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Seções — Cidade em foco

Vá à grande cidade... Esperança para as cidades condenadas

Jorge Barro

Nínive foi uma das cidades mais antigas da Mesopotâmia, à margem do Rio Tigre. “Ninrode, o primeiro homem poderoso na terra” (Gn 10.8), parte para a Assíria e funda a cidade. As cidades conquistadas e construídas por Ninrode tornaram-se centros de poder militar e foram conhecidas como sanguinárias. Esse homem, cujo nome significa rebelde, tinha um espírito de caçador e matador. No tempo de Jonas, Nínive já possuía 120 mil habitantes (Jn 4.11a).

De acordo com o profeta Sofonias, Nínive era uma cidade orgulhosa: “Essa é a cidade que exultava, vivendo despreocupada, e dizia para si mesma: ‘Eu, e mais ninguém!’” (Sf 2.15). Nínive era um grande centro cultural e religioso, especialmente em função do templo construído para Ishtar, a deusa da fertilidade, do amor e da guerra. É para esse contexto e cidade que Deus diz: “Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela...” (Jn 1.2a). Um duplo desafio: ir e pregar contra. Uma coisa é ser convidado para pregar em uma cidade, em uma conferência missionária; outra é pregar contra a cidade, sabendo do enfrentamento e do confronto com os poderes desse povo rebelde.

Da narrativa de Jonas aprendemos que Nínive era uma grande cidade (1.2; 3.2; 4.11), cheia de maldade (1.2; 3.8), violenta (3.8) e constituída de cidadãos que não distinguiam o certo do errado (4.11). Diante de tais realidades, Deus não se cala. Nínive fica debaixo da ameaça de destruição (3.10) e, por isso, a convocação: “Vá à grande cidade e pregue contra ela...”. Sim, Deus é contra situações que conspiram contra a dignidade da vida. O Antigo Testamento revela pelo menos cinco motivos condenatórios da cidade:
Opressão: o tratamento injusto do pobre pelo rico, do fraco pelo forte, dos governantes que oprimem seus cidadãos; a violência, o suborno, a extorsão dos opressores dominando as cidades (Sf 3.1; Am 4.1; Ez 22.6-13; Jr 6.6).

Idolatria: centros de adoração aos ídolos, sincretismo religioso, culto aos bens materiais, corpolatria, magias, feitiçarias, pactos malignos. Jeremias imaginou pessoas andando nas ruínas de Jerusalém e perguntou: “Por que o Senhor fez uma coisa dessas a esta grande cidade?” (22.8). A resposta: “Foi porque abandonaram a aliança do Senhor, do seu Deus, e adoraram outros deuses e prestaram-lhes culto” (22.9) (Mq 5.11-14; Na 1.14; Jr 22.8-9).

Derramamento de sangue inocente: cidades são lugares onde a violência é nítida. Gente que morre por causa da insanidade no trânsito, meninos-aviãozinho que são exterminados como queima de arquivo; assaltos, morte por balas perdidas. Duas vezes Ezequiel fala: “Ai da cidade sanguinária” (24.6, 9) e declara que “o sangue que ela derramou está no meio dela; ela o derramou na rocha nua; não o derramou no chão, onde o pó o cobriria” (Ez 24.7). Seria aqui um eco do sangue de Abel clamando contra os primeiros construtores das cidades? (Hc 2.12; Ez 22:3 e 4; 24.6-9; Jr 26.15).

Imoralidade: Sodoma e Gomorra são conhecidas pela perversão sexual, assim como outras cidades que se tornaram centros de promiscuidade (Corinto). Em um dos capítulos mais chocantes da Bíblia, Ezequiel (16) compara a imoralidade de Jerusalém ao comportamento de Sodoma. É valioso notar neste capítulo que o pecado da injustiça e da imoralidade são expostos e condenados juntos (Na 3.4; Ez 16:1-63; 22.6-13).

Orgulho: arrogância, altivez e dureza da cidade em relação a Deus. Sofonias captura o espírito da cidade de modo perfeito quando escreve a respeito de Nínive: “Essa é a cidade que exultava, vivendo despreocupada, e dizia para si mesma: ‘Eu, e mais ninguém!’”. Essa é a linguagem da divindade e do orgulho excedente (Sf 2.15; Ez 16:49; 27.3; 28.2; Is 3.9).

Jonas sabia para onde ia. Porém, ele se esqueceu com quem ia -- com o Senhor e sua Palavra -- “a palavra do Senhor veio a Jonas” (1.1; 3.1). Depois de suas dramáticas experiências de recusa, “Jonas entrou na cidade e percorreu durante um dia, proclamando...” (3.4). Eram necessários três dias para percorrer a cidade. No entanto, ele vira recordista, e faz o trajeto em apenas um (3.3-4), numa possível demonstração de insatisfação e desinteresse. Como “a salvação vem de Deus” (2.9c), prova evidente da “Missio Dei”, o milagre acontece e toda a cidade se arrepende (homens e animais cobrem-se de pano de saco -- 3.9). Isso faz Jonas trazer do fundo do coração a justificativa da fuga missionária: “Foi por isso que me apressei em fugir para Társis. Eu sabia que tu és Deus misericordioso e compassivo, muito paciente, cheio de amor e que prometes castigar, mas depois te arrependes” (4.2). É nesse momento que ele pede a Deus para tirar a sua vida! O que deveria ser motivo de alegria tornou-se em motivo de desgosto e desilusão. Assim, “sentou-se num lugar a leste da cidade [...] e esperou para ver o que aconteceria com a cidade” (4.5). Já que ele estava esperando para ver o que aconteceria, teria tempo suficiente para refletir sobre algumas coisas. Deus então lhe dá um tema: “Não deveria eu ter pena dessa grande cidade?” (4.11).

Mesmo não concordando com Deus, Jonas nos fez o favor de revelar as atitudes necessárias para proclamar a esperança para as cidades condenadas: misericórdia, compaixão, paciência, amor e a oferta de novas chances (“que prometes castigar, mas depois te arrependes”).

Sim, Deus detesta os pecados da maldade e a violência da cidade. Entretanto, a boa notícia é que ele ama em vez de abandonar a cidade. A proclamação é contra o pecado e sempre a favor da vida. É importante descobrirmos o equilíbrio do tratamento bíblico para a cidade, pois, ou vamos odiá-la ou justificar seus pecados. Existe esperança para a sua cidade? A resposta depende de duas atitudes: sentar em um lugar da cidade e esperar para ver o que vai acontecer com ela ou proclamar esperança e provocar mudanças de atitudes, porque “a salvação vem de Deus” (2.9c). Deus teve pena de Nínive. Você e sua igreja têm da sua cidade?

Jorge Henrique Barro é diretor da Faculdade Teológica Sul Americana e vice-presidente da Fraternidade Teológica Latino Americana (continental).

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