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Opinião

Robinson Cavalcanti (1944-2012): missão, chamado e teologia

Por Fernando Coêlho Costa

Profissão como Missão

A trajetória profissional e religiosa de Robinson Cavalcanti nos anos 1960 foi de incertezas dadas às circunstâncias sócio-políticas pelas quais o país enfrentava. Contudo, ele teve uma formação escolar em instituições de qualidade como o Colégio Presbiteriano de Garanhuns e o Colégio Nóbrega de Recife, uma formação política no contexto familiar e duas graduações sendo em Direito na Universidade Federal e Ciências Sociais na Universidade Católica, administrada por jesuítas. Ele também viveu no Rio de Janeiro, onde defendeu sua tese sobre o Coronelismo alagoano, vindo a ocupar funções administrativas e coordenar o mestrado em Ciências Políticas e o Centro de Ciências Humanas da UFPE.

O período acadêmico vivido por Robinson Cavalcanti foi, segundo ele, crucial para sua profissão e prática religiosa. Depois de um período advogando, Robinson entra como professor na Universidade e isso viabiliza a relação entre profissão e missão. Ele chegou a testemunhar: “Como profissional nas áreas de pesquisa e ensino, sempre me vi dando o melhor de mim, com ética, e ao mesmo tempo sendo um missionário no mundo universitário.”

A resposta encontrada pelo jovem Robinson aos dilemas pessoais quanto aos rumos a seguir na profissão e na missão, manifestou-se em um sincero compromisso a partir dos primeiros anos de fé evangélica na Igreja Luterana na qual fazia parte e pela formação que recebeu na Aliança Bíblica Universitária do Brasil. A Universidade foi seu primeiro campo de missão enquanto estudante. Posteriormente foi professor universitário, pesquisador e como membro dos conselhos e superiores nas Instituições universitárias que foi vinculado, que ele desempenhou sua missão.

Foram esses dois espaços iniciais que Robinson Cavalcanti começou a conhecer um tipo de protestantismo e comungar de suas práticas, valores, crenças e aspirações e foi no contexto da Universidade que Robinson Cavalcanti desenvolveu o pensamento e engajamento religioso e político pelo qual ficou conhecido.

Chamado e ministério

O jovem Robinson Cavalcanti buscava um espaço de conciliasse “vida devocional, estudo bíblico, disciplina intelectual, abertura ao contemporâneo e à problemática social”. No movimento estudantil ele fincou suas bases por mais de uma década e tendo sido discipulado por Dionísio Pape, ele se engajou de forma mais séria na ABUB. Em um dos encontros de formação em 1967, Robinson Cavalcanti conheceu Paul Little, assessor da Intervarsity Christian Fellowship, que o desafiou a participar da Conferência Missionária Urbana 67, nos Estados Unidos.

Foi naquela Conferência, encorajado pelas palavras de John Stott a servir como profissional em missão que Robinson atendeu ao chamado ministerial que se daria de 1968 a 1977 como assessor da ABUB para o Norte-Nordeste. Ele contou: “um mês depois, sou convidado para lecionar na Universidade Católica. É a resposta de Deus: profissão e ministério na academia”.

Os cerca de dez anos em que Robinson Cavalcanti esteve comprometido com a Aliança Bíblica Universitária do Brasil foram ao mesmo tempo sua oportunidade de serviço voluntário itinerante e sua formação teológica mais expressiva. Ele afirmou sobre a ABUB: “seus acampamentos, seminários de capacitação e a itinerância interdenominacional de seu ministério foram minha principal fonte de inspiração teológica, de uma teologia do caminho”.

O aprendizado que ele teve com Dionísio Pape, ficou claro quando por ocasião do falecimento de seu mestre, Robinson faz um tributo e menciona as características pessoais e teológicas de seu amigo. Foram elogiadas sua visão missionária, sua aculturação no norte e nordeste do país, a preocupação que Pape possuía em formar lideranças e seu anseio por ver a comunidade evangélica brasileira envolvida na cultura nacional. Robinson seguiu o mesmo exemplo de Pape.

Engajamento na Teologia

Teologia para Robinson era algo apaixonante e sério. Ele estava entre os 25 fundadores da Fraternidade Teológica Latino-americana, em Cochabamba, em 1970. Apesar de ser o caçula da turma que contava com René Padilla, Pedro Arana e Samuel Escobar, ele como cientista politico se engajou de forma exemplar na teologia. Ele tinha a bagagem dos jesuítas e a bravura de um nordestino. Por questões teológicas ela falava sérias verdades, com inteligente senso de humor.

Robinson Cavalcanti, então Bispo Anglicano Diocesano dedicou maior parte dos seus cerca de 160 artigos na Revista Ultimato ao combate do que chamou de novas interpretações dentro do protestantismo brasileiro, se referindo aos exageros e erros teológicos como agressão à memória dos mártires e um risco ao discipulado. Ele defendia o chamado cristão ao serviço sacrificial, o engajamento político por meio de uma teologia da ação, a presença do Reino de Deus e o chamamento ao profetismo, com sensibilidade social e obras de misericórdia. Aliado a isso, a ajuda das Ciências Humanas no combate ao que chamou de “confusão entre ignorância, inocência e santidade, enquanto os reformadores detinham títulos de doutores e fundaram Universidades.”

O engajamento teológico que começou com a ABUB, fez Robinson conhecer e participar dos espaços internacionais de produção teológica e chegar a Bispo Anglicano. Ele migrou para o evangelicalismo anglicano, integrou por sete anos a Executiva da FTL, a Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial(LCWE). Sua dedicação e engajamento teológico fizeram com que Robinson Cavalcanti comparecesse a todas as reuniões e participasse da maioria das consultas da fase de criação de documentos norteadores para as igrejas evangélicas em todo o mundo, entre 1974 e 1982, cujos temas foram: responsabilidade social; evangelho e cultura; estilo de vida simples, além da Consulta sobre Evangelização mundial, em junho de 1980, Pattaya, Tailândia.

Robinson integrou por quatro anos a Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial, na subcomissão Ética e Sociedade e enquanto se envolvia na promoção de atividades missionárias no Brasil e nos espaços teológicos internacionais. Foi ativo na elaboração da declaração de Jarabacoa sobre os cristãos e a ação política, da Pró-Comissão Latino-americana de políticos evangélicos, promovida pela FTL-AL, e nos Congressos de Lausanne (1974), Lausanne II, nas Filipinas(1989) e Lausanne III, na África do Sul (2010). Ele se engajou nos Clades, no Conela, no Anglicanismo e em tudo que tivesse relação com Progressismo entre evangélicos.

Fiquemos, portanto, com o testemunho que ele mesmo deu de si: “Desde a Igreja Romana, tenho sido um cristão credal, afirmando cada artigo dos Credos Apostólico e Niceno. Desde a Igreja Luterana, tenho sido um cristão confessional: afirmando cada ponto convergente das confissões de fé da Reforma. Um ortodoxo que procura ser ortoprático. No protestantismo, sempre me vi como um evangélico (evangelical)-anunciando a expiação na cruz, o novo nascimento, a santidade e o imperativo missionário”.

Apesar dos embates, debates e divergências que o posicionamento Dom Robinson provocava, ele ainda acreditava na possibilidade da utopia que que ele construía e perseguia. Ele ainda amava a Igreja e os irmãos. Como ele afirmou: ainda sou otimista, ainda boto fé no protestantismo brasileiro (um adolescente imaturo desajeitado), porque boto fé no Senhor dessa Igreja. Que o Senhor nos mantenha firmes nas Sagradas Escrituras, no evangelho eterno, na dependência do Espírito Santo. Que o Senhor nos mantenha firmes nas tradições e nos livre do tradicionalismo. Que o Senhor nos una, nos amadureça e nos torne éticos e comprometidos, para impactarmos esse país e o mundo.

• Fernando Coêlho Costa é historiador, teólogo, pastor e pesquisador do Protestantismo Brasileiro. Atuou como Assessor da ABUB por oito anos para a região Norte e hoje está envolvido na Geração de Líderes Jovens do Movimento Lausanne. 

>> Conheça o livro Reflexões de uma vida: memórias de um ministério, de Robinson Cavalcanti

 

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