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Reflexão — Robinson Cavalcanti

50 anos de crente (1960–2010) -- parte 2

Robinson Cavalcanti

(...) Desligo-me da Igreja Romana em plena efervescência do Concílio Vaticano II, cujos documentos finais eu acompanhei e estudei. Passo doze anos na condição de aluno e, depois, professor na Universidade Católica de Pernambuco (dos jesuítas), exposto às encíclicas sociais pontifícias e à filosofia solidarista de Gabriel Marcel, Jacques Maritain e Emmanuel Mounier. Rompo com a eclesiologia e a soteriologia romanas, mas retenho muito da sua doutrina social. Ao término dos cursos de ciências sociais e direito, entro em um dilema existencial: advocacia, carreira diplomática, pós-graduação no exterior, ordenação ao pastoreio de uma igreja luterana, casamento?

Convidado por Paul Little para assistir à Conferência Missionária de Urbana (1967), ouço John Stott expor a Segunda Carta a Timóteo e sinto um chamado para o ministério, mas não sei qual. De volta ao Brasil, recebo um convite para ser assessor (obreiro) da Aliança Bíblica Universitária (ABU), que foi um marco na minha vida quando eu, ainda estudante, havia sido discipulado pelo missionário batista inglês Dionísio Pape. Um mês depois, sou convidado para lecionar na Universidade Católica. É a resposta de Deus: profissão e ministério na academia.

Estou com 23 anos. Permaneço mais de dez anos como missionário da ABU, cobrindo, inicialmente, uma área que vai de Manaus a Salvador. Em 1969, aos 25 anos, me caso com Miriam (já são 41 anos de casados). As portas do magistério se escancaram. Recebo propostas do colégio Presbiteriano Agnes, Americano Batista, Eucarístico (católico), da Faculdade Frassinetti do Recife e do Seminário Presbiteriano do Norte. Aprovado nos concursos para professor de ciência política nas Universidades Rural e Federal de Pernambuco, fecho o escritório de advocacia, para tristeza do meu pai, e suspendo a ordenação pastoral (permanecendo como evangelista).

Aos 26 anos, por sugestão de Neuza Itioka e a convite de Ricardo Sturz (pai), participo do processo de fundação da Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL) como “caçula”. Em 1970, compartilho da histórica 1ª Consulta de Cochabamba, onde integro a comissão executiva por sete anos. Além disso, participo dos CLADEs 2 e 3 -- o primeiro, em Huampani, no Peru (fiz parte da comissão diretora), e o segundo, em Quito, no Equador.

Por dez anos escrevo na coluna evangélica dominical do Jornal do Commercio, de Recife. O apoio de Richard Sturtz à minha publicação de “Cristo na Universidade Brasileira?” torna-me um escritor (1972).

Aos 30 anos (1974), estou no Rio de Janeiro cursando mestrado em ciência política na Cândido Mendes (IUPERJ) e servindo na ABU -- Região Leste. Sou convidado para participar do Congresso de Lausanne, onde tenho a liberdade de falar e integrar a Comissão de Convocação. Em seguida, sou eleito membro-suplente de Faninni e Gesiel Gomes na Comissão de Continuação, depois Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial (LCWE), por quatro anos. Com a constante falta de titulares, compareço a todas as reuniões e participo da maioria das consultas da fase fecunda (1974–1982) -- responsabilidade social; evangelho e cultura; estilo de vida simples -- e do Congresso de Pattaya, na Tailândia. No Congresso Missionário (Curitiba, 1976) publico o livro “Uma Bênção Chamada Sexo”. Sou o primeiro autor evangélico a se aventurar (a levar pedradas) pelo tema. Em seguida, publico “O Cristão, Esse Chato!”

De volta a Recife, passo a ocupar cargos na administração universitária, como coordenador, chefe de departamento, diretor de centro, membro dos conselhos superiores. Sirvo como obreiro na ABU e como membro dos Gideões Internacionais. Sou convidado para integrar a Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial (WEF), subcomissão Ética e Sociedade, por quatro anos. Em 1978, por sugestão de amados irmãos, encerro minha abençoada década de obreiro da ABU. Ajudo a criar um movimento evangélico de conscientização política (MCDC) e preparo o livro Cristianismo e Política.

A convite do pastor presbiteriano João Campos de Oliveira, coopero por três anos em um programa de televisão. O fato de ter militantes políticos na família -- meu pai foi vereador e presidente de sindicato empresarial -- e de ter participado da política estudantil, sindical e partidária leva-me à candidatura a deputado estadual (com a Lei Falcão e o voto vinculado) como evangélico não-marxista contra a ditadura militar -- saio do gabinete e vou à escola das ruas, com os riscos da ocasião. Por doze anos sou abençoado como membro da Igreja Luterana (IELB), à qual devo minha formação no pensamento da Reforma e minhas convicções doutrinárias ortodoxas. Questões periféricas pontuais (germanismo cultural, ceia restrita, regeneração batismal, governo não-episcopal), depois de um período de discernimento, me levaram à desvinculação da IELB e a uma transição ao anglicanismo (1976). Aos 32 anos, já sou influenciado por Jonh Stott, C. S. Lewis, J. I. Packer e Michael Greene (missões aos nacionais no Nordeste). Continuo a viajar (1978–1997), pelo país e exterior, a convite de várias denominações e instituições... (Continua na próxima edição.)


• Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política -- teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo -- desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br

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