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Colunas — Redescobrindo a Palavra de Deus

“#É a graça, estúpido!”

Valdir Steuernagel

 

Há uma famosa expressão usada por Bill Clinton em sua campanha pela presidência dos Estados Unidos nos anos 90: “It’s the economy, stupid!” (É a economia, estúpido!). Usada num momento de recessão, a expressão foi um sucesso.

 

Aqui, eu me permito parafrasear para dizer “#É a graça, estúpido!”.

 

A graça está no cerne da nossa fé e sem ela acabamos com uma religião meritória. A graça é igualmente central em nossa vida. Sem ela somos acantonados em nossos becos sem saída e fadados a nossos gritos sem resposta. Deus fala sério quando diz a Paulo: “A minha graça é suficiente para você”; e Paulo aceita e integra isso a sua vida e ministério. Ele aprende a reconhecer a sua fragilidade e suas fraquezas e a admitir que é nelas que Deus age e se manifesta como o Deus da graça (2Co 12.9).

 

A graça de Deus é tão central e tão preciosa que nos custa uma vida para aceitá-la, pois estamos sempre querendo negociar com Deus. Vivemos tentando descaracterizá-la para poder manipulá-la. Bonhoeffer diz que a graça de Deus é preciosa e nós somos sempre tentados a transformá-la em graça barata. Em seu livro sobre o discipulado, ele diz que a graça é preciosa por ter custado a Deus o seu próprio Filho. E ela nos custa a vida enquanto Deus nos dá, por meio dela, a única verdadeira vida. Ela é graça barata quando é exposta no mercado como um mero produto, quando é anunciada como perdão sem arrependimento, comunhão sem confissão, quando se anuncia graça sem discipulado, sem cruz e sem Jesus Cristo.

 

Para reencontrar-nos com a beleza dessa graça preciosa e manter-nos alertas contra a tentação de com ela brincar, voltamos ao relato da “menina sem nome” (2Reis 5), que tem sido o foco desta coluna nas últimas edições.

 

Há esperança na tragédia!

 

A Menina Sem Nome era escrava. Vítima de uma guerra na qual o exército sírio invadiu o seu povo e a levou cativa, ela foi parar no palácio do comandante do exército conquistador. Porém, quando ele é acometido de uma avassaladora lepra, a menina se torna mensageira de uma esperança inusitada: “Se o meu senhor procurasse o profeta que está em Samaria, ele o curaria da lepra” (v. 3).

 

De forma surpreendente, a sugestão é aceita e o comandante Naamã vai em busca do tal profeta. E desse encontro sai curado da lepra e anunciando a sua conversão: “Agora sei que não há Deus em nenhum outro lugar, senão em Israel. Por favor, aceita um presente do teu servo” (v. 15).

 

Uma experiência única e indescritível. Um misterioso milagre que só Deus é capaz de fazer. Um milagre no qual uma menina escrava e um conhecido profeta são instrumentos de Deus para que um leproso encontre cura e o poderoso comandante inimigo encontre um Deus em quem pode confiar, a quem pode se entregar e a quem passa a adorar. E tudo isso acontece por pura graça. Por isso, diante da insistência de Naamã em pagar pelo milagre ou, pelo menos, presentear o profeta como sinal de gratidão, este permanece firme: “Juro pelo nome do Senhor, a quem sirvo, que nada aceitarei”. Embora Naamã insistisse, ele recusou (v. 16).

 

Naamã volta para casa trazendo consigo todos os presentes que havia levado. Entretanto, volta com mais que isso: sua lepra está curada e sua pele, renovada. E mais: encontrou-se com o Deus verdadeiro, experimentou a sua graça e descobriu que nada precisaria dar em troca. Ele é o Deus da graça e esta basta, como Paulo descobriria tempos depois. 

 

Nem todos, porém, ficaram satisfeitos com esta história.

 

“Meu Senhor foi bom demais para Naamã (v. 20).

 

Enquanto Naamã, curado e transformado, está a caminho de casa, uma semente vai germinando no coração de Geazi, o servo do profeta. Ele havia testemunhado tudo, estupefato. Um leproso ser curado era coisa de outro mundo. Coisa de Deus intermediada por um homem de Deus.

 

No entanto, o que ele não consegue entender nem aceitar é que o profeta despeça esse ricaço com um simples “vá em paz”. Ali há ouro, prata e roupa de marca; e tudo vai embora assim como veio, e eles continuarão comendo pão velho e usando roupa barata? Geazi vislumbra uma mesa mais farta, um guarda-roupa mais decente... E, logo depois, sai correndo atrás de Naamã com o “recado”: “O meu senhor enviou-me para dizer que dois jovens, discípulos dos profetas, acabaram de chegar, vindos dos montes de Efraim. Por favor, dê-lhes 35 quilos de prata e duas mudas de roupas finas” (v. 22).

 

É tudo invenção, mas a coisa funciona. Ele recebe mais do que pediu e, ao voltar para casa, esconde tudo e vai se encontrar com o profeta como se nada tivesse acontecido. Todavia, o que ele não desconfia é que o profeta tem os olhos de Deus e traz à luz o que Geazi pensava poder esconder: “Você acha que eu não estava com você em espírito quando o homem desceu da carruagem para encontrar-se com você? Este não era o momento de aceitar prata nem roupas, nem de cobiçar olivais, vinhas, ovelhas, bois, servos e servas. Por isso, a lepra de Naamã atingirá você e os seus descendentes para sempre”. Então Geazi saiu da presença de Eliseu já leproso, parecendo neve (v. 26-27).

Que fim assustador! O relato começa com uma menina escrava que está em sintonia com o coração de Deus e termina com um servo de profeta que não entende a graça de Deus, pensa que a pode desviar para benefício próprio e acaba tendo o próprio corpo tomado pela doença da qual o estrangeiro Naamã se livrou pela graça. O ouro, a prata e a roupa cara que escondeu permanecerão como testemunhas de sua lógica egoísta, mentirosa e fatal. Agora, o leproso é ele. Pobre Geazi! Tão mais rico e tão mais pobre!

 

“#É a graça, estúpido!” Com Deus não se negocia e a Deus não se engana. E não é apenas Geazi que precisa ouvir isso.

 

Valdir Steuernagel é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba, PR. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial.

 
***

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