Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — História

Fanny e Mary

Alderi Souza de Matos

 

 

O que há em comum entre a autora de mais de 8 mil hinos e a missionária heroína na África?

 

No início de 2015, transcorreu o centenário do falecimento de duas admiráveis mulheres cristãs. Elas tiveram muitas diferenças entre si, a começar de fato de que uma era americana e a outra, escocesa; uma, batista e a outra, presbiteriana; uma trabalhou na cosmopolita Nova York e a outra, no interior da África. No entanto, foram muito semelhantes em sua profunda dedicação a Cristo e nas extraordinárias contribuições que deram à causa do evangelho.

 

A mais velha das duas foi Frances Jane Crosby, mais conhecida como Fanny Crosby, nascida em Brewster, e200stado de Nova York, em 24 de março de 1820. Ela se orgulhava de ser descendente de um casal puritano que chegou a Boston em 1635. Fanny ficou cega ainda recém-nascida, porém, não obstante esta séria limitação, tornou-se notável evangelista, poetisa e compositora. Foi uma das mais prolíficas autoras de hinos em todos os tempos, tendo produzido mais de 8 mil composições. Conhecida como “a rainha dos autores de cânticos cristãos” e como “a mãe do moderno canto congregacional da América”, seus trabalhos se encontram em inúmeros hinários de muitos países.

 

Ira Sankey atribuiu em grande parte o êxito das companhas evangelísticas lideradas por ele e Dwight L. Moody aos hinos de Fanny Crosby. Como alguns editores hesitavam em ter nos seus hinários tantos hinos de uma mesma pessoa, ela utilizou quase duzentos pseudônimos em sua carreira. Muitos de seus hinos foram escritos em parceria com o seu pastor, Robert Lowry, da Igreja Batista Bíblica da 6ª Avenida, em Brooklyn, Nova York. Fanny também escreveu mais de mil poemas não religiosos e publicou quatro livros de poesia e duas apreciadas autobiografias. Ainda foi coautora de canções populares, políticas e patrióticas, bem como de cantatas sobre temas bíblicos e patrióticos.

 

A ilustre compositora também se envolveu fortemente com causas sociais, tendo auxiliado generosamente os desfavorecidos de Nova York. Foi ainda professora e conferencista. Em 1858, casou-se com Alexander van Alstyne Jr., um deficiente visual como ela. O casal teve uma filhinha que morreu pouco depois de nascer. Fanny faleceu em Bridgeport, Connecticut, no dia 12 de fevereiro de 1915, com quase 95 anos. Entre seus hinos mais cantados por gerações de crentes brasileiros estão “A Deus demos glória”, “Com tua mão segura bem a minha”, “Conta-me a história de Cristo”, “É tempo, é tempo, o Mestre está chamando já”, “Meu Senhor, sou teu, tua voz ouvi”, “Que segurança tenho em Jesus”, “Quero estar ao pé da cruz” e “Vamos nós trabalhar”.

 

Um mês antes de Fanny Crosby, faleceu Mary Mitchell Slessor, nascida em Aberdeen, Escócia, em 2 de dezembro de 1848, que se tornou uma célebre missionária na África Ocidental. Membro de uma família pobre de operários têxteis, teve uma infância difícil na cidade de Dundee e, com a morte do pai alcoólatra, precisou trabalhar arduamente para sustentar a família. Converteu-se na Igreja Presbiteriana Unida e aos 20 anos começou a trabalhar com uma missão urbana. A perda de um irmão, que a mãe desejava que fosse missionário no exterior, e a notícia da morte de David Livingstone (1873) reforçaram sua decisão de se dedicar a esse trabalho. Candidatou-se e foi aceita pela Missão de Calabar, fundada dois anos antes de seu nascimento.

 

Viajou para Calabar, na atual Nigéria, em meados de 1876, aos 27 anos. Inicialmente trabalhou como professora em uma estação missionária, enquanto aprendia a língua. Porém, seu desejo era fazer trabalho pioneiro no interior. Atingida pela malária, teve um período de férias na pátria e, ao retornar a Calabar, foi trabalhar sozinha entre a população local. Supervisionava escolas, distribuía remédios, intermediava disputas e cuidava de crianças rejeitadas. Aos domingos, atuava como pregadora itinerante nos povoados. Lutou contra práticas cruéis, como os sacrifícios humanos e a morte de gêmeos motivada por superstições. Acolhia os gêmeos rejeitados e adotou alguns deles. Vivia numa choupana de barro e se alimentava dos produtos locais, enviando para a família a maior parte de seu salário.

 

Após uma segunda licença na Escócia e a morte da mãe e de uma irmã, seguiu para Okoyong, uma região mais remota ao norte. Durante quinze anos, serviu ao povo local e foi mediadora em suas disputas, atuando como juíza para toda a região. Em 1892, tornou-se a primeira vice-consulesa britânica de Okoyong, presidindo muitas sessões oficiais de arbitragem. Embora não tenha se dedicado à plantação de igrejas, tinha a consciência de estar preparando o terreno para os missionários que viriam depois dela. No final da vida, trabalhou mais dez anos em outra região, entre o povo ibo. Morreu na sua choupana de barro em 13 de janeiro de 1915, quase quarenta anos depois de entrar na África. Por sua vida humilde, sua identificação com o povo e seu dedicado serviço cristão, tornou-se uma heroína na África e uma inspiração para muitos.

 

Fanny Crosby e Mary Slessor – duas vidas, duas personalidades, dois conjuntos de talentos, duas carreiras muito distintas, mas um desejo comum de glorificar a Deus e se doar aos outros. Depois de mortas, elas ainda nos falam (Hb 11.4).

 

Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e professor no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. É autor de “Erasmo Braga, o Protestantismo e a Sociedade Brasileira”, “A Caminhada Cristã na História” e “Fundamentos da Teologia Histórica”. Artigos de sua autoria estão disponíveis aqui.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.