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A leitura de uma história bíblica sob a ótica dos reformadores

Um bom fotógrafo observa algo que tendemos a esquecer quando lemos a Bíblia: antes de tirar uma foto, ele busca o melhor ângulo para retratar a paisagem. Da mesma forma, devemos aprender a nos posicionar adequadamente para captar o que Deus nos quer transmitir.

O episódio da mulher adúltera em João 8.1-11 ilustra bem a importância da nossa perspectiva na leitura da Bíblia, uma vez que já o seu título nos torna tendenciosos. Sem dúvida, é legítimo alguém exposto publicamente em seu pecado identificar-se com a mulher flagrada. Mas o leitor “normal” da Bíblia não está nessa situação. Por isso sente pena da mulher e despreza seus acusadores. Mas ao fazer isso ele se ilude, pois na narrativa não há uma plateia a observar a cena. Assim, só lhe resta identificar-se com os que queriam apedrejar a mulher.

O título da narrativa, então, deveria ser “Apedrejadores piedosos vão a Jesus” e ilustraria a advertência de Jesus: “Não julguem para que vocês não sejam julgados. […] Por que você repara o cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?” (Mt 7.1s).

Leia com vagar João 8.1-11 e veja o que Deus quer ensinar!

V. 1-6a: Por que estudiosos da Bíblia e fariseus piedosos interromperam Jesus enquanto ele ensinava? Por que expuseram tão ostensivamente aquela mulher?

Jesus era conhecido por conviver com publicanos e pecadores. Consentira até com o gesto escandaloso de uma prostituta que lhe ungiu os pés com lágrimas e os secou com seus cabelos (Lc 7.36s.). Mas seus adversários não dispunham de prova consistente de que ele transgredia a lei. Por isso Nicodemos havia criticado a ilegalidade da tentativa fracassada de prender Jesus (Jo 7.32, 44-51).

Pois bem, na falta de uma prova juridicamente válida, trataram de produzir uma. Arrastaram a mulher flagrada para onde Jesus ensinava, perguntando: “Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz?”. Enfim, a lei que Deus deu, vale ou não vale?

V. 6b-7:
Jesus, que estava sentado, curvou-se e começou a escrever na areia!
O que ele escreveu? -- Com certeza não ficou a rabiscar o que não fizesse sentido. Jesus tinha, sim, propósito em seu gesto! Fora questionado se a lei valia ou não. Ao escrever com o dedo no chão, ele lembrava seus questionadores que as “tábuas de pedra” com os Dez Mandamentos foram “escritas pelo dedo de Deus” (Êx 31.18; Dt 9.10). Imagino que tenha escrito seis letras em hebraico: “Não adulterarás”, expressando que a Lei dada a Moisés continuava em vigor e que toda infração seria punida. Diante da insistência, Jesus arrematou que o papel de juiz caberia somente a quem não tivesse pecado!

V. 8s: Depois Jesus voltou a escrever pela segunda vez no chão. Os seus adversários sabiam que o dedo de Deus também escreve juízos -- o profeta Daniel relata como a sentença do rei fora escrita na parede do palácio (Dn 5.5-6). Conheciam a profecia de que “aqueles que se desviaram de ti [de Deus] terão os seus nomes escritos no pó” (Jr 17.13).

Não sabemos o que Jesus escreveu. Em todo caso, foi algo que fez os “apedrejadores piedosos” entenderem que Jesus conhecia o pecado deles. -- Imagine-se parado no meio deles: que nome ou atitude, que situação ou pensamento seus Jesus deveria escrever para lembrá-lo do seu pecado?

Os mais velhos foram os primeiros a entender que Jesus os colocava diante de uma escolha: ou admitiam o seu próprio pecado, colocando-se ao lado da mulher, ou saíam furtivamente de cena.

Não é chocante constatar que pessoas que estudavam a Bíblia e que se empenhavam em segui-la, todas fizeram a segunda opção?

Foram embora, um após o outro; não ousaram expor-se à luz da graça. Preferiram continuar a fachada piedosa e ocultar-se nas trevas solitárias do pecado.

Uma peculiaridade da atitude de Jesus chama a atenção. Os “apedrejadores piedosos” expuseram a mulher grosseira e brutalmente. Jesus, no entanto, os confrontou delicadamente em suas consciências. Não os expôs publicamente e, com isso, não se impôs, mas lhes deu a oportunidade de esquivar-se e rejeitar a sua ajuda.

V. 10s: Por fim a mulher ficou sozinha diante de Jesus. Respondeu à pergunta do Mestre e este lhe disse, então: “Eu também não a condeno”. Observe a abismal diferença entre os “apedrejadores piedosos” e Jesus em não a condenar. Estes não podiam fazê-lo por serem pecadores; Jesus, por não ter pecado. Ele graciosamente tomou sobre si a culpa dela e a presenteou com sua santidade! Essa “permuta feliz” (Lutero) possibilitou uma vida transformada para aquela mulher: em gratidão pelo perdão recebido, ela podia recomeçar a ensaiar obediência.

Nesta reflexão, relembramos o ensino dos reformadores: a Escritura aponta para Jesus Cristo, cuja acolhida graciosa recebemos pela fé que confia somente nele.

• Martin Weingaertner, nascido em Santa Catarina, em 1949, é professor na Faculdade de Teologia Evangélica em Curitiba (FATEV). Seu casamento com Ursula foi abençoado com cinco filhos e nove netos.

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