1925, quando se deu a separação entre igreja e estado. Na ocasião, porém, a Igreja Católica declarou: “O estado se separa de nós, mas nós não nos separamos do estado”. De fato, daquele ano até 1998, eles atuavam como donos do território. Teoricamente estamos no mesmo nível de igualdade, mas isso só consta no papel.



Ultimato - O que o sr. diz da Igreja Metodista Pentecostal, a maior denominação protestante no Chile?

Covarrubias
- Todas as igrejas históricas sofreram uma espécie de estancamento. Enquanto isso, o movimento pentecostal, a partir de 1910, tomou conta do país. Hoje temos igrejas pentecostais da cordilheira à costa, de norte a sul. São os pentecostais que popularizam o evangelho no Chile. Eles têm pouca consciência das raízes protestantes do pentecostalismo. Tenho a impressão de que o poderoso movimento pentecostal está se abrindo para uma formação mais intelectual de seus pastores. O movimento pentecostal no Chile, que começou em alguma medida nos extratos sociais mais baixos, teve um grande desenvolvimento econômico, social e cultural. Hoje, a voz pública e oficial do movimento evangélico chileno é a do bispo Francisco Anabalón Duarte, da Igreja Pentecostal Apostólica. (Ele é o presidente do Comitê de Organizações Evangélicas — o organismo representativo do movimento evangélico.) Em algumas frentes, existe uma interessantíssima aproximação entre as igrejas históricas e as pentecostais.



Ultimato - O senhor tem alguma esperança quanto à Igreja Presbiteriana do Chile?

Covarrubias
- Somos a mais antiga igreja protestante chilena e talvez a menor de todas as igrejas históricas. Espero que se acenda um fogo ainda inexistente dentro de nossas igrejas. Tenho muita esperança no seminário que abrimos com o envolvimento de todos os pastores brasileiros, encabeçados por um deles, o Rev. João Marcos Costa de Oliveira Rocha.

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