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Colunas — --

A Proposta Política da Cruz

Bráulia Ribeiro

 

Porque eu tenho valor, o que faço tem valor. Não é o que faço que me atribui valor, mas o contrário.

 

Em um domingo cantávamos o hino “Amazing Grace” na igrejinha que frequento. Por um momento olhei para a congregação multicolorida e multinacional reunida ali. Não éramos muitos, trinta no máximo. A equipe de louvor desencontrada, o órgão eletrônico lento e a jovem que cantava nervosa, rápida demais. Mas os rostos contritos, as lágrimas, as coreografias que alguns faziam com as mãos, outros com o corpo revelavam uma convicção profunda da realidade expressa pelo hino. Estávamos todos ao pé da cruz.

 

Neste momento o Senhor falou comigo sobre a importância política da cruz. Política, como assim? Ao pensarmos em cruz, pensamos nos seus efeitos no mundo espiritual, certo? Não. Deixe-me explicar. Estou trabalhando numa pesquisa sobre as características da leitura que a nova geração de evangélicos faz da Bíblia, e uma das coisas mais desencorajadoras que percebi é que lemos a Bíblia com uma lente extremamente subjetiva. A cruz certamente significa salvação, remissão de pecados e a experiência pessoal de perdão. Mas tem mais. A cruz gera em nós e na sociedade que olha para ela resultados que podem ser medidos em termos objetivos.

 

A história nos mostra que os países de origem protestante, os quais têm a salvação pessoal como centro nervoso de sua teologia, por implicação direta construíram sociedades que têm no valor do indivíduo a sua pedra fundamental. Este valor atribuído ao indivíduo tem implicações sócio-políticas profundas.

 

Porque eu tenho valor, o que faço tem valor. Portanto, a primeira implicação é a vitória contra o niilismo. Não é o que faço que me atribui valor, mas o contrário. Tudo o que vou produzir na vida carrega a semente do valor divino porque eu estou fazendo. Não existe vida ociosa, não existe trabalho menor. Se sou um lixeiro, sou o melhor lixeiro, porque sou eu que atribuo importância à tarefa que desempenho e não o contrário.

Outra implicação é a liberdade. Porque tenho valor, sou inerentemente livre, qualquer coisa que queira me escravizar ou diminuir meu potencial de produzir o bem não pode ser legitimada socialmente. A liberdade é um dom espiritual de Deus, não é uma conquista, não é algo que o Estado me dá, mas é o se encontrar humano diante da cruz, com valor individual intrínseco.  

 

Ao pé da cruz também tenho consciência individual plena. Sei quem eu sou. Sinto-me amado, mas ao mesmo tempo tudo o que eu fiz de errado está diante de mim, sou plenamente responsável por meus erros. Ao pé da cruz não tenho desculpas. Meus problemas pessoais não são culpa do governo, da minha liderança, minha família. Quando estou diante da cruz a minha raça, cor da pele, gênero ou classe social não me servem de desculpa. Não importa como fui tratado, as micro ou macroagressões que sofri, ou como a minoria cultural a que pertenço é percebida na sociedade. Porque Deus me atribui valor e me coroa com liberdade, diante da cruz o que importa são minhas escolhas, minha resposta a ele. Diante da cruz o que importa é meu arrependimento, a graça e o perdão que recebo. Não existem políticas públicas suficientes no mundo que tenham o poder de cura da sua graça infinita. Não existe governo poderoso o suficiente para gerar em mim o que um simples olhar para a cruz é capaz de me dar.

 

As colônias britânicas na América, no século 18, começaram a ter as suas raízes sociais elitistas minadas quando o evangelista George Whitefield viajava pela costa leste liderando grandes reuniões de avivamento. As reuniões de Whitefield congregavam pessoas de todas as classes sociais, escravos, senhores, ricos e pobres, mulheres e homens. A religião antes elitizada pela aristocracia de Virgínia, nas palavras de Whitefield se fazia compreendida e acessível e brindava os presentes com a noção de valor pessoal, liberdade e responsabilidade individual.

 

Esta consciência adquirida individualmente ao pé da cruz se tornou rapidamente o senso comum, ou a pressuposição fundamental sobre a qual nasceu a sociedade americana, que é certamente a experiência social mais bem-sucedida da história humana.

Da próxima vez que você olhar para uma igreja a chorar pelo perdão ao pé da cruz, saiba que o fruto desse choro é com certeza uma sociedade melhor.

 

Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona, no Havaí, com sua família, e está envolvida em projetos de tradução da Bíblia nas ilhas do Pacífico. É autora de Chamado Radical e Tem Alguém Aí em Cima?. Acompanhe seu blog pessoal.

 

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