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Palavra do leitor

A Bíblia não é igualitária!

"O igualitarismo não reconhece que somos dotados de uma igualdade plena, como imagem e semelhança de Deus, como não aceita que embora sejamos iguais, como seres de racionalidade, de inteligibilidade, de criatividade, de moralidade, ainda assim, o exercício de nossas potencialidades na realidade pode e vai trazer diferenças fundamentais’’.

"O ser humano não foi originado, segundo os relatos da tradição judaico-cristã, para aguentar, mas sim para ser em criatividade e sentido. Agora, a questão a ser feita: será que isso tem sido uma máxima em nossas realidades evangélicas, protestantes, reformadas, ortodoxas, católicas, pentecostais e afins?"

O termo igualitarismo ganhou uma força propulsora descomunal, nos últimos anos, com ênfase, devido ao despencar dos discursos ideológicos e das impressões subjetivas, numa interpretação inócua ou sem efeito para não dizer anódina ou sem eficácia de tudo junto e misturado. É bem verdade, somos seres dotados de racionalidade, de inteligibilidade, de moralidade, de criatividade e com o qual nos concede a alcunha de ser humano. Decerto, concernentes potencialidades nos tornam iguais (na condição da igualdade plena e não real), agora, quando estas se manifestam na realidade, com todas as suas idiossincrasias (particularidades e peculiaridades) e vicissitudes ou alternâncias, as diferenças são inevitáveis entre os indivíduos e o igualitarismo, os partidários do igualitarismo e os apologistas das ideias igualitárias se colapsam, se autodestroem, se arruínam, em si mesmos. O quanto isso acarreta diferenças diante das reivindicações, dos privilégios, das responsabilidades, dos deveres, das compensações e dos reconhecimentos que serão colocados. Atentemos, essas diferenças e distinções não alteram o ser humano, como imagem e semelhança de Deus, entretanto, não chancelam a constituição de uma estrutura igualitária na vida humana, na sociedade civil, nas instituições, nos governos e nas comunidades. Cada ser humano deve ser tratado como uma pessoa reflexiva, decidida, responsável e que cada pessoa seja tratada como pessoa e ser humano. Se, porventura, assim não for, então, há uma violação inexorável da justiça, da igualdade, da liberdade e do estado de semelhança com atributos do Criador. Não se pode deixar desaparecer, ao falar da igualdade, tanto plena quanto real, desenhamos uma ligação (liame) com a liberdade e pode nos encaminhar para compreensão de ser uma disruptura, a partir da interioridade ou do interior, diante de situações arbitrárias, abusivas, escravizantes e ditatoriais presentes neste oikos. Mesmo assim, não há como fugir da questão de encarar de o quanto a anulação do ser humano, como de um processo de escravização, de marginalização, de exclusão e de desumanização são matérias desafeitas do destino, do sentido e do motivo ou do telos ou da finalidade originada, do Criador que tudo fez, a partir do nada, para cada um de nós e se conformar com a justiça do universo e de sua estrutura racional, como defendido pelos estoicos, ou de esperar pela vinda do Reino de Deus e nada fazer, em meio a cenários de anulação do ser humano, expressamente, desemboca em ser contrário ou oposto até do Deus que, por meio de seus profetas, segundo descrito no AntigoTestamento, sempre exigiu, do povo escolhido, a prática da justiça e do direito, da integridade e da misericórdia, da verdade e dignidade ao outro, fosse próximo ou distante. Dou mais um adendo, posicionar-se em face de mecanismos sociais, políticos, econômicos, culturais, espirituais e teológicos escravizantes, alienadores, opressivos, categoricamente, como obstáculos a serem removidos para permitir o fluir transformador, restaurador, modificador e reunificador de uma autêntica, legítima e consubstanciada liberdade e igualdade espiritual. A guisa dessas abordagens, a bíblia malgrado não seja mesmo igualitária, move-se e movimenta-se e quer nos mobilizar, como perpetrado há mais de quinhentos anos, com o evento ora denominado de Reforma Protestante, para reunificar a fé e a palavra a Cristo, trazer à baila a liberdade de autodeterminação política, cultural, a liberdade de consciência espiritual, o pluralismo constitucional e confessional. Então, nenhuma proposta de escravidão pode ser tolerada, aceita, aquiescida e justificada. Faz-se ressaltar, todo o ímpeto do igualitarismo acaba por escravizar as pessoas em uma ideia ou em uma impressão de igualdade subjetiva, sofismática, delirante e aversiva a verdade, a realidade e ao que é certo. Evidentemente, devemos nos portar como ecos altissonantes diante dos vulneráveis, dos marginalizados, dos desesperançados, dos inquietos, porque o igualitarismo não nos liberta de cadeias, mas a igualdade do Logos da justiça: sim!
São Paulo - SP
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