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Colunas — História

Por amor a nossas crianças

Alderi Souza de Matos

Um dos grupos que enfrentam maiores riscos em nossa sociedade são os menores. Alguns destes riscos afetam parte dessa população: pobreza, fome, abandono, marginalidade. Outros perigos espreitam toda ela: violência, abuso, maus-tratos, o flagelo das drogas. O comportamento do poder público é ambíguo: por um lado, aprovam-se leis com a intenção de proteger a infância, como o Estatuto da Criança e do Adolescente; por outro, o estado é omisso na aplicação da lei e na efetiva proteção dos menores em situação de risco. No Brasil, é proibido mostrar o rosto de uma criança na mídia, mas ninguém se importa se essa mesma criança mora na rua, revira latas de lixo, cheira cola, se entrega ao crime e à prostituição. As consequências são dolorosas, para esses menores e para a sociedade.
 
A “tradição judaico-cristã” sempre valorizou a criança, como se pode ver em inúmeras passagens do Antigo e do Novo Testamento. Entre os judeus, os filhos eram considerados uma dádiva do Senhor (Sl 127.3; Is 8.18) e por isso deviam ser alvo de afeto, cuidado e instrução. Boa parte do livro de Provérbios se dedica a esse tema. Há o reconhecimento de que a criança é naturalmente propensa à insensatez, às más influências; daí a necessidade de uma orientação amorosa, porém firme e segura. Jesus é conhecido por seu grande respeito e valorização da infância, conforme se vê em muitos de seus ensinos e ações. Ele considerou os pequenos como modelos para aqueles que aspiram pertencer ao reino de Deus (Mt 18.3; Mc 9.37; 10.15).
 
Com os precedentes estabelecidos por Cristo e seus apóstolos, era natural que a igreja, desde os seus primórdios, revelasse atitudes construtivas em relação à infância. Os primeiros cristãos rejeitaram práticas aviltantes da sociedade greco-romana, como o aborto, o infanticídio e o abandono de menores. Já no período apostólico surgiu a convicção de que as crianças também eram membros da comunidade cristã, não somente os adultos (At 2.39; 1Co 7.14). Com o passar do tempo, ocorreram distorções, como o entendimento de que a vida religiosa (“vida consagrada”) era um estado superior à vida conjugal e familiar. Na Idade Média, e mesmo depois, muitas crianças eram enviadas ainda pequenas para mosteiros e conventos, com grande dano para sua vida emocional.
 
Os reformadores protestantes resgataram a importância bíblica do casamento e do lar para todos os cristãos, inclusive os ministros de Deus. Lutero, Calvino e outros líderes tiveram vidas exemplares nesse particular, estabelecendo padrões que moldaram os seus sucessores. A tradição reformada ou calvinista, em particular, deu um lugar de grande destaque às crianças e adolescentes graças ao conceito fundamental do “pacto”. Deus faz aliança não somente com indivíduos, mas com famílias, com os pais e seus filhos. Sendo “filhos do pacto”, os pequenos devem ser objeto dos melhores esforços no sentido de receberem uma formação integral para a vida, a começar da esfera espiritual. Os puritanos ingleses e americanos consideravam a família uma pequena igreja, na qual era altamente valorizada a educação moral e religiosa das novas gerações, conforme se vê na experiência pessoal do pastor e teólogo Jonathan Edwards.
 
Voltando a falar da situação brasileira contemporânea, não há muito de positivo a destacar no que se refere ao tratamento da infância e da juventude. Ao lado de algumas leis valiosas, existe o importante trabalho dos conselhos tutelares e outros órgãos. De um modo geral, porém, instituições que em outros países têm dado contribuições positivas, no Brasil mostram-se falhas e incoerentes. Nossas personalidades públicas, no âmbito dos três poderes, estão longe de ser modelos de virtude para os caracteres em formação, muitas delas frequentando os noticiários por sua falta de integridade e sede de privilégios. Os meios de comunicação, em particular a televisão, apesar dos códigos de ética, atentam constantemente contra o bem-estar dos menores, transmitindo valores distorcidos por meio de muitos de seus programas, como o execrável BBB.
 
Outra agência da qual se esperariam muitos benefícios para as crianças é a escola. Todavia, a falta de recursos (ou o mau uso dos mesmos), o despreparo de muitos mestres, a educação ideológica, a violência em sala de aula e outros males limitam a influência positiva dessa valiosa instituição. Finalmente, por razões claras, há que se destacar outro ambiente -- o lar. O papel da família na formação das novas gerações foi preponderante até algumas décadas atrás. Porém, o ritmo frenético da vida moderna, o trabalho das mães fora do lar, a influência da televisão, da internet e outras mídias têm impedido que muitos pais gastem tempo, tempo de qualidade com os seus filhos, e contribuam de modo decisivo para a formação do seu caráter. Quanto às crianças pobres, sofrem com lares desestruturados, violência doméstica e outros males.
 
Diante desse quadro desalentador, avulta a responsabilidade das igrejas e seus líderes. Obviamente, não se espera que as comunidades religiosas resolvam sozinhas esse imenso problema. Porém, elas estão em uma posição privilegiada para conscientizar os fiéis sobre os perigos e carências inerentes à infância, para alertar e mobilizar o estado e os demais agentes cujas ações têm impacto sobre as crianças e para instruir professores e pais quanto às suas solenes responsabilidades em relação às mentes em formação. Se elas não o fizerem, haverá um trágico preço a pagar, e ele será inevitável.
 
• Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. É autor de A Caminhada Cristã na História e “Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil”. asdm@mackenzie.com.br

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