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Capa

A história da refugiada Agar

Depois de completar dez anos na terra de Canaã, Abraão precisa intervir em um conflito familiar muito sério. Como Sara ainda não tem filhos, seguindo um costume da época, ela sugere a Abraão que tenha relações com Agar, sua escrava egípcia, que acaba concebendo e, por isso, desprezando sua senhora. Depois de sofrer humilhação e perseguição, Agar foge por um tempo (Gn 16.1-6).

Porém, algo muito bonito acontece. Deus vai ao encontro da pobre escrava refugiada e ainda lhe faz uma grande promessa, como se lê em Gênesis 16.7-13: “Tendo-a achado o Anjo do Senhor junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur, disse-lhe: Agar, serva de Sarai, donde vens e para onde vais? Ela respondeu: Fujo da presença de Sarai, minha senhora. Então, lhe disse o Anjo do Senhor: Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas mãos. Disse-lhe mais o Anjo do Senhor: Multiplicarei sobremodo a tua descendência, de maneira que, por numerosa, não será contada. Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: Concebeste e darás à luz um filho, a quem chamarás Ismael, porque o Senhor te acudiu na tua aflição. Ele será, entre os homens, como um jumento selvagem; a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará fronteiro a todos os seus irmãos. Então, ela invocou o nome do Senhor, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?”.

Essas duas perguntas feitas pelo Anjo do Senhor devem ecoar na mente e no coração de todo refugiado até os dias de hoje: “Donde vens e para onde vais?”. Desde Adão, Deus está sempre fazendo as perguntas certas.

Mas há refugiados que não saberiam responder a essas duas perguntas: são os apátridas. Estima-se que haja 12 milhões de apátridas no mundo hoje, pessoas que nasceram nas fronteiras e não possuem documentação: “Apesar de estarem vivendo por gerações em algum país, oficialmente não existem em nenhum lugar. São pessoas sem nacionalidade”.1 Elas não têm noção exata de pertencimento e carregam consigo problemas de identidade.

Será que Agar sabia de onde tinha vindo? Ela viera do Egito, depois de Canaã, da pequena tenda ao lado da tenda de Sara. Em sua fuga desesperada, sabia ela para onde estava indo? Com certeza, não sabia. Podia responder à primeira pergunta, mas não à segunda -- como muitos dos refugiados de hoje, que não têm permissão de residência em diversos países.

Contudo, o texto nos mostra uma nova Agar depois de seu encontro com Deus, totalmente transformada. Agora ela carrega consigo mais certezas do que incertezas: ela sabe que deve voltar à sua senhora, por ordem do Senhor; sabe que terá muitos descendentes, por uma promessa do Senhor; e sabe que Deus é com ela, por uma visão do Senhor: “Tu és Deus que vê [...]; Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?” (Gn 16.13). Agar foi desprezada por sua senhora, mas nunca pelo seu Senhor (com “S” maiúsculo). A bênção de Deus é inclusiva -- se estende aos povos do deserto, aos “filhos da outra”, aos desprezados refugiados deste mundo.

Mas Agar retorna à situação de refugiada alguns anos depois. Sara já tinha tido o filho da promessa. Ismael, agora adolescente, caçoava do pequeno meio-irmão Isaque, com uns três anos de idade. A mãe de Isaque, enciumada e temerosa por ter que dividir a herança do filho com o “filho da escrava”, pede a Abraão que os mande embora. Mesmo com dor no coração, Abraão se levanta de madrugada e dá a Agar comida e um odre cheio de água, coloca o menino nos ombros dela e ordena que se vão. E Agar segue sem direção pelo deserto de Berseba. Novamente ela não faz ideia de para onde está indo.

A água acaba, Agar deixa Ismael sob a sombra de uma arvorezinha e se distancia cerca de 100 metros, pois não suportará ver o menino morrer. Ele chora. Deus ouve o seu choro e do céu o Anjo de Deus declara a Agar: “Não tenha medo, pois Deus ouviu o choro do menino. Vamos! Levante o menino e pegue-o pela mão. Eu farei dos seus descendentes uma grande nação” (Gn 21.17-18, NTLH).

É a mesma promessa feita na fuga anterior. Mas agora ela e Ismael não devem voltar para trás. Passam a morar no deserto de Parã. Protegido e sustentado por Deus, o menino cresce e se torna um bom atirador de flechas.

Isso nos lembra o número de crianças envolvidas na atual crise de refugiados, que é alarmante. (Veja infográfico nas páginas 44-45.) Como Ismael, elas choram e seus pais sofrem como sofreu Agar. Mas Deus continua ouvindo o choro desses meninos e meninas.

Assim como viu Agar, Deus está vendo os refugiados de hoje, está ciente de suas lutas e pronto para acudi-los na hora da aflição. Isso levanta uma reflexão: Como vamos transmitir a eles esta mensagem do amor de Deus? Como seremos a resposta de Deus às preces deles?

Nota
1. “Unidade de Informação Pública”, UNHCR/ACNUR. www.acnur.org/t3/fileadmin/Documentos/portugues/eventos/Apatridia_no_mundo.pdf?view=1. Acesso em 13 nov. 2014.

• Délnia Bastos, casada, três filhos, é assessora da missão Interserve no Brasil.

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