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Colunas — Casamento e família

A conversão mais profunda

Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski



Muitos dos conflitos conjugais surgem quando cada um dos cônjuges busca a satisfação de interesses individuais e não encontra a ressonância do outro na mesma direção, ou seja, quando eu desejo a realização de algo e o outro pensa de forma distinta de mim ou não está de acordo com o que desejo.

 

A partir da leitura de Gênesis (a gênese de todas as coisas), verificamos que homem e mulher, juntos, descobrem a maravilha da intimidade. Durante o sono do homem, Deus retira um osso e um pedaço de carne próximo ao coração dele, transformando-o no corpo da mulher (Gn 2.21-23). Conforme o psiquiatra argentino Carlos Hernandéz, a formação desse novo corpo modificaria para sempre o estímulo que faz funcionar o coração do homem (da mesma forma que o estímulo do coração da mulher, que tem sua origem na carne do homem), tornando tal estímulo assimétrico -- essa assimetria na condução do estímulo cardíaco, milênios depois, seria conhecida como “emoção”.

 

A emoção é a vivência mais profunda que a atração do outro provoca em mim, é inexprimível em palavras -- às vezes se expressa em um suspiro -- e nos toma e nos encanta. No livro de Gênesis esta emoção transforma-se na primeira expressão da fala humana registrada: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada” (Gn 2.23). Esta fala se refere ao reconhecimento da mulher como ser complementar, à consequente passagem do “eu autocentrado” para o relacional e à demarcação do início do desfrutar da intimidade -- uma intimidade relacional que tem na transparência plena (Gn 2.25) o símbolo de sua essência. Neste contexto, a mulher torna-se propulsora do amor incondicional, pois, sem a presença desta mulher, o homem seria incapaz de vivenciar a dimensão relacional e o mistério do amor incondicional: ser amado pelo outro em toda a minha torpeza. Intimidade que, algumas vezes, só pode ser expressada de forma metacomunicacional, por meio do toque -- tocar o outro para comunicar algo que não se pode exprimir em palavras.

 

Esse toque, para expressar a ternura, precisa de uma “reorganização” neurofisiológica: do movimento retensivo (possessivo) para o movimento distensivo (de entrega). O movimento retensivo -- aquele que flexiona o antebraço sobre o braço e faz os dedos da mão se fecharem -- é uma construção neurológica codificada desde os tempos mais remotos da humanidade caída (do “homo coletor”, que juntava alimentos no chão e hoje é o “homo consumidor”, que junta alimentos nas prateleiras dos mercados). Para que esse movimento retensivo (em minha direção) se torne um movimento distensivo (em direção ao outro), é preciso haver uma conversão profunda, que vai contra todos os paradigmas da sociedade do consumo.

 

Enquanto foco no que o “eu autocentrado” deseja e pensa, mantenho o condicionamento retensivo (possessivo), que é um movimento gerador de tensão. Apenas quando passo ao movimento distensivo (de entrega) é que produzo relaxamento e promovo o eu relacional. Somente assim comunico a verdadeira emoção da ternura, “permitindo que a pele do outro direcione o meu toque” (Carlos Hernandez).

 

Assim, a resolução da maioria dos conflitos conjugais passa por essa conversão “mais profunda”, de nossa organização neurológica, transformando o movimento de retensão em movimento de distensão, a tensão em relaxamento, o eu autocentrado no eu relacional.

 

Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família. São autores de Pais Santos, Filhos Nem Tanto. Acompanhe o blog do casal.

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