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Opinião

Dietrich Bonhoeffer em 2026

Um orientador espiritual e teológico com quem temos muito a aprender

Por Carlos Caldas

Há exatos 120 anos nascia um casal de gêmeos na cidade de Breslau, que naquela época, pertencia à Alemanha1: Dietrich e Sabine, respectivamente, o sexto e a sétima dos oito filhos do casal Paula e Karl. O sobrenome? Bonhoeffer. Sim, Dietrich Bonhoeffer, sem exagero, um dos teólogos cristãos mais famosos da história. Bonhoeffer é um dos poucos pensadores cristãos que é estudado tanto por conservadores como por progressistas. Em geral, um teólogo tido como progressista dificilmente será estudado e apreciado em círculos conservadores, e vice-versa. Bonhoeffer consegue a proeza de superar o (lamentável e desnecessário) odium theologicum que, via de regra, pessoas em um campo do espectro teológico costumam devotar a quem não faz parte das suas preferências.

Bonhoeffer fez por merecer o prestígio que tem. Um dos motivos é a admirável coerência que teve entre o que escreveu e o que viveu. Ele foi coerente com suas crenças teológicas do início ao fim de sua breve existência (tinha apenas 39 quando foi executado pelo regime nazista, a extrema direita da Alemanha do seu tempo, no campo de concentração de Flossenbürg). Outro elemento importante que explica a notoriedade e a popularidade de Bonhoeffer é a qualidade de sua produção teológica. Com apenas 21 de idade ele obteve seu doutorado em teologia na Universidade de Berlim, com uma tese no campo da eclesiologia. Sua tese chamou a atenção de um gigante do saber teológico da época, Karl Barth, que a denominou de “milagre teológico”2. Depois vieram outras obras, algumas mais “leves”, por assim dizer, como Discipulado (provavelmente o livro mais conhecido de Bonhoeffer), Orando com os Salmos, Tentação e Vida em comunhão, outras, mais densas, como Ética (inacabado, por conta da já citada morte precoce do seu autor) e o volume de suas correspondências com seus pais, com sua noiva, Maria von Vedemeyer, e com seu ex-aluno que viria a se tornar seu principal parceiro de conversações teológicas, Eberhard Bethge, que mais tarde viria a escrever a biografia de Bonhoeffer tida como definitiva – mais de mil páginas – ainda indisponível em português) intitulado Resistência e submissão. A propósito, dentre as obras mais “pesadas” de Bonhoeffer inclui-se Ato e ser, sua segunda tese3, publicada pela primeira vez no Brasil justamente neste ano de 2026 pela Editora Sinodal4.



Nestes livros, e em outras publicações ainda inéditas em português, que trazem os textos de suas aulas e pregações, encontra-se uma teologia muito rica, de base luterana, que tem em Cristo o centro e o norte da bússola. Encontra-se também uma ética da responsabilidade, consequência de uma liberdade do pecado e para uma ação responsável no mundo, sinais do Nachfolge – o “discipulado”, o seguimento de Jesus Cristo na sociedade.

Bonhoeffer continua sendo um orientador espiritual e teológico com quem temos muito a aprender. Seus escritos são contundentes, algumas vezes de compreensão difícil, sempre corajosos e desafiadores, marcados por um compromisso de fidelidade radical ao Cristo que é o Emanuel, o Deus conosco, que nos convida a segui-lo no mundo. Dietrich Bonhoeffer, presente.

Notas
1. Após o término da Segunda Guerra Mundial o mapa da Alemanha foi redesenhado, e a cidade de Breslau passou a pertencer à Polônia, tendo seu nome mudado para Wroclaw. Curiosamente figuras conhecidas como Angelus Silesius, Friedrich Schleiermacher, Norbert Elias, Edith Stein e Ernst Cassirer também nasceram na então Breslau.

2. A expressão usada por Barth em alemão, referindo-se à tese de Bonhoeffer é eine theologische Überraschung, literalmente, “uma surpresa teológica”.

3. No modelo acadêmico alemão para ingresso na carreira docente é necessário que se defenda uma segunda tese, denominada Habilitation (“Habilitação”) que, como o próprio nome indica, indica que a pessoa é “habilitada” para a docência acadêmica.

4. https://www.editorasinodal.com.br/produtos/ato-e-ser/?srsltid=AfmBOorPZLDHB36BH4-eEs9aFgjKssXvWisNM2NElS0nLyayYgskckK4


Imagem: Flickr.


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Saiba mais:
» Bonhoeffer para Todos, Stephen R. Heynes e Lori Brandt Hale
» Discordâncias Religiosas - Como lidar com a pluralidade de crenças, Helen De Cruz
» Caminhos da Graça - Identidade, crescimento e direção nos textos da Bíblia, Karin Helen Kepler Wondracek
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» “Um homem para os outros”: o legado de Dietrich Bonhoeffer, por Alderi S. de Matos
é professor no Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC Minas, onde lidera o Grupo de Pesquisa sobre Protestantismo, Religião e Arte. É autor de Dietrich Bonhoeffer e a teologia pública no Brasil (São Paulo: Garimpo Editorial, 2016), vice-presidente da Sociedade Bonhoeffer Brasil e autor de vários artigos sobre Bonhoeffer.
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