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Colunas — Ponto Final

A palavra da fé

Rubem Amorese

 

Imagino que não foi sem muita luta que Martinho Lutero chegou à sua formulação sobre a fé como elemento essencial para a salvação. Refiro-me a uma luta em particular: aquela que envolveu o discernimento do alcance e dos limites daquele elemento no processo de conversão. Também, é claro, sua presença fundamental no caminho estreito a ser trilhado, uma vez tendo entrado pela Porta.

 

Conta a história que ele precisou aprofundar-se no estudo da carta de Paulo aos Romanos, ao ser convidado a dar aulas sobre ela. E fico imaginando sua dificuldade em compreender, a partir do contexto histórico em que viveu, algumas expressões do apóstolo.

 

Certamente não foram claros, no início, alguns conceitos paulinos como justiça de Deus, justificação pela fé e graça. Ao tentar colocar-me no lugar de Lutero, percebo como lhe deve ter sido nova e perturbadora a ideia de um Deus que justifica o ímpio, pagando, ele mesmo, no sangue de seu Filho unigênito, o preço do resgate. E nada mais deixando a ser feito, senão o gesto de apropriação que o coração e a boca devem executar ao exercer a fé.

 

Mas como? Como se desenvolve essa justiça-processo que justifica (sentencia como justo) o ímpio, ao satisfazer a uma justiça que se apresenta como escrito de dívida? Se não é por meio da compra de títulos de indulgência -- pensaria nosso monge agostiniano --, se não é por meio de sacrifícios, de penitências ou autoflagelações, então como será? De graça?!

 

De fato, Lutero lutou com o conceito da graça: uma dádiva que não saiu de graça ao Credor. Custou-lhe a vida de seu Filho para, agora, ser oferecida gratuitamente a todos -- judeus e gregos. Entretanto, surpreendentemente, ela não salva a todos de maneira indistinta; somente aquele que crê. Assim ele lia, atônito, do apóstolo Paulo: Porque o evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16).

 

Ao se aprofundar nos ensinos da carta, ele se depara com uma espécie de pedra fundamental: “a palavra da fé”. Como que um ferro em brasa, para marcar corações e bocas. E Lutero lê Romanos 10.8-10:

A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; “esta é a palavra da fé”, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação (grifo meu).

 

“Duas condições para a salvação”, concluiria o monge. “As duas envolvem certa ‘palavra’. Uma se realiza no coração e a outra se profere com a boca. Paulo deve estar aludindo ao ensino de Jesus, quando disse que a boca fala do que está cheio o coração.”

Parecem dois movimentos harmônicos, destinados a produzir um efeito de validação espiritual. A “palavra”, aqui, traz para o plano da existência um movimento da alma em direção ao evangelho; movimento pelo qual me aproprio daquilo que ele me revela. E eu, simplesmente, creio! Um gesto tão forte, tão integral, tão existencial, que do coração transborda pela boca em confissão.

 

Se pudesse traduzir em palavras, resumidamente, esse movimento da fé, eu diria que, lá dentro, o coração diria, diante de Deus, em relação ao evangelho: “Isso é meu”. Ato contínuo, a boca elaboraria um pouco mais e confessaria: “Agora, isso sou eu”.

E do céu, aquele que sonda os corações sancionaria esse ato como sendo eternamente válido: “Hoje houve salvação nesta casa”.

 

Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. Foi professor na Faculdade Teológica Batista por vinte anos e também consultor legislativo no Senado Federal. É autor de, entre outros, Fábrica de Missionários e Ponto Final. Acompanhe seu blog pessoal: ultimato.com.br/sites/amorese.

 

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