Por Escrito
10 de fevereiro de 2026- Visualizações: 2563
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
Simplesmente Graça
A diferença entre a minha vida e a de alguém atrás de uma grade é que, simplesmente, a Graça me encontrou primeiro
Por Angela Soares Cruz
O Meu Lugar no Mundo
Há 12 anos, fui surpreendida com o olhar gracioso de Deus para dentro das unidades prisionais. Não sabia bem o que era um capelão ou mesmo o que fazia, mas inexplicavelmente, pelo menos aos olhos humanos, sabia que era ali onde eu deveria estar, era o ministério que Ele tinha para mim.
Que tempo fantástico de aprendizado. Desde o início Deus foi me ensinando a não julgar, esse não é meu papel, os meus pecados também foram lançados sobre Jesus na cruz. A diferença entre a minha vida e a de alguém atrás de uma grade é que, simplesmente, a Graça me encontrou primeiro.
O desafio principal, no início, era apresentar Cristo e discipular àquelas vidas: Como fazer isso num ambiente cercado por tantas normas e protocolos de segurança? Iniciamos então, o discipulado através de cartas e assim tem sido durante todos esses anos, contrariando a modernidade onde estamos inseridos.
Já um outro desafio é a falta de mais capelães para realização dos cultos e atendimentos presenciais. Ainda não alcançamos todas as unidades prisionais próximas a nós, mas cremos que Deus continua trabalhando nesse objetivo.
Existe uma real necessidade de que a Igreja entenda que “precisamos cuidar para que ninguém deixe de experimentar a graça de Deus” (Hb 12.15), a graça não é somente para nossa família, amigos e pessoas próximas, mas para todas as pessoas, incluindo as que se encontram no sistema prisional, independente se o crime cometido por elas foi um simples furto ou um grave homicídio.
Não consigo contabilizar, ao longo desses anos, quantas pessoas ouviram falar de Jesus tampouco quantas entregaram suas vidas à Cristo e tiveram mudança. Acabamos perdendo contato com a maioria delas depois que ganham liberdade, mas se apenas uma alma tiver se rendido à Cristo já terá valido a pena.
Desde a primeira porta aberta pude perceber a condução e o agir de Deus, Ele tem feito o improvável, sempre no tempo e da maneira dele, é sempre perfeito.

Consigo lembrar de tantos rostos, de tantas histórias que Deus permitiu vivenciar, alguns olhares de desespero que depois de algum tempo passaram a transmitir paz. Sim, difícil explicar com palavras que alguém que estava privado da liberdade física podia desfrutar da liberdade de sua alma, enquanto muitos estão livres de grades físicas, mas presos espiritualmente.
Ao mesmo tempo meu coração chora quando vejo alguém que saiu do sistema e em alguns casos poucos dias depois já está de volta, então começamos tudo novamente.
Nos últimos anos passamos por reorganização no sistema prisional, muitas mudanças aconteceram e foi necessário readequar os projetos e persistir muito no discipulado por carta diante de tantas transferências dos reeducandos que estávamos atendendo.
Com certeza posso dizer que não sou a mesma pessoa que cruzou a primeira grade anos atrás, Deus mudou minha maneira de pensar, de agir e principalmente de amar.
Hoje posso afirmar que o que me segura no ministério é a convicção de chamado, isso traz paz, tranquilidade e segurança para proclamar a graça de Deus.
Não é o lugar onde imaginei que estaria – um pavilhão era extremamente improvável –, mas Deus abriu meus olhos e me permitiu ver.

Como me alegro pelo cuidado constante de Deus, por sua infinita graça sobre minha vida, por cada livramento, inclusive aqueles que nem percebi e pelo privilégio de ser instrumento em Suas mãos.
Tudo isso é simplesmente Graça.
REVISTA ULTIMATO – LEMBREM-SE: ‘DEIXO COM VOCÊS A PAZ, A MINHA PAZ LHES DOU”
Durante a última ceia com os discípulos, Jesus se despede com palavras de paz: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não a dou como o mundo a dá. Não vos perturbeis, nem vos atemorizeis”.
Por meio dos artigos de capa desta edição, Ultimato quer ajudar o leitor a se lembrar dessa verdade. Para fazer frente aos dias difíceis em que vivemos.
É disso que trata a edição 417. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Do chamado à convicção, por Angela Soares Cruz
» Como Anunciar o Evangelho entre os Presos – Teologia e prática da capelania prisional, Antonio Carlos Junior, Cristiano Rezende Franco, Elben César
» Culpa e Graça - Uma análise do sentimento de culpa e o ensino do evangelho, Paul Tournier
» Expiação - Culpa, perdão e o sacrifício de Cristo, Eleonore Stump
Por Angela Soares Cruz
O Meu Lugar no Mundo
Há 12 anos, fui surpreendida com o olhar gracioso de Deus para dentro das unidades prisionais. Não sabia bem o que era um capelão ou mesmo o que fazia, mas inexplicavelmente, pelo menos aos olhos humanos, sabia que era ali onde eu deveria estar, era o ministério que Ele tinha para mim.Que tempo fantástico de aprendizado. Desde o início Deus foi me ensinando a não julgar, esse não é meu papel, os meus pecados também foram lançados sobre Jesus na cruz. A diferença entre a minha vida e a de alguém atrás de uma grade é que, simplesmente, a Graça me encontrou primeiro.
O desafio principal, no início, era apresentar Cristo e discipular àquelas vidas: Como fazer isso num ambiente cercado por tantas normas e protocolos de segurança? Iniciamos então, o discipulado através de cartas e assim tem sido durante todos esses anos, contrariando a modernidade onde estamos inseridos.
Já um outro desafio é a falta de mais capelães para realização dos cultos e atendimentos presenciais. Ainda não alcançamos todas as unidades prisionais próximas a nós, mas cremos que Deus continua trabalhando nesse objetivo.
Existe uma real necessidade de que a Igreja entenda que “precisamos cuidar para que ninguém deixe de experimentar a graça de Deus” (Hb 12.15), a graça não é somente para nossa família, amigos e pessoas próximas, mas para todas as pessoas, incluindo as que se encontram no sistema prisional, independente se o crime cometido por elas foi um simples furto ou um grave homicídio.
Não consigo contabilizar, ao longo desses anos, quantas pessoas ouviram falar de Jesus tampouco quantas entregaram suas vidas à Cristo e tiveram mudança. Acabamos perdendo contato com a maioria delas depois que ganham liberdade, mas se apenas uma alma tiver se rendido à Cristo já terá valido a pena.
Desde a primeira porta aberta pude perceber a condução e o agir de Deus, Ele tem feito o improvável, sempre no tempo e da maneira dele, é sempre perfeito.

Consigo lembrar de tantos rostos, de tantas histórias que Deus permitiu vivenciar, alguns olhares de desespero que depois de algum tempo passaram a transmitir paz. Sim, difícil explicar com palavras que alguém que estava privado da liberdade física podia desfrutar da liberdade de sua alma, enquanto muitos estão livres de grades físicas, mas presos espiritualmente.
Ao mesmo tempo meu coração chora quando vejo alguém que saiu do sistema e em alguns casos poucos dias depois já está de volta, então começamos tudo novamente.
Nos últimos anos passamos por reorganização no sistema prisional, muitas mudanças aconteceram e foi necessário readequar os projetos e persistir muito no discipulado por carta diante de tantas transferências dos reeducandos que estávamos atendendo.
Com certeza posso dizer que não sou a mesma pessoa que cruzou a primeira grade anos atrás, Deus mudou minha maneira de pensar, de agir e principalmente de amar.
Hoje posso afirmar que o que me segura no ministério é a convicção de chamado, isso traz paz, tranquilidade e segurança para proclamar a graça de Deus.
Não é o lugar onde imaginei que estaria – um pavilhão era extremamente improvável –, mas Deus abriu meus olhos e me permitiu ver.

Como me alegro pelo cuidado constante de Deus, por sua infinita graça sobre minha vida, por cada livramento, inclusive aqueles que nem percebi e pelo privilégio de ser instrumento em Suas mãos.
Tudo isso é simplesmente Graça.
- Angela Soares Cruz é capelã em presídios no Vale do Paraíba e recebe exemplares de Ultimato para apoiar o seu trabalho via Ações Ministeriais.
REVISTA ULTIMATO – LEMBREM-SE: ‘DEIXO COM VOCÊS A PAZ, A MINHA PAZ LHES DOU”Durante a última ceia com os discípulos, Jesus se despede com palavras de paz: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não a dou como o mundo a dá. Não vos perturbeis, nem vos atemorizeis”.
Por meio dos artigos de capa desta edição, Ultimato quer ajudar o leitor a se lembrar dessa verdade. Para fazer frente aos dias difíceis em que vivemos.
É disso que trata a edição 417. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Do chamado à convicção, por Angela Soares Cruz
» Como Anunciar o Evangelho entre os Presos – Teologia e prática da capelania prisional, Antonio Carlos Junior, Cristiano Rezende Franco, Elben César
» Culpa e Graça - Uma análise do sentimento de culpa e o ensino do evangelho, Paul Tournier
» Expiação - Culpa, perdão e o sacrifício de Cristo, Eleonore Stump
10 de fevereiro de 2026- Visualizações: 2563
comente!- +A
- -A
-
compartilhar

Leia mais em Por Escrito
Opinião do leitor
Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta
Para escrever uma resposta é necessário estar cadastrado no site. Clique aqui para fazer o login ou seu cadastro.
Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.
- + vendidos
- + vistos
Revista Ultimato
Oramos para que Deus faça aquilo que so Deus pode fazer.
Ricardo Barbosa
(31)3611 8500
(31)99437 0043
Não sei como é que foi, só sei que foi assim!
Concurso Cultural 55 anos
Na quarentena, “a minha graça te basta”
A casa de portão vermelho






