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Colunas — Missão Integral

Deus ama o estrangeiro

 O mundo moderno se caracterizou, entre outras coisas, por grandes deslocamentos populacionais forçados que deixaram milhões de pessoas, incluindo menores de idade, em uma situação de completa vulnerabilidade em terra estranha. É claro que sempre houve emigrantes e imigrantes, muitos delesdesterrados, exilados ou refugiados. A diferença é a magnitude e a extensão do problema.

O Deus cuja história é narrada na Bíblia é o Deus de um povo descendente de patriarcas estrangeiros na terra de Canaã (Gn 23.4; 28.4), um povo que desde sua origem experimentou na própria carne maus-tratos por ser imigrante. Do fundador da nação, diz-se que “havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali” (Gn 12.10). Séculos depois, seus descendentes, destinados a serem tantos “como o pó da terra” (Gn 13.16), seriam submetidos a uma dura escravidão nesse mesmo país. A xenofobia de um rei que temia o que poderia acontecer se eles continuassem aumentando em número (Êx 1.9-10) foi expressa num cruel sistema de trabalhos forçados (Êx 1.11-14), paradigma dos métodos de submissão que existiram ao longo da história e se repetem hoje.

Na pedagogia de Deus com seu povo, essa experiência de viver na opressão em terra estranha serviria para gravar com fogo na consciência moral de Israel a responsabilidade de fazer justiça ao estrangeiro. A memória da escravidão no Egito vincularia a ética à história como incentivo à obediência: “O estrangeiro não afligirás, nem o oprimirás; pois estrangeiros fostes na terra do Egito” (Êx 22.21; 23.9;Lv 19.33-34). Esta premissa de igualdade entre os seres humanos faz parte da revelação de Deus que proveu a base para a vida social do povo de Israel. As tribos ou impérios vizinhos concebem a origem de seus governantes como uma relação natural ou biológica com seus deuses. Em contraste, Israel vê a si mesmo como uma nação entre outras que, como ele,provém do casal humano primigênio e em consequência compartilham a mesma humanidade. O que o diferencia dos demais povos não é sua origem, mas sima ação histórica do Deus que o escolhe e lhe dá a sua lei. Junto com os órfãos e as viúvas, os estrangeiros formam uma tríade à qual o Antigo Testamento faz referência como o objeto do cuidado especial de Deus. Para Israel, a responsabilidade com os pobres, os fracos e os indefesos, entre eles os estrangeiros, não é uma questão meramente ética, mas também teológica: tem relação com sua origem como povo de Deus. A isso aponta o credo para o dia de ação de graças segundo Deuteronômio 26.5-10.

A manifestação do poder liberador de Deus no êxodo proveu a base para a autocompreensão de Israel como o povo do pacto descendente de arameus errantes: o povo cujo senso de identidade não derivaria da posse de uma terra, mas do amor e da justiça de Deus expressos em sua lei. Deus o havia liberado da escravidão do Egito para ser seu Deus e fazer dele o seu povo. Estabelecido na terra prometida, Israel devia conservar viva a memória de sua condição de imigrante escravo e da provisão de Deus durante os longos anos de peregrinação no deserto. Entretanto, Israel se afastou da lei de Deus e rompeu o pacto: entregou-se à prática da injustiça social e da idolatria, razão pela qual se viu novamente desarraigado da terra prometida, no exílio (Am 6.1-7). De modo paradoxal, no exílio, Israel aprofunda sua consciência da soberania universal de Deus, do qual dão testemunhos vários dos profetas do Antigo Testamento.

Ao passar ao Novo Testamento, no centro do palco da história aparece Jesus, o Messias, cuja genealogia, segundo Mateus, inclui várias mulheres estrangeiras: Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba (Mt 1.3-6). Tal menção sugere, de imediato, que as boas novas de salvação são para todos, judeus e não judeus. Ao final desse Evangelho, Jesus envia seus discípulos a “todas as nações” como mensageiros do reino de Deus (Mt 28.18-20). Deus ama o estrangeiro. A autenticidade de nossa fé não é medida tanto pelo que dizemos quanto o é pelo que fazemos devido a esse amor que se fez carne em Jesus Cristo.

Traduzido por Wagner Guimarães.

• C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias , e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de Missão Integral -- O reino de Deus e a igreja. Acompanhe seu blog pessoal: kairos.org.ar/blog.

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