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Literatura e cultura

Gladir Cabral

 

O preço da liberdade: “Bartleby, o Escrivão”, de Herman Melville

 

“Prefiro não fazer” -- assim responde Bartleby ao seu patrão, sempre que recebe uma ordem para conferir o trabalho já feito como funcionário copista de um escritório de advocacia de Wall Street em meados do século 19.

 

Bartleby, o Escrivão, de autoria de Herman Melville, traz a história de um homem recentemente contratado para trabalhar como copista num escritório de advocacia. O narrador é um experiente advogado cuja vida rotineira é perturbada pela contratação desse novo funcionário, cuja função seria copiar e conferir uma série de documentos importantes e tediosos relacionados a proprietários de terras, hipotecas, testamentos etc.

Até aí nada de especial, a não ser pelo simples fato de que Bartleby, quando solicitado a fazer algum serviço, responde impassível: “Eu prefiro não fazer”. Ele não diz não quero, não posso, recuso-me a fazer, mas um simples e desconcertante “prefiro não fazer”. E nessa calma decidida e renitente, Bartleby vai irritando as pessoas ao redor, primeiro seu patrão e, logo depois, seus colegas de ofício.

 

O conto, publicado pela primeira vez em 1853, é um dos mais apreciados e debatidos na atualidade. Giorgio Agamben, ao comentá-lo, observa que a mais plena forma de liberdade se mostra não apenas quando se é livre para fazer algo, mas quando, podendo fazê-lo, não se faz. Nesse sentido mais pleno de potência é o pianista que pode tocar uma peça de Chopin e não o faz, por exemplo.

 

Bartleby agarra-se à sua liberdade de não ação como uma forma de crítica à sociedade que o cerca e suas tarefas rotineiras, seus valores mesquinhos, suas instituições falidas.

Perplexo com o comportamento de Bartleby e tentando compreendê-lo, o narrador consulta algumas obras teológicas que propunham uma reflexão sobre a liberdade humana: “O Livre Arbítrio”, de Jonathan Edwards, e “The Doctrine of Philosophical Necessity” (A Doutrina da Necessidade Filosófica), de Joseph Priestley. Acaba por entender que o sentido da própria vida é proteger e abrigar esse homem extraviado.

O narrador está diante de um conflito moral e ético, pois se vê na obrigação de livrar-se de Bartleby, embora reconheça sua grande honestidade, e misteriosa e teimosa posição. Deve agir de modo prudente como patrão, mantendo a autoridade e o controle da situação no escritório ao despedir Bartleby, ou agir com amor cristão e mantê-lo no ofício, ainda que a custo de sua paciência e produtividade?

 

O conto reflete sobre o alto preço da liberdade de Bartleby: demissão, despejo, fome, prisão e eventualmente a morte. Ele paga com a vida a ousadia de sua liberdade.

 

 

Gladir Cabral é pastor, músico e professor de letras na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Acompanhe o seu blog pessoal.

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