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Jesus à mesa

Por Klênia Fassoni

A leitura dos Evangelhos nos mostra Jesus à mesa. Sua encarnação tem lugar também no ato corriqueiro de comer. Sal, fermento, mostarda, trigo, sementes, frutos -- são apenas algumas das figuras usadas por Jesus para ilustrar seu ensino. Várias de suas histórias contêm referências aos alimentos e à agricultura, como as parábolas do semeador, da vinha e do rico e Lázaro. Muitas das discussões que travou com os fariseus também tiveram relação com a comida.

Ao mesmo tempo que declarava: “A minha comida é fazer a vontade do meu pai que me enviou”,1 Jesus tinha apetite e se alimentava como qualquer outro homem.2 Os evangelistas nos informam que, em algumas ocasiões, ele não tinha tempo para comer.3

Muitos dos acontecimentos de sua vida se deram à mesa. Estar à mesa combinava com ensino, oração, demonstração de poder, conversas e reuniões de trabalho. A mesa foi espaço privilegiado para convivência e formação de seus seguidores.

A mesa da celebração
Logo no início de seu ministério, Jesus, sua mãe e seus discípulos vão a uma festa de casamento: “Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele”.4 É graças à sua intervenção que a festa não se encerra antes da hora. Admirável que Jesus tenha manifestado sua glória multiplicando o vinho numa festa de casamento!

Lucas relata três histórias contadas por Jesus. Elas têm enredos semelhantes e terminam da mesma forma: com festa. A verdadeira celebração não é solitária. O pai do filho pródigo apressou-se: “Trazei também o novilho cevado, matai-o; comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho era morto e reviveu, estava perdido e se achou”.5 Jesus acrescenta que há festa no céu toda vez que um pecador se arrepende e volta à casa! Essa tripla ilustração é o contraponto à censura dos fariseus de que ele recebia e comia com pecadores. 

Em outra ocasião, a queixa dos fariseus de que seus discípulos não jejuam dá ensejo para que Jesus declare: “Os convidados não jejuam na presença do noivo, antes comem e bebem para festejar a sua presença”.6

A mesa da reconciliação
O encontro de Jesus com Zaqueu, um publicano, é marcado por surpresas. O homem -- discretamente posicionado em cima de uma árvore -- é surpreendido ao ser chamado pelo nome e pelas palavras de Jesus: “Zaqueu, desce depressa; porque importa que eu fique hoje em tua casa”. À mesa, saboreiam o banquete e conversam. Ao fim da refeição Zaqueu é um novo homem.7

No caso de Levi,8 é ele quem convida Jesus, seus discípulos e “uma multidão de publicanos e outros” para o banquete. Os escribas e os fariseus questionam: “Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?”. Jesus declara então o propósito de sua vinda: “Os sãos não necessitam de médico, mas sim os enfermos. Não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento”. Este chamamento é para a reconciliação.

Agora, o banquete acontece na casa de Simão, um fariseu. Uma mulher entra chorando e derrama perfume nos pés de Jesus enxugando-os com os seus cabelos. O cheiro do perfume se mistura ao da refeição. Jesus não é nada discreto. Torna audível a murmuração sussurrada do anfitrião e evidencia a condição da mulher: Esta “pecadora” é muito grata porque foi muito perdoada, e foi muito perdoada porque pecou muito!9

O ato de comer, em algumas ocasiões, serviu como que uma senha de reconhecimento de Jesus. Foi assim com os discípulos no caminho de Emaús: “Estando com eles à mesa, tomando o pão, deu graças e, partindo-o, dava-lhes; então, se lhes abriram os olhos e o reconheceram”.10 Se estes dois discípulos são de fato um casal, como acreditam alguns, há um rico paralelo aí: foi o ato de comer que abriu a eles os olhos para Cristo, para a vida. E foi também o ato de comer que abriu os olhos do primeiro casal para o pecado, para a morte, quando comeram do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Após a ressurreição, Jesus se apresenta aos discípulos reunidos em uma casa em Jerusalém: “Não acreditando eles ainda por causa da sua alegria e estando maravilhados, perguntou-lhes Jesus: ‘Tendes aqui alguma coisa que comer?’ Deram-lhe um pedaço de peixe assado; e tomando-o, comeu diante deles”.11

No caso de Judas, a mesa foi ocasião de desmascaramento, ainda assim em amor: “Em verdade vos digo que um de vós me trairá [...] O que põe comigo a mão no prato, este é o que me trairá”.12

A mesa da partilha e da justiça
No Sermão do Monte, Jesus usa com muita propriedade as expressões “sede” e “fome” para falar da inclinação natural que seus discípulos devem ter para a justiça: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”.13 Os seguidores de Cristo se diferenciam dos maus pelo tipo de fome que sentem. Estes são assim descritos: “Os maus têm fome do mal; eles não têm pena de ninguém”.14

Mais à frente, ao apresentar a oração modelo -- “Pai nosso, que estás nos céus [...] O pão nosso de cada dia nos dá hoje”15 --, Jesus nos ensina um estilo de vida baseado na confiança na providência divina, na medida certa, e no exercício da empatia que nos educa a pensar não apenas em nós e a desejar o pão também para os outros.

Aulas práticas fizeram parte da formação dos discípulos: “E Jesus, chamando os seus discípulos, disse: ‘Tenho compaixão da multidão, porque já está comigo há três dias e não tem o que comer, e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho’”.16 Ao ar livre, num descampado, os discípulos comem sanduíche de peixe com o Mestre e grande multidão. Esta experiência é também uma convocação para que seus discípulos exercitem a compaixão e satisfaçam a necessidade de alimento de outros, confiantes no poder de Deus frente a situações aparentemente sem solução.
Durante uma caminhada Jesus e seus discípulos têm fome e colhem espigas de uma plantação alheia -- expediente previsto na “Lei da Rebusca”17, uma das instituições para garantir a subsistência de órfãos, viúvas e estrangeiros.18 Isso acontece num sábado. Os fariseus entram em ação novamente: “Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito?”. Jesus relembra o precedente de Davi e sublinha sua firme posição acerca do legalismo: as instituições foram feitas para o homem, e não o homem para as instituições.

A Igreja iniciante compreendeu bem a necessidade da partilha e da justiça, que se expressou em um modo de vida comunitário (ver Refeição e hospitalidade , p. 29). No capítulo 6 de Atos, vemos os primeiros fiéis escolhendo homens “cheios do Espírito Santo e sabedoria” para garantirem a justa distribuição de cestas, problema no qual estava em jogo não apenas as necessidades das viúvas, mas também a unidade do Corpo. O recolhimento de ofertas de igrejas para igrejas irmãs que passavam fome é outro exemplo.

A mesa da comunhão e da unidade
À beira do mar de Tiberíades, depois de uma noite de pesca malsucedida, Jesus convida os discípulos a jogar de novo a rede e a ter expectativas mesmo quando a realidade indica o contrário. Em seguida, ele os chama para desfrutar de sua companhia e para comer peixe na brasa preparado e servido por ele: “Ao saltarem em terra, viram ali umas brasas, e um peixe posto em cima delas, e pão [...] Disse-lhes Jesus: ‘Vinde almoçar’”.19 Para Pedro aquele peixe assado na brasa e o diálogo que se seguiu tiveram um significado mais profundo: de perdão, de reconciliação e de reconvocação.

O lar dos irmãos Marta, Maria e Lázaro, em Betânia, parece ter sido um ponto de parada, onde Jesus e os discípulos eram acolhidos, servidos e alimentados -- e experimentavam comunhão. Jesus participou de seus dramas familiares, um deles envolvendo as duas irmãs, Maria e Marta, esta última preocupada e agitada em servir a mesa, esquecendo-se de dar atenção à “melhor parte”.20

A inclusão dos não judeus à comunidade cristã está relacionada ao alimento (ver Refeição e hospitalidade , p. 29). Não foi sem motivo que Paulo agiu com dureza com relação a Pedro, quando ele, pressionado pelos judaizantes, deixou de participar da mesa dos gentios convertidos. Isso significava deixar de ter comunhão com eles, algo inadmissível agora que -- por meio da morte de Cristo -- não existia mais o muro da separação.21

A ordem de Cristo para que seus seguidores façam discípulos de todas as nações é também um convite para que os desconhecidos, os não pertencentes, os não próximos sejam chamados e incluídos num espaço que é inerentemente de comunhão -- a mesa, a Mesa do Senhor.

O relato da última Páscoa -- cujos preparativos foram planejados pelo próprio Jesus -- ocupa um espaço privilegiado no Evangelho segundo João. Um clima de confiança, tristeza e profunda comunhão domina a refeição. É nessa ocasião que Jesus expressa seu anelo pela unidade de seus seguidores, promete o Espírito Santo, ora pelos que virão a crer, apresenta-se como servo que lava os pés dos convidados. E anuncia que se dará a si mesmo em alimento.22

A Ceia, instituída como memorial, aponta para Cristo e para a unidade do seu Corpo. Estar à mesa com o Senhor significa ter sido aproximado, perdoado, reconciliado graças ao sacrifício de Cristo. O pão e vinho tomados em comum -- todos se servem da mesma mesa -- apontam para a unidade da comunidade redimida.

Lucas inicia assim o relato da última refeição de Jesus, que se mostra tão humano e tão divino: “Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e, com ele, os apóstolos. Disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que nunca mais a hei de comer até que ela se cumpra no reino de Deus”.23

Jesus comeu com os seus naquela ocasião e anseia comer novamente hoje. Não é esse o convite registrado em Apocalipse 3.20? “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. A participação dos crentes nesse banquete é garantida pela gratuidade do dom de Deus, sem que tenhamos de dar algo em troca. Somos apenas os convidados.

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