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Colunas — Ponto Final

Sola gratia

Rubem Amorese

Estão em pauta os “5 solas” da Reforma Protestante, que está completando 500 anos: “sola fide” (somente a fé), “sola Scriptura” (somente a Escritura), “solus Christus” (somente Cristo), “sola gratia” (somente a graça) e “soli Deo gloria” (glória somente a Deus). Gostaria de pensar no sola gratia a partir da parábola do “Credor Incompassivo”. Ei-la:

Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.
Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.
Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão (Mt 18.23-35).

Estamos, aqui, aprendendo de Jesus. Não é o ensino de um apóstolo ou de um teólogo famoso. É de Jesus.

Jesus conta de um senhor que se compadeceu de seu servo e esperava que este agisse de igual modo. Não vendo nele nem gratidão nem compaixão, reformou sua sentença para a pena original. E concluiu dizendo que, se não perdoarmos aos nossos irmãos, também o Pai celeste não nos perdoará.

Os ingredientes principais dessa parábola são “dívida” (significando pecado), “perdão”, “súplica” (contrição) e “compaixão” (arrependimento).

Vemos o devedor reconhecer a dívida como forma de antecipadamente dar razão ao credor (Sl 51.4). O que se seguirá a esse gesto humilde será ou a execução da cobrança ou a paciência do credor. Mas a surpresa acontece na forma de graça inesperada: a dívida impagável é integralmente perdoada.

Entretanto, por que Jesus inseriu a súplica e a compaixão no enredo? E nos diz que o senhor teve compaixão “porque me suplicaste”? De que modo essa súplica terá movido o coração daquele senhor? Confesso que não sei. Mas sei que não devemos suprimir esses elementos do ensino, como se o resumo da história fosse um perdão genérico; que o senhor o perdoaria de qualquer modo. Não podemos adaptar a parábola à nossa teologia.

Jesus nos mostra que súplica e compaixão não são a mesma coisa. E que o Senhor busca entre aqueles que amam a compaixão como sinal de arrependimento e, secundariamente, a súplica como sinal de contrição. Não penso nelas como condições para a graça, mas, talvez, como ingredientes dessa complexa e maravilhosa realidade.

• Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. Foi professor na Faculdade Teológica Batista por vinte anos e também consultor legislativo no Senado Federal. É autor de, entre outros, Fábrica de Missionários e Ponto Final. Acompanhe seu blog pessoal: ultimato.com.br/sites/amorese.

Leia mais
Versão ampliada do artigo “Sola gratia”
Canção “Intimidade”

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