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Palavra do leitor

Jesus apresentou o reino, mas o que nós temos?

O evangelho de Jesus nos apresentou o Reino, mas será que temos, como cristãos, vivenciado’’.

As palavras proferidas pelo padre Alfred Loisy, quando declarou de que "Jesus anunciou o Reino, mas o que veio foi a Igreja", exprime a percepção de que o reino propalado por Deus não saiu do papel e se resume a um bom conto de fadas. O que dizer do encontro, nos anos 1970, na Alemanha Ocidental, ao ecoar de uma sonora resposta ora perpetrado por jovens, com a resposta de Jesus sim, Igreja, não! Sem sombra de dúvida, não estaríamos por praticar uma versão falsa do evangelho, por procurar adequar o Criador de tudo e de todos para estar em concordância com as nossas fantasias e conveniências? Não por menos, estamos diante de um evangelho mais compromissado em nos mutilar, em nos dilacerar, em nos deprimir e em nos desolar. Decerto, o desafio do cristão, no espertar da pós modernidade, da renuncia a verdade objetiva e ao que é, implica vivenciar a dimensão cristã, evidentemente, não na sua totalidade, embora seja em lampejos ou em réstias ou em fagulhas, a partir de um espectro de ordem humano e subjetivo e indo além para uma vida direcionada ao Criador de tudo e de todos. Presumidamente, a proposta do Reino se estriba para desencadear e ser uma benção em prol do ser humano, apesar de não ser para o homem, porque visa nos fazer viver além de nós mesmos, porque vem e é para além de nós mesmos e o quanto isso bate de frente com os discursos pueris e de um discurso da Cruz voltado a atender as vontades irredutíveis de um Deus provedor e assistencialista. Vou adiante, o Reino de Deus enceta ou começa, primordialmente, com o próprio Deus, através de Jesus Cristo, para, por consequência, nos alcançar e em cada canto e recanto da vida e da nossa vida. Sem sombra de dúvida, conforme está elencado na tessitura dos meandros de Deuteronômio 23.1-9, o termo kahal deve ter sido aplicado por Jesus para se referir o que viria, agora, no grego, a abordar a expressão igreja. É bem verdade, o termo kahal ao ser traduzido como "igreja" ou "assembleia do Senhor", segundo se extraí do texto da Septuaginta. Sempre se de torna de bom alvitre mencionar, não incorreremos na vivência plena e integral do Reino, em sua amplitude e profundidade, entretanto, a incidência do mesmo, a qual se faz mediante a intervenção de Jesus de Nazaré, em nosso ser, pode nos levar a sermos recipientes ou sermos bençãos de Deus, enquanto estivermos neste oikos e a pergunta a ser feita: estamos dispostos?
São Paulo - SP
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