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Opinião

O prazer perdido de ler uma carta

Por William Lane
 
No mundo das comunicações digitais quase instantâneas falar do valor e relevância da comunicação por cartas certamente soa anacrônico. Porém, as cartas já foram meios eficientes de comunicação e de construção de relacionamentos com as pessoas; eram instrumentos para aproximar as pessoas, obter notícias umas das outras, tratar de questões formais ou negócios, enviar recomendações e instruções a pessoas que amamos. A carta tem tanto um caráter formal quanto casual. E é impressionante como elas podem moldar a nossa história.
 
É curioso pensar que provavelmente o cerne de nossa teologia cristã e prática eclesiástica está formado a partir de cartas, as cartas principalmente de Paulo às igrejas e a indivíduos, as de Pedro e as de João. Em grande medida essas cartas moldaram e continuam moldando-nos como povo cristão.
 
Dentre as cartas, há algumas mais extensas (1-2Co, Rm, Hb) outras bem breves (Tt, Fm, 2Jo, 3Jo, Jd). Algumas tratam de assuntos teológicos profundos (Rm, Gl, Ef, 1Jo), outras de problemas de relacionamentos e conduta na igreja (1-2Co, Fp), ainda outras procuram corrigir distorções e falsos ensinamentos (Gl, Cl, 1Tm, Tt, 2Jo). Algumas são mais gerais (Hb, Tg) outras bastante pessoais e particulares (Fp, Fm, 1-2Tm, Tt). Seja como for, é interessante que apesar de não termos as respostas e impressões dos destinatários das cartas, elas provavelmente nos revelam muito mais a respeito dos destinatários do que dos seus autores. Revelam alguns dos anseios, necessidades, dificuldades e desafios dos destinatários.
 
Dentre as diversas cartas que Paulo escreveu, três delas (1-2Tm, Tt), provavelmente as últimas cartas que o apóstolo escreveu, após ser liberado da prisão em Roma (At 28), são destinadas a dois jovens colaboradores e pastores a quem Paulo instrui e faz recomendações sobre pelo menos três áreas: vida pessoal, questões administrativas e organizacionais da igreja, e combate a falsos ensinamentos.
 
John Stott (Lendo Timóteo e Tito com John Stott) diz que a preocupação primordial de Paulo nessas três cartas é com a verdade e como ela deve ser fielmente guardada e transmitida. Mas é interessante que Paulo nunca defende a verdade como uma proposição, ideia ou conceito afastada da vida pessoal e comunitária. Então, nessas cartas a defesa da verdade se expressa e materializa nas recomendações sobre a vida pessoal, organizacional e o combate aos falsos ensinamentos. E Paulo usa uma linguagem muito afetuosa e paternal com esses jovens, chamando-os de “filho” como um discípulo.

Aprecio muito a leitura e estudo dessas cartas justamente por essas características. Vejo que elas podem continuar a nos ensinar a: 1) Cuidar de nós mesmos; 2) Cuidar uns dos outros; 3) Cuidar do evangelho/verdade. Mas esses temas estão muito entrelaçados. A tratar da defesa da verdade e do combate aos falsos ensinamentos e práticas Paulo se preocupa com a pessoa de Timóteo e Tito (p.ex., 1Tm 6.11-12, 20-21; Tt 3.8-11) e faz recomendações que cuidem de si mesmos (1Tm 4.16; 5.23).
 
Temos muito a aprender com essas cartas porque também os meios modernos de comunicação apesar de eficazes, se tornam impessoais e não aproximam as pessoas, pelo contrário, muitas vezes nos distanciam. Pessoas são ágeis em defender uma verdade ou ideal, e disseminam o seu pensamento rapidamente, porém, não constroem relações e comunidades. Seus ‘seguidores’ ou ‘admiradores’ logo os abandonarão com um clique.
 
Precisamos voltar a essas cartas.

***
 
Pastor presbiteriano, doutor em Antigo Testamento, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Seminário Presbiteriano do Sul.
  • Textos publicados: 39 [ver]

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