Opinião
06 de março de 2026- Visualizações: 1340
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A mulher que o pergaminho mais antigo do Novo Testamento não deixa esquecer
Uma lembrança de que as mulheres que se dedicaram e ainda hoje se dedicam ao serviço de Cristo continuarão a ser lembradas para a glória de Deus.
Por Lidice Meyer Pinto Ribeiro
O texto mais antigo do Novo Testamento encontrado até hoje é chamado de Papiro Magdalena ou P64. Se você pensou que ele tem este nome por causa de Maria Madalena, errou! Trata-se de três pequenos fragmentos de papiro escritos em ambos os lados com algumas palavras em grego do capítulo 26 do Evangelho de Mateus. O nome Magdalena está relacionado ao Magdalena College em Oxford onde foi catalogado em 1901 ganhando a partir daí este nome. Os fragmentos foram datados como pertencentes ao período de 35 a 70 d.C.
São apenas três pequenos e frágeis fragmentos, mas que preservam 24 linhas do texto do Novo Testamento. No fragmento 1 encontra-se o texto Mateus 26.7-8: “Aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso perfume, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que esse desperdício?” O fragmento 3 traz o texto de Mateus 26.10: "Mas Jesus, sabendo disso, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo."

Não é curioso que dois dos três fragmentos mais antigos do Novo Testamento tragam justamente um texto sobre uma mulher cuja ação Jesus profetizou que não seria esquecida enquanto o evangelho fosse pregado? (Mt 26.13)
O nome desta mulher não foi preservado. Há quem a associe a Maria de Betania e ainda quem a associe a uma mulher pecadora, mulheres que efetuaram uma ação semelhante: ungir Jesus. Mas, cada uma destas mulheres atuou em um local e um momento diferente. A mulher que Jesus perdoou (chamada de pecadora) unge seus pés no início de seu ministério, na casa de um fariseu, na presença de muitos (Lc 7.36-50). A mulher anônima retratada no papiro 64 ungiu a cabeça de Jesus anunciando a proximidade de seu sacrifício perante os discípulos na casa de Simão, o leproso (Mt 26.6-13). Já Maria de Betânia, em sua casa, unge os pés de Jesus na semana da sua última Páscoa, em um momento presenciado só por seus amigos mais íntimos (Jo 12.3).
É realmente belo e significativo que a memória da ação da mulher que anunciou o sacrifício vicário de Jesus seja preservada num pergaminho que recebeu o nome da mulher que anunciou sua ressurreição.
Sim, o pergaminho 64 é uma lembrança de que as mulheres que se dedicaram e ainda hoje se dedicam ao serviço de Cristo, mesmo que anonimamente, continuarão a ser lembradas onde quer que o Evangelho seja pregado, para a glória de Deus.
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)
A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418 de Ultimato. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
»Vozes Femininas no Início do Cristianismo, Rute Salviano Almeida
Por Lidice Meyer Pinto Ribeiro
O texto mais antigo do Novo Testamento encontrado até hoje é chamado de Papiro Magdalena ou P64. Se você pensou que ele tem este nome por causa de Maria Madalena, errou! Trata-se de três pequenos fragmentos de papiro escritos em ambos os lados com algumas palavras em grego do capítulo 26 do Evangelho de Mateus. O nome Magdalena está relacionado ao Magdalena College em Oxford onde foi catalogado em 1901 ganhando a partir daí este nome. Os fragmentos foram datados como pertencentes ao período de 35 a 70 d.C.São apenas três pequenos e frágeis fragmentos, mas que preservam 24 linhas do texto do Novo Testamento. No fragmento 1 encontra-se o texto Mateus 26.7-8: “Aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso perfume, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que esse desperdício?” O fragmento 3 traz o texto de Mateus 26.10: "Mas Jesus, sabendo disso, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo."

Não é curioso que dois dos três fragmentos mais antigos do Novo Testamento tragam justamente um texto sobre uma mulher cuja ação Jesus profetizou que não seria esquecida enquanto o evangelho fosse pregado? (Mt 26.13)
O nome desta mulher não foi preservado. Há quem a associe a Maria de Betania e ainda quem a associe a uma mulher pecadora, mulheres que efetuaram uma ação semelhante: ungir Jesus. Mas, cada uma destas mulheres atuou em um local e um momento diferente. A mulher que Jesus perdoou (chamada de pecadora) unge seus pés no início de seu ministério, na casa de um fariseu, na presença de muitos (Lc 7.36-50). A mulher anônima retratada no papiro 64 ungiu a cabeça de Jesus anunciando a proximidade de seu sacrifício perante os discípulos na casa de Simão, o leproso (Mt 26.6-13). Já Maria de Betânia, em sua casa, unge os pés de Jesus na semana da sua última Páscoa, em um momento presenciado só por seus amigos mais íntimos (Jo 12.3).É realmente belo e significativo que a memória da ação da mulher que anunciou o sacrifício vicário de Jesus seja preservada num pergaminho que recebeu o nome da mulher que anunciou sua ressurreição.
Sim, o pergaminho 64 é uma lembrança de que as mulheres que se dedicaram e ainda hoje se dedicam ao serviço de Cristo, mesmo que anonimamente, continuarão a ser lembradas onde quer que o Evangelho seja pregado, para a glória de Deus.
- Lidice Meyer é doutora em Antropologia, Professora na Universidade Lusófona em Portugal e autora do livro Cristianismo no Feminino, Editora Mundo Cristão
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418 de Ultimato. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
»Vozes Femininas no Início do Cristianismo, Rute Salviano Almeida
Lidice Meyer P. Ribeiro é doutora em Antropologia e professora na Universidade Lusófona, Portugal. É autora de, entre outros, Cristianismo no Feminino – o papel da mulher na vida da Igreja (Editora Mundo Cristão).
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