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Opinião

Setenta e cinco anos da descoberta dos manuscritos do mar Morto

Por William Lane
 
No meio dos estudos arqueológicos há certa desconfiança e desprezo por qualquer objeto, artefato ou documento antigos adquiridos por comerciantes e colecionadores de antiguidades cuja origem e autenticidade não possam ser precisamente atestadas. A arqueologia tende a dar crédito apenas a objetos extraídos de sítios arqueológicos formalmente estabelecidos por instituições reconhecidas. 
 
Um caso relativamente recente foi o anúncio em 2002 por um colecionador israelita da existência de um ossuário – uma urna – contendo a inscrição “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. O objeto foi examinado extensamente pelos especialistas e houve tanto quem reconhecesse a sua autenticidade, porém, não a inscrição, quanto quem denunciasse o colecionador de falsidade.
 
Os manuscritos do mar Morto, cujas primeiras descobertas completam 75 anos, são um exemplo de materiais encontrados casualmente por um beduíno e passados adiante por comerciantes de antiguidades até chegar às mãos de quem pudesse reconhecer o seu valor. Alguns dos primeiros manuscritos chegaram a ser anunciados à venda nos classificados do Wall Street Journal em junho de 1954.1
 
A descoberta é atribuída a um jovem beduíno que procurava um de seus animais na região das cavernas às margens do mar Morto na Palestina em 1947. Ele teria chegado à entrada de uma gruta e jogado uma pedra para dentro para saber se seu animal estava ali. Mas ele ouviu um ruído de algo como um vaso se quebrando. Entrou para averiguar e encontrou alguns rolos de peles. Sem saber de sua importância e valor, ficou com eles por algum tempo até passar adiante. Depois de muitos atravessadores, três rolos foram vendidos ao padre E. L. Sukenik em nome da Universidade Hebraica e quatro outros ao convento sírio de São Marcos em Jerusalém. Os religiosos conseguiram reconhecer o seu valor verificando que se tratavam um rolo do livro bíblico de Isaías, um comentário de Habacuque e as Regras da Comunidade. 
 
 
Logo que se descobriu a importância desses manuscritos, esforços foram feitos para encontrar o local em que foram descobertos e iniciar escavações arqueológicas. A Palestina estava em meio ao conflito árabe-israelita. O período coincidia com a formação do estado moderno de Israel. Ainda assim foi possível iniciar atividades arqueológicas, e no decorrer dos anos seguintes, onze grutas foram exploradas e muitos outros manuscritos encontrados. Os estudiosos consideram essa descoberta uma das mais importantes da história da arqueologia. É importante não só pelo material e conteúdo encontrado como pelo que atesta sobre o conteúdo bíblico. Dentre tantos benefícios decorrentes da descoberta nos manuscritos, destaco três.
 
Primeiro, até essa descoberta, os manuscritos mais antigos do Antigo Testamento completo de que se tinha conhecimento era um pergaminho de 1.007 depois de Cristo – o Códice de Leningrado. É sabido que não existem os documentos originais dos escritores sagrados. Possuímos apenas cópias de cópias, e versões em outras línguas. Uma das importantes versões é a tradução grega do Antigo Testamento (a Septuaginta, ou LXX). O manuscrito completo mais antigo da LXX é do quarto século depois de Cristo. Entre os manuscritos descobertos em Qumrã, cerca de 40% contêm passagens bíblicas e são textos procedentes do terceiro século antes de Cristo até o primeiro século depois de Cristo. Então, esses textos e fragmentos são muito mais antigos de que qualquer outro manuscrito da Bíblia Hebraica (o Antigo Testamento). Entre esses, havia dezenove cópias do livro de Isaías. Muitas cópias eram apenas fragmentos, mas um dos rolos continha todo o livro de Isaías. 
 
Além da antiguidade, os diversos manuscritos encontrados ao longo das escavações que se sucederam foram identificados como fragmentos ou citações de todos os livros do Antigo Testamento, exceto o de Ester. Do ponto de vista do estudo do cânon bíblico, esse é um dado muitíssimo significativo, pois indica que no período anterior ao nascimento de Cristo os textos da Bíblica Hebraica já eram preservados como textos de instrução para a comunidade. Mais importante ainda, verificou-se que a tradição textual do Códice de Leningrado estava solidamente apoiada em textos bastante antigos.
 
 
Por fim, a descoberta lançou luz sobre a vida dos essênios, um grupo de ascetas que formou uma comunidade isolada no deserto e preservava os seus costumes. Eles eram mais um de vários grupos religiosos e políticos no judaísmo daquela época. Nas páginas dos Evangelhos encontramos alguns outros grupos como os fariseus, saduceus e zelotes. Mas nada se diz a respeito dos essênios, justamente, porque não participavam da vida pública em Israel. Embora fossem citados por autores judeus do primeiro século, como Flávio Josefo e o filósofo Fílon de Alexandria, pouco se sabia deles até a descoberta dos manuscritos do Mar Morto. Ali foram encontrados manuais da vida comunitária e concluiu-se que um grupo deles foi responsável pela preservação desses manuscritos até a comunidade ser extinta.
 
Apesar de terem se passado 75 anos dessa importante descoberta, há muito que podemos aprender do seu conteúdo e da luz que esses textos lançam ao entendimento do Novo Testamento. 
 

Nota
Pastor presbiteriano, doutor em Antigo Testamento, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Seminário Presbiteriano do Sul.
  • Textos publicados: 50 [ver]

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