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Distantes de casa, mas não sozinhos

Histórias de haitianos que saíram de sua terra após o terrível terremoto de 2010 e vieram parar no Brasil
Por Lissânder Dias

“Foi o pior dia da minha vida.” Assim a haitiana Enite Emile, de 33 anos, define a data de 12 de janeiro de 2010. Ela estava na capital Porto Príncipe quando o terremoto de 7 graus na escala Richter causou a morte de pelo menos 230 mil pessoas e deixou um rastro de destruição no Haiti, um dos países mais pobres das Américas. Ela, que nunca tinha pensado em deixar sua terra, cinco anos e seis meses depois do terremoto, teve de tomar uma decisão muito difícil: deixar seu filho com a família dela e ir ao encontro do esposo, Olér, que já estava no Brasil há dois anos. “Nosso país é lindo, mas como permanecer em um lugar destruído e sem previsão de reconstrução?” -- perguntam. Eles são casados há sete anos e hoje vivem em Maringá, PR, estudando e trabalhando com a esperança de também trazer seu filho para cá. No Haiti, Enite era universitária, cursando secretariado trilíngue. Aqui ela vai precisar cursar novamente o ensino médio e tentar entrar na universidade, ao mesmo tempo em que trabalha como doméstica em uma casa de família. Olér trabalha como pedreiro.

De toda a dureza da vida (e as lágrimas que ela derrama são prova), Enite ainda consegue transmitir uma doçura natural de quem não perdeu a esperança. Ela crê que Deus sustenta todas as coisas e vai conceder-lhe a força necessária para enfrentar os desafios. Fica claro que essa certeza nasce do seu relacionamento pessoal com o Pai, mas também do acolhimento que ela experimentou na igreja local (presbiteriana) que frequenta. Outros dez haitianos também estão lá. Por meio dessa comunidade cristã, Enite e seu esposo podem aprender o português, receber mantimentos mensalmente, orar e ouvir orientações sobre como aproveitar as oportunidades de crescimento no Brasil.

Já a haitiana Claudine tem 22 anos e é mãe solteira. Sua filhinha, Wisberline, nasceu no Brasil, mas o pai da criança, também haitiano, foi-se embora para o Chile. Claudine tem uma luta imensa, que a fez vir para o Brasil em busca de tratamento médico: vítima de uma doença hereditária chamada anemia falciforme, ela sente dores nos ossos e nas articulações, infecções e inchaços. Quando as crises vêm, ela precisa ser internada. Claudine mora junto com outra conterrânea: Kathelie, de 40 anos.

Kathelie já vivia há 23 anos na República Dominicana quando se deparou com a necessidade urgente de fugir de casa. Seu então companheiro a ameaçava de morte e ela precisou deixar seus três filhos adolescentes com o pai a fim de tentar reconstruir a vida em outro lugar. Escolheu o Brasil, onde está há 2 anos e 5 meses. Aqui Kathelie trabalha fazendo rejuntes em obras de construção. Recebe um pouco menos de R$1.200,00 por mês. Mesmo com saudades dos filhos, ela acolheu em sua casa Claudine e a filha e dá a elas o apoio necessário nas horas de crise.

No domingo de 23 de julho de 2017, Olér, Enite, Claudine, sua filhinha e Kathelie almoçaram na casa dos missionários Silvânio e Dinalva. Para esses haitianos, o casal faz parte de sua “família” no Brasil. Dinalva é quem socorre Claudine quando a saúde dela piora. É Silvânio que eles procuram quando precisam de orientações práticas sobre onde estudar e onde conseguir emprego. Todos eles tiveram na Igreja Presbiteriana um ponto de chegada, que se tornou um porto seguro.

Os haitianos que saem do Haiti não são considerados refugiados, já que não vão embora por motivo de guerra ou perseguição política. No entanto, quase sempre são acolhidos por critérios humanitários. Segundo dados do Conselho Nacional de Imigração (CNI), 73 mil haitianos se registraram no Brasil de 2012 a 2015. Só em 2015, foram quase 15 mil. O Paraná é o terceiro estado brasileiro que mais recebeu haitianos nesse período.

• Lissânder Dias,
38 anos, é jornalista e editor do blog Fatos e Correlatos. Trabalhou por quase quinze anos na Editora Ultimato. Atualmente, trabalha como assessor de reitoria da Unicesumar, em Maringá, PR.

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