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Pascal -- Jesus Cristo é o centro para onde tudo converge

Poucos cristãos são tão cristocêntricos quanto Pascal. Para ele, Jesus não é o Grande, como Alexandre, mas o Único. O Senhor não tem rival nem sucessor.

Da cegueira provocada pela queda, o ser humano só pode sair através de Jesus Cristo.

Sem Jesus, qualquer comunicação entre Deus e o homem é impossível.

Jesus Cristo é o objeto de tudo e o centro para onde tudo converge. Quem o conhece sabe a razão de todas as coisas.

Todo conhecimento da existência de Deus, da Trindade, da imortalidade da alma e de qualquer outra coisa dessa natureza é inútil e estéril sem Jesus Cristo.

Não só conhecemos Deus apenas por Jesus Cristo, mas ainda nos conhecemos apenas por Jesus Cristo. Só conhecemos a vida e a morte apenas por Jesus Cristo. Fora de Jesus Cristo não sabemos o que é a nossa vida, nem a nossa morte, nem Deus, nem nós mesmos.

Jesus Cristo é aquele do qual nos aproximamos sem orgulho e perante o qual nos humilhamos sem desespero.

Jesus Cristo veio a fim de que vissem aqueles que nada viam e que se tornassem cegos aqueles que viam. Veio para combater as doenças e deixar morrer os sadios. Veio para chamar os pecadores à penitência e à justificação e deixar de lado os que se acreditavam justos em seus pecados. Veio para encher os indignos e deixar vazios os ricos.

Em Jesus Cristo todas as contradições entram em acordo.

Jesus Cristo não é simplesmente Deus, mas um Deus reparador das nossas misérias.
Sem Jesus Cristo é certo que o homem está no vício e na miséria. Com Jesus Cristo o homem é isento de um e de outro. Em Jesus está nossa felicidade, nossa vontade, nossa vida, nossa luz, nossa esperança. Fora dele, não haverá senão vício, miséria, trevas, desespero e nós não veremos senão a obscuridade e a confusão na natureza de Deus e na nossa própria natureza.

Jesus veio dizer aos homens que eles não têm outros inimigos senão eles mesmos.
Jesus Cristo não fez outra coisa senão ensinar aos homens que eles são amantes de si mesmos, escravos, cegos, doentes, infelizes e pecadores.

Se Maomé escolheu o caminho de triunfar humanamente, Jesus Cristo tomou o de morrer humanamente.

Todos que procuram Deus fora de Jesus Cristo caem no ateísmo ou no deísmo, duas coisas que a religião cristã abomina quase de igual forma.

O conhecimento de Deus sem o da própria miséria produz orgulho. O conhecimento da própria miséria sem o de Deus produz desespero. O conhecimento de Jesus Cristo gera o meio-termo, pois nele encontramos Deus e nossa miséria.

Jesus esteve num jardim não de delícias, como aquele em que o primeiro Adão se perdeu e com ele todo o gênero humano, mas num jardim de suplícios, do qual ele se salvou e com ele todo o gênero humano.

Na terra, Jesus Cristo só pôde descansar no sepulcro.

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