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Especial — Especial

A queda de Jerusalém pelo Império Babilônico em julho de 586 antes de Cristo e a queda de Berlim pelas forças aliadas em maio de 1945 depois de Cristo

A guerra derrama mais sangue do que qualquer outra tragédia. É uma fábrica de órfãos e viúvas, de desencanto pela vida e de traumas incuráveis. Ela tanto pode afastar a criatura do Criador (se Deus existe, por que se chegou a esse extremo?) como aproximá-la dele (nada mais resta senão Deus!). A guerra fortalece a mentira, enriquece a indústria bélica, cria heróis de papelão e coloca temporariamente uma nação sobre a outra. Ela pode ser entendida como a marreta que Deus coloca por um certo período nas mãos de uma nação para humilhar os poderosos cheios de prepotência e orgulho, como aconteceu com Nabucodonosor (Jr 51.20). Em muitos casos, a marreta vira-se contra a nação que a empunhava. Nenhum império permanece para sempre. Basta lembrar os impérios mais antigos (medo-persa, babilônico, grego e romano) e os mais recentes (britânico, alemão, japonês e soviético). Daí a pertinente pergunta: “Como pode quebrar a marreta que marretava toda a terra? Como a Babilônia se tornou o lugar mais desolador entre todas as nações?” (Jr 50.23).
 
Dois milênios e meio separam os acontecimentos em Israel, antes da queda de Jerusalém, do ocorrido na Europa antes da queda de Berlim. É oportuno lembrar algumas coincidências entre um e outro.
 

 
A desgraça que não esperávamos...
“Eu, o Senhor, aviso que vou fazer cair uma desgraça sobre eles, e eles não escaparão. E quando gritarem pedindo socorro, eu não escutarei” (Jr 11.11).
 
A Segunda Grande Guerra foi a que fez mais vítimas (55 milhões de civis e militares), a que foi mais dispendiosa (1,1 trilhão de dólares), a que envolveu mais países (49 de um lado e nove do outro), a que afetou mais pessoas e cinco dos seis continentes (Europa, África, Ásia, América e Oceania), a que arrasou mais propriedades (só na Rússia foram destruídas 17 mil cidades, 70 mil vilas, 31 mil fábricas, 84 mil escolas e 64 mil quilômetros de linha férrea), a que cometeu mais crueldades e a que vitimou um dos maiores números de populações civis (no período da guerra quase 600 mil civis alemães pereceram em consequência dos bombardeios aéreos).
 
No final da guerra, sexagenários, adolescentes e crianças de até dez anos, de ambos os sexos, foram recrutados para reforçar a defesa alemã. Treze grandes cidades da Europa e cinco da Ásia (inclusive Hiroshima) foram devastadas. Tamanha desgraça (palavra que aparece quatro vezes no capítulo 11 de Jeremias) chegou ao mundo civilizado em apenas seis anos!
 
Vai tudo bem conosco...
“Eles tratam os ferimentos de meu povo como se fossem coisa sem importância. E dizem: “Vai tudo bem”, quando na verdade tudo vai mal” (Jr 8.11).
 
A maior parte do clero protestante e católico, por sua adesão ao nazismo, declarava a mesma mensagem dos falsos profetas contemporâneos a Jeremias: “Vai tudo bem”. Diziam coisas absurdas como: “O Führer é um enviado de Deus” e os nazistas são como “presente de Deus”. O bispo Bornewasser garantiu aos jovens católicos presentes na Catedral de Trier: “De cabeças erguidas e passo firme, entramos no Terceiro Reich e estamos preparados para servi-lo com toda a força de nosso corpo e nossa alma”. Em janeiro de 1934, um comunicado dizia que “os líderes da igreja evangélica germânica afirmavam em uníssono sua fidelidade incondicional ao Terceiro Reich e a seu líder”. Alfred Rosenberg, ministro dos territórios orientais ocupados pela Alemanha, além de enfatizar a superioridade da raça ariana, desejava substituir o cristianismo por uma religião pagã alemã. Para ele, não era possível ser alemão e cristão ao mesmo tempo.
Quem mais insistia que “vai tudo bem” era a máquina governamental, graças a Joseph Goebbels, ministro de Hitler para a Cultura Popular e Propaganda. Ele era um gênio nesta área. Em 1945, no final da guerra, Goebbels ainda afirmava que “vai tudo bem”, embora os aliados estivessem bem próximos de Berlim. Estava mentindo para ele mesmo e para a nação.
 
Vamos derrubar a árvore...
“Vamos derrubar a árvore enquanto ainda está forte. Vamos matar Jeremias para que nunca mais ninguém lembre dele” (Jr 11.20).
 
Antes e durante a guerra, havia na Alemanha algumas “árvores” cheias de vigor que não concordavam com os sonhos de Hitler e o atrapalhavam. O teólogo alemão Martin Niemöller (1892–1984), pastor de uma igreja em Berlim, passou oito anos nos campos de concentração de Sachsenhausen e Dachau, por se opor às leis antissemitas. O mesmo aconteceu com Dietrich Bonhoeffer (1906–1945), jovem teólogo preso em 1943 e enforcado dois anos depois, aos 39 anos. Quase todos os pastores que criticavam o governo foram recrutados pelo exército e enviados para a frente da batalha.
 
Nós não sabíamos...
“Eu não desconfiava de nada; era inocente como um cordeiro que caminha para o matadouro” (Jr 11.19).
 
Ninguém sabia dos campos de concentração e das experiências médicas que estavam sendo feitas neles. Ninguém sabia do holocausto. Ninguém sabia que Hitler pretendia despedaçar “a raiz e os ramos do cristianismo”. Como cordeiros inocentes a caminho do matadouro, protestantes e católicos davam seu apoio ao Führer. Certo pastor chegou a declarar: “Cristo veio até nós na figura de Adolf Hitler [...]. Hoje sabemos que o Salvador está entre nós [...]. Temos um único dever: ser alemães, não cristãos!”. Os sinos das igrejas batiam para celebrar as vitórias nazistas. O quase único grupo religioso que desde o início desconfiava de Hitler eram as testemunhas de Jeová. Por não terem se curvado ao nazismo nem cooperado com ele, muitas foram condenadas à morte (uma terça parte delas) e quase todas sofreram alguma forma de tortura. Enquanto isto, dos 17 mil pastores, não havia mais de cinquenta cumprindo longas penas.
 
Nós pensávamos...
“O povo de Jerusalém grita: Estamos gravemente feridos! As nossas feridas não querem sarar! E nós pensávamos que poderíamos aguentar estas coisas” (Jr 10.19).
 
A Alemanha não se rendeu senão nas últimas horas, quando as forças soviéticas estavam a poucos metros da chancelaria e do abrigo subterrâneo onde se encontravam Hitler e as mais altas autoridades nazistas (28 de abril de 1945). Na manhã de 21 de abril, ele deu ordens para que desfechassem uma ofensiva. “Minhas ordens”, dizia, “são para salvar Berlim imediatamente”. Pouco antes, a orientação era: “Devemos lutar com total obstinação e todo homem válido deve ser utilizado até o limite máximo de sua capacidade. Cada trincheira, cada quarteirão, cada aldeia e cada cidade da Alemanha deve se transformar numa fortaleza, onde ou o inimigo pereça ou a sua guarnição lute até a morte e seja sepultada pelas ruínas. Não pode haver alternativa: ou a defesa de nossas posições ou a morte”. Até o fim, a máquina hitlerista garantia: “A vitória será nossa”. À semelhança do povo de Jerusalém, 2500 anos antes, o povo alemão, enfeitiçado por Hitler e gravemente ferido, pensava que poderia aguentar os reveses!

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