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Colunas — Redescobrindo a Palavra de Deus

Não foi Deus!

Valdir Steuernagel

 

A carta imaginária na página ao lado está baseada no relato de Mateus 2.13-22, que é, para mim, um dos textos mais difíceis da Bíblia. Do encontro com ele nascem perguntas sem respostas, especialmente acerca da presença e do agir de Deus. Enquanto convivo e reflito com elas, algumas coisas me vêm ao coração.

Quem matou as crianças foi Herodes e não Deus. Deus não faz isso. Ele quer que todas as crianças sobrevivam, como aconteceu com o seu filho Jesus. E chora com Raquel pelos filhos que Herodes matou.

O menino Jesus, que escapou desta matança, veio a ser morto pelo estado político e religioso anos mais tarde. Então, Maria chorou a sua morte, assim como Raquel fizera antes pelos seus filhos pequenos.

Enquanto “alguns Herodes” matam os que se constituem ameaça para eles, Deus continua libertando e curando as pessoas, como o próprio Jesus declarou. (Compare Mt 2.13 e Lc 13.32.)

Eu suplico a Deus que nos ajude a crer que os seus anjos estão ao nosso redor apontando caminhos que levem à vida; e que nunca deixemos de vê-los nem de ouvi-los, sempre obedecendo à voz que vem do Deus da vida.

Há muitas maneiras de “ser Herodes” hoje: nas estruturas de governo, na cúpula de bancos e indústrias, em instituições e em igrejas, na indústria da exploração das drogas, do sexo e das crianças e até em nossas próprias casas e vizinhanças.

Quando somos Herodes?

Quando pais usam os seus filhos como seus troféus de afirmação de poder e riqueza.

Quando os nossos sistemas exigem que as crianças trabalhem para produzir quando deveriam brincar e se divertir.

Quando sistemas de governo privilegiam o grande capital em lugar da saúde e da educação na sociedade, especialmente nos lugares mais carentes.

Quando estruturas de produção e consumo de droga e a indústria do sexo usam crianças como “mulas” ou como objetos de satisfação sexual.

Quando campanhas políticas poluem a periferia da sociedade com promessas enganosas.

Quando dinheiro público destinado a escolas e hospitais é desviado para contas pessoais no exterior, alimentação de caixa 2 de campanhas políticas ou mesmo “contribuições contabilizadas” para partidos políticos.

Quando estruturas de poder buscam sua autossustentação de forma sistemática e descarada como se vê em tanto do nosso atual e vergonhoso Congresso Nacional.

Que Deus nos dê a graça de nunca sermos Herodes, buscando o poder a qualquer preço e para proveito próprio. E que ele nos dê a coragem para denunciar “os Herodes” que se contrapõem às expressões de vida em nossa sociedade e ao estabelecimento do reino de Deus aqui na terra.

 

Mateus 2.13-23

Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e disse-lhe: “Levante-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o Egito. Fique lá até que eu lhe diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo”.

Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe, durante a noite, e partiu para o Egito, onde ficou até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu filho”.

Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos. Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias: “Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem”.

Depois que Herodes morreu, um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse: “Levante-se, tome o menino e sua mãe, e vá para a terra de Israel, pois estão mortos os que procuravam tirar a vida do menino”.

Ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. Mas, ao ouvir que Arquelau estava reinando na Judeia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Tendo sido avisado em sonho, retirou-se para a região da Galileia e foi viver numa cidade chamada Nazaré. Assim cumpriu-se o que fora dito pelos profetas: “Ele será chamado Nazareno”.

 

Minha querida Maria,

Já faz umas semanas que eu saí daí e estou com muita saudade de você e das crianças. É muito ruim estar sozinho sem vocês, como agora. Eu nem consigo comer e dormir direito, de tanta saudade. Olho no espelho e vejo a minha barba desajeitada, o colarinho torto... Parece que longe de você eu fico mais velho.

Mas eu tinha de vir. Precisava achar um lugar para a gente morar. Já passamos vários anos no Egito e é hora de voltar para a nossa terra, mesmo sabendo que vai ser difícil recomeçar a vida aqui em Israel. Gente pobre como nós não encontra trabalho fácil e isso pode demorar.

Mas, Maria, não podemos esquecer que, nestes últimos anos, a nossa vida foi muito marcada por visita de anjos. Eles vêm e anunciam coisas impossíveis que produzem em nossa vida uma ruptura jamais imaginada. Mas, como você diz, Deus tem sido muito bom conosco. Ele tem nos sustentado e honrado de uma forma intensa, fiel e bonita. Isso não dá para esquecer jamais!

Desculpe-me por falar tanto, Maria. Acho que a saudade me faz falar mais do que quando estou em casa, onde você me cutuca por estar muito quieto. Quem costuma falar é você... Mas a saudade parece soltar a minha língua, ou melhor, a minha mão, a rabiscar desajeitadamente coisas que, espero, você irá entender.

Mas tem mais uma coisa que eu preciso contar. Agora estou em Belém, de onde saímos correndo poucos anos atrás. Você nem imagina o que aconteceu por aqui. É inacreditável! Os meus temores se tornaram realidade. Ainda pior, nem os meus piores temores poderiam imaginar a crueldade da realidade. Lembra como saímos daqui assustados e orientados? Assustados com as coisas que envolveram o nascimento de Jesus, o nosso filho mais velho, e orientados pelo anjo para que fugíssemos para o Egito o mais rápido possível. E foi o que fizemos, pois havíamos aprendido que quando um anjo fala a gente obedece; e o nosso coração tremeu ao saber que aquele Herodes, do qual nunca gostamos, queria matar a criança.

E assim fugimos. O menino sobreviveu e nós, vivendo no Egito, sabíamos muito pouco do que acontecia por aqui. Pois não é que aquele desgraçado veio atrás de nós, completamente louco? É assustador quando os poderosos ficam loucos! E Herodes foi o pior de todos, pois fez o que a gente nem consegue imaginar. Quando ele percebeu que nós havíamos escapado, mandou seus soldados brutamontes para cá com a ordem explícita de matar todos os meninos com menos de dois anos desta região. Ah, Maria! Ainda bem que você não veio comigo, pois o seu coração não iria parar de sangrar e ninguém ia conseguir enxugar suas lágrimas. Mas é isso que se vê aqui: em toda parte, corações partidos e lágrimas que correm sem parar. Uma palavra dos nossos profetas tornou-se viva nos corações das pessoas, nas conversas de esquina e em nossas sinagogas: “Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem” (Mt 2.18).

Eu sei, Maria, que carta não é o melhor lugar pra falar dessas coisas. Mas o meu coração apertado precisava falar com alguém e esse alguém é você. Eu não consigo dormir. E quase não dei conta de ir à sinagoga, como tanto gostávamos. Não me sai da cabeça que Herodes matou todos os meninos daqui porque queria matar o nosso menino! O anjo de Deus nos avisou e a gente escapou; mas por que ele não fez o mesmo com as outras mães que agora choram a falta de seus filhos? Por que Deus deixou acontecer isso e não fez alguma coisa? E nós, Maria, a gente tem culpa nisso tudo? Maria escapou com o seu filho nos braços enquanto “as Raquéis” choram os seus braços vazios e indagam por quê!

Amanhã cedo eu sigo adiante. Decidi que não vamos morar nas redondezas de Belém. Fiquei com medo, pois reina aqui o filho daquele assassino. Vou para Nazaré, de onde saímos quando você ainda estava grávida de Jesus. Lá temos os nossos familiares e eu vou conseguir arrumar trabalho e a gente vai poder se instalar e cuidar dos nossos filhos – coisa que as mães daqui não podem mais fazer, por causa daquele miserável Herodes. Ainda bem que ele já morreu, e morreu tarde! Eu sigo caminho, com muita raiva dele, desses governantes que nos querem matar e não ajudar a viver. E com perguntas acerca de Deus, que parece tão ausente de situações nas quais gostaríamos que agisse com mão forte.

Mas não se preocupe, Maria, eu ainda sou crente e a gente vai conversar e orar muito sobre estas coisas. Sigo caminho na esperança de que esta carta chegue às suas mãos antes de eu voltar para arrumarmos a trouxa e retornarmos à nossa terra.

Com saudade,

José, o carpinteiro de Nazaré

 Valdir Steuernagel é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba, PR. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial. 

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