Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — Arte e cultura

O país certo

Mark Carpenter

Na edição anterior, escrevi que às vezes sinto que estou no país errado. Preparei-me para receber uma batelada de e-mails indignados, do tipo “Yankee, go home”, mas recebi uma única carta, manuscrita, de uma leitora expressando apoio. Preocupei-me à toa, quem sabe porque nosso patriotismo só se estende até o campo de futebol. Qualquer nacionalismo que esboce ir além acaba se dissipando pela mediocridade de nossa história, pelas duvidosas intenções de nossos heróis e pelo egoísmo camuflado que nos corrompe a honra e o aparente altruísmo. 

Há exceções? Claro, e é nelas que depositamos os resquícios de esperança que ainda alimentamos ao anelar por um país mais justo e digno de nossa lealdade. 

A princípio é tentador render-me à teoria cínica de que o melhor do Brasil está no macro e no micro. Quando afasto o zoom da lente para olhar as dimensões do país, vejo sua topografia curvilínea e exuberante. O equador e os trópicos lembram-me de suas temperaturas amenas, de seus ventos que espalham calor e do clima que tranqüiliza as intempéries que em outros lugares transformam-se em furacões. Lembro-me das ondas de sua história, alheia às grandes paixões e declarações, movida pelas forças distraídas do consenso, da paciência, da tolerância e da longanimidade. Vejo um país assentado e antigo, resolvido, como uma grande pedra afundada no oceano, livre de vulcões, falhas e deslocamentos que em outras terras provocam terremotos e tsunamis. Vejo ao longo de sua fronteira as barreiras naturais geradoras do tipo de cercas que permitem a coexistência de bons vizinhos. 

Ao ajustar a lente para focar o detalhe, a composição da terra mostra-se fértil e receptiva. Próximas do chão, as crianças olham diretamente tudo o que lhes interessa, sem autocensura nem hipocrisia, como quem olha para saciar a curiosidade; ainda não percebem o que o mundo dos adultos lhes reserva. Vejo nossos animais, peixes e insetos que caminham, rastejam, voam e nadam por cima, por baixo e entre preconceitos, horrores e crueldades que aparecem pela frente como se fossem árvores, rochas e rios. Vejo, enfim, a extensão de inocências, instintos e pragmatismos naturais criados por Deus e isentos de segundas intenções. 

Que Brasil, este. 

Mas “este mundo passa” (1 Jo 2.17). O que não passará é o mundo dos seres humanos, e é justamente este que Deus ama (Jo 3.16). Ou seja, para sermos imitadores de Deus (Ef 5.1), temos de amar o mundo das mulheres e dos homens, vencendo assim nosso repúdio pela condição humana, que nos causa tanta dor.
 
A grandeza do Brasil está não apenas na imensidão geográfica que nos abriga, nem nos elementos que lhe dão cor, textura, cheiro e substância, mas nos 180 milhões de brasileiros que aqui vivem, familiares e famigerados, justos e injustos, honestos e hipócritas, benditos e bandidos, predadores e vítimas. O Brasil dos brasileiros é o Brasil alvo do amor de Deus. Este deve passar a ser o objetivo ministerial de cada cristão que vive neste país. Oremos por ele, trabalhemos por ele, sacrifiquemo-nos por ele. 


Mark Carpenter é diretor-presidente da Editora Mundo Cristão e mestre em letras modernas pela USP.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.