Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Especial — --

Helene -- a primeira pessoa a enfrentar o desafio da Cracolândia

Uma senhora norueguesa chamada Helene Londahl, oficiala do Exército de Salvação e moradora de São Paulo, certo sábado à noitinha vendia o jornal “Brado de Guerra” nas ruas da capital bandeirante. Atravessou o largo Paissandu e entrou na rua Timbiras, um lugar suspeito naquela época. De repente, a moça solteira de 33 anos se viu, pela primeira vez, dentro de uma zona de meretrício. O vocabulário, as fisionomias, os corpos seminus, os olhares transbordantes de lascívia, a deturpação e a comercialização do sexo encheram a mente de Helene de um misto de pavor, revolta e asco. Contudo, prevaleceu um sentimento de profunda piedade pela figura universal e tão antiga da chamada “mulher perdida”. Naquela noite e naquele lugar (que hoje é a Cracolândia), Deus começou a empurrar a norueguesa para um tipo de ministério diferente e muitíssimo difícil. Ela ou aquele momento foram “a aurora do horizonte social do Brasil”.

Aproximava-se o Natal de 1936. Helene, que era salvacionista desde os 23 anos, resolveu fazer alguma coisa em favor das mulheres da rua Timbiras. Conseguiu a colaboração das senhoras da Igreja Presbiteriana Unida, cujo templo fica ali perto, na rua Helvétia, e de Maria Josefina Anderson, uma jovem brasileira de 21 anos. O plano era oferecer àquelas mulheres a oportunidade de participarem de uma mesa de guloseimas e mostrar-lhes o amor de Deus, a necessidade e a possibilidade de deixarem aquele tipo de vida. O encontro seria no salão social da igreja da rua Helvétia. Para avisá-las disso, Helene e Maria Josefina se enfiaram na rua Timbiras e fizeram cerca de trezentos convites, entre o espanto, o desprezo e o estado de embriaguez das mulheres ali residentes. No dia de Natal a mesa estava muito bem adornada e farta. As senhoras presbiterianas se perguntavam: “Elas virão?”; “Quantas?”. Por fim, chegaram quatro. Apenas quatro. Sentaram-se à mesa e foram servidas com amor. Enquanto participavam, desenvolveu-se um pequeno e bem organizado programa espiritual, com cânticos e leitura da Bíblia. Uma delas, de tão sensibilizada, levantou-se bruscamente e pôs-se a chorar. Helene foi ao seu auxílio e ofereceu-lhe hospedagem em seu próprio quarto, até que ela se ajeitasse. A mulher aceitou. Ficou combinado que em poucos dias a norueguesa iria buscá-la. A palavra, no entanto, foi cumprida somente pela salvacionista. A mulher da rua Timbiras não conseguiu libertar-se da rede em que fora capturada.

Em termos de frutos imediatos, o balanço de tão bela iniciativa foi melancólico. Porém, é bom saber que o Lar das Moças, do Exército de Salvação, no Bosque da Saúde, que ampara e procura erguer as mães solteiras, antes que as circunstâncias e a sociedade as tornem “mulheres da vida”, é resultado da visão e do trabalho de Helene. Inaugurado no dia 12 de fevereiro de 1938 -- um ano e alguns dias depois daquela refeição natalina --, o Lar das Moças acolheu mais de 1.300 mães solteiras nos primeiros vinte anos de sua história. Hoje o Lar foi acolhido ao projeto FloreSer, que apoia adolescentes gestantes ou que já são mães e seus familiares em situação de vulnerabilidade social, além de promover ações preventivas voltadas para adolescentes de ambos os sexos.

Depois de trabalhar dezoito anos no Brasil, a coronel Londahl tornou-se chefe do serviço social feminino na África do Sul e na Suécia, sucessivamente, até sua aposentadoria. Regressou, então, ao Brasil, doutorou-se em sociologia na Universidade de São Paulo (1967), recebeu a Medalha de Honra do Esso Brasileiro de Petróleo e a Medalha de Santo Olavo, do rei Olavo V, da Noruega. Morreu de uma trombose, no Dia das Mães de 1973 -- ela que, embora sendo solteira, era a mãe das mães solteiras!

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.