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Louvarei ao Senhor — "em todo o tempo"

Ronaldo Lidório

Enganoso é o nosso coração. Não é raro observar que, por vezes, mesmo tendo muito mais do que precisamos, permanecemos descontentes pelo que julgamos nos faltar. Outras vezes, mesmo tendo pouquíssimo, o pouco que temos se mostra suficiente para encher o coração de louvor e agradecimento a Deus.

Isto nos leva a uma percepção bíblica de que o louvor a Deus não é definido pelas circunstâncias da existência, mas pela atitude do coração; e que nosso coração, essencialmente enganoso, é também ensinável, e deve aprender a louvar a Deus dentro de uma proposta bíblica radical — “todo o tempo”.

O Salmo 34 é um convite ao louvor e à maturidade espiritual. Nele o salmista manifesta o compromisso de louvar ao Senhor em “todo o tempo”(v.1). Louvar ao Senhor ao receber o que tanto desejou, ou ao ser surpreendido por uma ótima notícia, é uma resposta natural dos sentidos, e não exige nada especial do nosso coração. A proposta bíblica, porém, é louvar a Deus em “todo o tempo”: no dia bom e também no dia mau; em plena saúde e nos dias de enfermidade; quando aplaudido ou criticado; ao receber uma resposta positiva do Senhor ou quando ele nos fecha um caminho que intensamente desejávamos seguir.

Louvar a Deus em “todo o tempo” implica reconhecer que todos os planos do Pai são planos de amor. Que todas as coisas, de fato, cooperam de alguma forma, que pouco compreendemos, para o bem dos que sinceramente amam a Deus, e isto nos basta.

Louvar a Deus em “todo o tempo” implica também reconhecer que as circunstâncias da vida, mesmo as mais complexas e difíceis, possuem algum motivo de gratidão. Neste salmo não encontramos um cenário de perfeição que nos leva naturalmente ao louvor, mas um louvor que é proferido na realidade por uma vida que possui desafios constantes. Os versos 4, 5 e 6 nos falam sobre temores, angústias e prisões. O verso 8 nos leva, entretanto, ao reconhecimento de que, além das cores que pintam o presente cenário da existência, Deus é bom. Somos conduzidos não apenas a compreender a sua bondade, mas a experimentá-la: “provai e vede que o Senhor é bom!”.

Deus não é apresentado como aquele que realiza atos de bondade, mas como aquele que é bom em sua essência. É da natureza de Deus ser bom. Alguns passam por angústias e tornam-se murmuradores. Outros passam por tragédias e reconhecem a bondade do Senhor. A diferença parece estar na atitude do coração.

Em seu edificante livro O Discípulo Radical, John Stott nos apresenta oito características de um discípulo: inconformismo, semelhança com Cristo, maturidade, cuidado com a criação, simplicidade, equilíbrio, dependência e morte. Em todas elas ele destaca a atitude do coração, e a diferença entre o que meramente conhecemos e aquilo que abraçamos como valor e prática de vida. O louvor a Deus não é simples assunto de exposição ou tão somente artigo de fé. Ele deve ser praticado, e praticado “todo o tempo”.

É certo também perceber que o louvor a Deus combate a ansiedade da alma. Depressões, ansiedades, fobias e temores são as enfermidades do século. Neste salmo vemos que, ao praticar o louvor, pacificamos nossos corações. No verso 1 ele nos fala sobre a alegria, no 2, sobre a libertação dos temores e, no 5, sobre a libertação das angústias. Louvar a Deus alegra o coração do Pai e também apazigua a nossa alma, uma vez que nos conduz a reconhecer que nossas vidas estão nas mãos daquele que, em todas as coisas, é bom.

A declaração de louvor, lançada intencionalmente no futuro (“louvarei” ao Senhor), é sem dúvida uma afirmação de fé para caminharmos com Deus, pois não conhecemos o amanhã. Não sabemos o que nos aguarda, se a alegria inesperada ou a tragédia mais temida. Diante deste cenário de fluida incerteza o salmista faz um compromisso e o declara: “amanhã... eu o louvarei”.

O que pode parecer uma incoerência perante a inconstância da vida é, na verdade, uma afirmação de conhecimento e confiança. Não conhecemos o amanhã, mas conhecemos o Deus que controla o amanhã. Não sabemos se alegrias ou tragédias virão, mas estamos certos que nenhuma tragédia é maior que a sua bondade. Não conseguimos desvendar os mistérios da vida, mas sabemos que os planos do Pai são planos de amor. Desta forma, louvar a Deus é certamente um exercício de fé que apazigua as ansiedades da alma e nos dá paz. No amanhã — que desconheço — eu o louvarei.

Em 1873 um navio francês, o Ville de Havre, seguia da costa leste americana para a Europa. Entre os passageiros encontravam-se a senhora Spafford — esposa de um cristão piedoso, jovem advogado de Chicago — e seus quatro filhos. Nesta viagem o navio sofre um acidente e vem a naufragar, morrendo quase todos os tripulantes. Dias de desespero se seguem com a ausência de notícias para as famílias dos desaparecidos em alto mar. Finalmente o senhor Spafford recebe um telegrama comunicando que sua esposa foi encontrada ainda com vida, mas estava só. A mensagem sobre a perda de seus quatro filhos lhe aflige a alma. Ele chora e lamenta. Depois senta-se e escreve a letra de um hino que se tornaria conhecido em todo o mundo: “It is well with my soul” (Está bem a minha alma), conhecido como “Sou feliz com Jesus”. Assim, ele diz:

Se paz a mais doce me deres gozar
Se dor a mais forte sofrer
Oh, seja o que for, tu me fazes saber
Que feliz com Jesus sempre sou

O louvor a Deus não é definido pelos marcadores da nossa história, mas pela bondade do Senhor que vai além das linhas do horizonte do entendimento da vida.
Louvar a Deus é reconhecer que a sua bondade será sempre maior do que qualquer acontecimento que possa se abater sobre nossos dias. É cantar a sua bondade nos dias de luz e alegria, e não deixar de fazê-lo nos dias de forte neblina e cores escuras. Sua bondade é maior que a vida.

Um dia, em luz plena e eterna, cantaremos a sua bondade em “todo o tempo”. Não precisaremos de fatos da vida para fazê-lo. A sua presença nos bastará.

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