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Reflexão — Robinson Cavalcanti

Vida cristã: piedade, confessionalidade e ética

A experiência histórica e as Sagradas Escrituras têm demonstrado a centralidade de três dimensões fundamentais para a vida cristã: a piedade, a confessionalidade e a ética.



A piedade

A piedade tem como ponto central a experiência de conversão ou novo nascimento, a recepção da graça mediante a fé, a aceitação de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, a regeneração, a religação com Deus. Conversão que é processo e ato, pelo poder de Deus, e resultado do evangelismo como dimensão primeira da missão da igreja. O convertido é chamado a crescer em uma espiritualidade sadia, que inclui a contemplação, a meditação, a devoção, a oração, tanto pessoal como comunitariamente. Bonhoeffer diz que “na igreja temos um único altar, o altar do Altíssimo, diante do qual todas as criaturas devem dobrar o joelho”.



A confessionalidade

As marcas da confessionalidade são o conhecimento, a compreensão e o compromisso com o “sagrado depósito apostólico”, as verdades da Revelação conforme explicitada (com as limitações da linguagem humana) pelo consenso dos fiéis, a sã doutrina, a ortodoxia. O Credo dos Apóstolos e o Credo Niceno, os pontos convergentes das confissões de fé da Reforma Protestante, bem como documentos mais recentes como o Pacto de Lausanne, integram esse acervo. Eles são explicações “suficientes” do conhecimento da fé e de fundamental importância diante das filosofias e ideologias seculares, seitas não-cristãs e concepções exóticas que hoje povoam o universo interno da igreja, fragilizando-a e afetando a identidade dos cristãos. Somos chamados a “dar a razão da fé que há em nós” e a não nos deixar levar por “ventos de doutrina”. É, ainda, de Bonhoeffer que aprendemos: “Na Igreja temos um só púlpito, e deste púlpito é proclamada a fé em Deus, e nenhuma outra fé, nenhuma outra vontade, por melhor que seja”.



A ética

Entende-se por ética os princípios universais revelados de conduta pessoal e organização social.

Devemos, porém, estar sempre atentos para os condicionamentos culturais que afetam a nossa compreensão. Os sistemas morais (mores = costumes) devem ser levados em conta, pois somos seres sociais. Mas devem também sempre se subordinar à ética, revelada nas Escrituras, vivenciada pela tradição, compreendida pela razão e evidenciada pela experiência pessoal e coletiva. A absolutização da moral e a relativização da ética têm afetado a igreja, muitas vezes confundindo o antigo com o eterno.

Devemos conhecer as opiniões sobre ética emitidas pela igreja na diversidade de épocas e lugares, a variedade de correntes teológicas e a abertura ao instrumental científico. Sinceridade no acercamento bíblico, humildade nas conclusões das nossas leituras, exame e retenção do bem em todas as coisas, inconformação aos sistemas sociais e de pensamento devem marcar a nossa atitude.

Afirmamos a inadequação tanto do legalismo (com suas variadas listas de “pode” e “não pode”) quanto do moralismo, com sua ênfase mórbida no tocante à afetividade e à sexualidade, em detrimento de outras áreas do comportamento do cristão. A melhor maneira de se evitar o mal é se estar ocupado na prática do bem. O ensino bíblico não permite uma hierarquia de pecados (“veniais” e “mortais”).

Criados e destinados à perfeição, tivemos a natureza atingida pelo pecado, que nos trouxe a guerra, o racismo, a exploração econômica, a injustiça, a tortura, a injusta distribuição de riqueza no mundo, a injustiça social dentro das nações, o militarismo, a destruição do meio ambiente, a violência sexual.

É, portanto, dever da igreja anunciar, por palavras e exemplos, os alvos éticos da vida cristã, na admoestação aos empedernidos e na consolação aos fracos, na aceitação da humanidade e nas possibilidades transformadoras da graça. Confrontados pela lei, exortados pelos profetas, ensinados por Cristo e pelos apóstolos, convencidos pelo Espírito Santo, temos consciência dos nossos pecados individuais e coletivos, buscamos o perdão e a emenda da vida, para podermos viver o evangelho, servindo ao Senhor na história.

Como já não estamos no Éden, nem ainda na Nova Jerusalém, mas na história, a teologia anglicana bem entende que os atos humanos, eticamente, podem ser classificados em: a) conforme a vontade de Deus; b) adiáforas, ou considerados indiferentes pela Revelação; c) imperfeições, ou aquém do propósito da Revelação; d) aberrações, que se chocam com a Revelação e são lesivas ao bem.

A disciplina, em vez de legalista e penalizadora, deve ser pedagógica e pastoral, abrangente no entendimento das fraquezas, dependente da eficácia dos meios da graça, e não dos coercitivos recursos institucionais. A pastoral deve levar em conta a singularidade, a privacidade e a dignidade das pessoas. A ética do aconselhamento exige dos ministros a discrição e o sigilo, e nunca a maledicência e a publicidade. O cristianismo brasileiro cresce carente de maturidade, de equilíbrio, de bom senso, de moderação e de amor, marcas de uma igreja como comunidade terapêutica.

Como uma igreja fiel às Sagradas Escrituras, não devemos, em questão ética, estar aquém ou além das Escrituras, nem distorcermos ou forçarmos o seu texto, ao ensinarmos e exigirmos padrões de conduta. Os heróis da fé da Bíblia, em sua diversidade, grandezas e misérias, continuam a ser os nossos heróis e a inspirar os nossos heróis (e heroínas) de hoje, sendo humanos, e “nada do que é humano lhes é estranho” (Terêncio).




Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife e autor de, entre outros, A Igreja, o País e o Mundo e A Utopia Possível — em busca de um cristianismo integral.

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