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Especial — A virgem do século 16

A virgem do século 16

Nos três séculos e meio que antecederam a Reforma Protestante na primeira metade do século 16, a virgem (leia-se Igreja) não podia estar mais desfigurada e feia (desde Inocêncio III, que reinou de 1198 a 1216, até Pio IV, que reinou de 1559 a 1565). 

Um dos papas da época, o holandês Adriano VI (de 9 de janeiro de 1522 a 14 de setembro de 1523), chegou a fazer uma das mais belas e corajosas orações de confissão coletiva jamais escrita: “Temos consciência de que, já há alguns anos, muitas coisas abomináveis andam acontecendo na Santa Sé: abusos em questões espirituais, transgressões aos mandamentos. [...] Não me surpreende que a doença tenha passado da cabeça para os membros, do papa para os prelados. Todos nós, prelados e clero, nos afastamentos do caminho certo”. 

Eram coisas abomináveis mesmo! A cúria romana, dizia Martinho Lutero, “que antigamente era a porta do céu, em realidade é agora uma boca aberta do inferno”. A igreja tinha bens demais e poder de menos. Em algumas partes da França e da Alemanha, a igreja possuía entre um terço e metade de todos os imóveis. O clero da Inglaterra, com 1% da população, dispunha de 25% do produto interno bruto. Ela inventava muitas maneiras de levantar dinheiro, inclusive as tristes famosas taxas mortuárias. Vendia-se de tudo: indulgências, paróquias, mosteiros, bispados, cargos, prebendas etc. O dinheiro e os bens de quase toda a Europa eram levados para Roma. Só da Alemanha eram enviados mais de 300 mil florins por ano. 

Havia uma hipocrisia institucionalizada. Os papas mantinham o celibato com mão-de-ferro e escondiam suas próprias transgressões. Alexandre VI, o papa da adolescência e da juventude de Lutero (de 1492 a 1503), por exemplo, não se casou, mas teve numerosos filhos de várias mulheres (uma delas era Júlia Farnese, que o povo chamava de Giulia Bella ou “a esposa de Cristo”). No sexto ano de seu pontificado, o dominicano Jerônimo Savonarola, que criticava os vícios e os escândalos da Igreja, foi enforcado e queimado aos 46 anos. Júlio III (1550-1555) causou escândalo ao se apaixonar por um rapaz de 15 anos, que recolheu das ruas de Parma e, depois, nomeou cardeal e chefe do secretariado do Estado. E aí está outra abominação da Santa Sé — o nepotismo era algo corriqueiro. Dois meses depois de assentar-se na cadeira de Pedro, Paulo III nomeou cardeais dois netos e lhes deu posteriormente importantes cargos eclesiásticos. 

Na verdade, nem o papa nem os bispos cuidavam do rebanho. Em vez de dedicarem-se ao evangelho e às almas, eles gastavam todo o tempo e toda a energia para exercer o governo secular, travar guerras e buscar riquezas temporais. A desmoralização do clero e da Igreja era tal que deu lugar ao chamado Grande Cisma, que durou 39 anos (de 1378 a 1418). O cenário religioso ficou completamente bagunçado: a Europa se dividiu entre o papa (Urbano VI) e o antipapa (Clemente VII). Os dois papas rivais excomungaram-se mutuamente e chegaram a medir forças por meio de exércitos mercenários. De qualquer lado que o clero e os fiéis estivessem, com um ou com outro, lidavam com papas excomungados — um vexame sem tamanho para a Noiva de Cristo. 

É por estas razões que o reformador alemão Martinho Lutero (1483-1546) dizia acertadamente que a Igreja era a “viúva de Cristo”, não porque o Senhor permaneceu no túmulo de José de Arimatéia para sempre, mas porque a Igreja se separou, se divorciou, se afastou do Jesus vivo e assentado à direita de Deus. 

Quando a situação tornou-se insustentável, quando a crescente insatisfação da parte de alguns criou um barril de pólvora, Lutero e outros reformadores acenderam esse barril e o fizeram explodir. A reforma alemã (que deu origem aos protestantes), a reforma francesa (que deu origem aos reformados) e a reforma inglesa (que deu origem aos anglicanos) e também a Contra-Reforma católica fizeram uma plástica na virgem feia e a tornaram outra vez bonita, mas não exatamente intacta! 

Fonte: Conversas com Lutero; história e pensamento. Editora Ultimato, 2006).

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