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Colunas — Redescobrindo a palavra de Deus

Então Jesus entrou numa casa

Valdir Steuernagel
 
Nosso apartamento tinha duas entradas, uma pela sala e outra pela área de serviço. Por esta se passava pela lavanderia e entrávamos na cozinha, onde havia uma mesa de canto redonda e grande o suficiente para nossa família, de seis pessoas. 
 
Dependendo de quem chegava lá em casa, abria-se uma ou a outra porta. A entrada social era para visitas formais e a de serviço, para “gente de casa”. Porém, a porta social era, na verdade, de pouco uso, pois gostávamos de convidar as pessoas a entrarem pela porta da cozinha e acabávamos sentados ali, na mesa redonda. Nossa vida e nossas conversas familiares giravam muito em torno daquela mesa. Era lá que se comia, conversava, orava e se praticava um jeito muito nosso de viver com humor.
 
Se um dia Jesus chegasse à nossa casa, com certeza faria questão de entrar por essa porta. Iria sentar-se na cozinha, comentar sobre a panela no fogo e entabular uma conversa com os meninos em volta da mesa redonda. Sei que seria assim, pois os Evangelhos mostram um Jesus muito caseiro e que sabe como ninguém conversar com meninos.
 
Jesus nos ensina o caminho
Há algum tempo temos falado sobre a vocação dos discípulos conforme Marcos 3.13-19. Temos olhado para o mandato com o qual Jesus agraciou seus discípulos e a todos os seus seguidores. Vimos que somos chamados para “estar com Jesus, pregar o evangelho, curar os enfermos e expulsar demônios”. Uma grande tarefa! 
 
Uma nota importante é que Jesus não nos pede nada que ele mesmo não faça. Ele é o modelo de vida e ação para cada um de nós e para todas as nossas ações testemunhais. Observando a vida de Jesus nos Evangelhos vemos o que significa envolver-se em cada uma das áreas do mandato que ele nos legou. Assim vamos descobrindo o que significa ser discípulo dele.
 
Uma palavra central na fé cristã é o que chamamos de “encarnação”. Trata-se da experiência factual de que Deus vem e vem de forma absolutamente radical, inteira e absoluta. Ele vem em forma humana. Ele vem para que ninguém se considere abandonado e perdido, independentemente de quem seja e de onde viva. Ele vem para que nenhuma área da nossa vida seja relegada à descartabilidade, seja na dimensão espiritual, emocional ou física. Ele vem para que ninguém seja condenado a viver sozinho, seja na infância ou na velhice. Ele vem porque ama e, porque ama, vem para fazer parte da nossa história. 
 
Logo após a escolha dos discípulos e a delegação deles, “Jesus entrou numa casa” -- conta o evangelista Marcos. Aliás, no decorrer do seu ministério Jesus entra em muitas casas. Às vezes é na casa de alguém próximo, como a de André e Simão, onde ele encontra a sogra deste com febre e a restaura, capacitando-a a servir (Mc 1.29-31). Outras vezes, como na casa de Zaqueu, ele se oferece para entrar, na expectativa de que algo profundamente transformador venha a ocorrer ali: “Hoje houve salvação nesta casa” -- afirma Jesus, acrescentando que veio para “salvar o que estava perdido” (Lc 19.10). Um dia ele é convidado para um jantar na casa de Simão fariseu e entra pela porta social. Entretanto, a refeição ocorre em meio a muita tensão e a salvação que Jesus anuncia é dirigida a uma mulher, que entrou sem ser convidada, mas acaba recebendo toda a atenção do momento (Lc 7.36-50). A presença de Jesus nunca passa despercebida e o lugar por onde ele passa nunca mais é o mesmo. Sua presença é transformadora e gera salvação, como experimentou a mulher. 
 
Volto ao nosso apartamento e vejo Jesus entrar pela porta de serviço, sentar-se à mesa e contar uma história para as crianças, que largam tudo e o ouvem fascinadas. Parado na porta da cozinha, eu me espanto com esse seu jeito de chegar e gerar vida. Celebro a sua presença. Não demora muito e ele me descobre ali, pensativo e sorridente. Então, fitando-me intensamente, conta a mim outra história:
 
Um dia me convidaram para jantar numa casa 
e me fizeram entrar pela porta social. 
Era uma casa de bem e a comida era boa.
De repente, nem sei como, vi uma mulher aos meus pés numa cena desconcertante:
chorando, ela molhava os meus pés com suas lágrimas, 
enxugava-os com seus cabelos 
e os ungia com um perfume caríssimo. 
Todos os olhos voltaram-se para ela, é claro. Inclusive os meus. 
Havia olhos para todos os gostos.
Olhares fulminantes!
Olhares inquiridores!
Olhares acusadores!
Quantos aos meus... Eu busquei o dono da casa e a cena era de absoluta desaprovação.
Com seus olhos ele me dizia:
“Essa mulher não deveria estar aqui! Minha segurança falhou.
Eu sei quem ela é e você também deveria saber.
Me admira é que você não faça nada e deixe tudo acontecer.
Parece até que está gostando desta cena ridícula!” 
 
Então eu lhe disse:
 
“Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; 
ela, porém, molhou os meus pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos.
Você não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui,
não parou de beijar os meus pés.
Você não ungiu a minha cabeça com óleo,
mas ela derramou perfume nos meus pés.
Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela foram perdoados,
pois ela amou muito.
Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama” (Lc 7.44-47).
 
A verdade é que Jesus não entrou na minha casa apenas para sentar-se à mesa redonda. Ele veio para transformar a minha vida e me chamar a segui-lo. E você, o que ele quer na sua casa? 
 
Valdir Steuernagel é pastor luterano e trabalha com a Visão Mundial Internacional e com o Centro de Pastoral e Missão, em Curitiba, PR. É autor de, entre outros, Para Falar das Flores... e Outras Crônicas.

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