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Exclusivo Online — Pena que as igrejas não atinem. O índio atinava!

Por que a igreja evangélica não tem a ecologia como missão se a Bíblia está repleta de palavras e ações de Deus em defesa da natureza? Por que são raros os cristãos evangélicos que militam em ONGs conservacionistas? Essas e outras perguntas me acompanham desde o início dos anos 80 quando, preocupado com a crise ambiental que começava a tomar grandes proporções, optei por ser biólogo, entendendo que dessa maneira eu poderia proteger a criação de Deus. Naquela mesma época tive a oportunidade de ler um magnífico texto intitulado “Gaia: o planeta vivo” de autoria de José Lutzenberger, então secretário do Meio Ambiente no governo Collor. Nele, o autor faz menção a uma teoria revolucionária proposta pelos cientistas Jim Lovelock e Lynn Margulis em que a terra, ao invés de ser vista como uma coisa à parte, como um palco onde se desenrola a peça da vida, é vista com um grande organismo vivo ou uma grande célula que se auto-regula. Ao final de seu texto, o luterano Lutzenberger, que antes de converter-se em um dos maiores ecologistas brasileiros foi representante de laboratórios que fabricavam pesticidas, exclama “Pena que as igrejas não atinem. O índio atinava!”. Eu não fui capaz de compreender essa provocação naquela época, foi preciso que eu estudasse mais, tanto a Bíblia quanto a biologia, para perceber o alcance daquelas palavras. Hoje, eu acrescentaria que a terra não é só um organismo vivo, mas também possui sentimentos, conforme percebemos em várias passagens bíblicas.

Quero expor um pouco do que Deus e alguns de seus servos pensam, sentem e fazem pela criação. Em Gênesis 1, após cada ato da criação repete-se a frase “e viu Deus que isso era bom” até que, no verso 31, encontramos um taxativo “e viu Deus tudo quanto fizera e eis que era muito bom”. Nota-se aqui que não há nada inferior ou desprezível para Deus, quer seja um fungo, uma barata, uma vaca leiteira ou uma arara multicolorida. Outro aspecto que chama atenção (Gn 2.18-25) é que antes de criar a mulher, Deus tenta fazer com que tudo aquilo que ele havia acabado de criar servisse de companhia para o homem, “não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma companheira (ou companhia em algumas versões) que lhe seja idônea”. O texto continua dizendo que Deus trouxe animais selváticos e aves até o homem, mas percebeu que entre eles não havia nenhum que fosse uma companhia à altura (idônea) do homem. Eu entendo com isso que animais e plantas são nossos companheiros e nos ajudam, juntamente com outras coisas, a combater a solidão, o estresse e o tédio. O homem precisa também do seu semelhante e obviamente da mulher. Existem relatos de crianças autistas que melhoram sensivelmente sua condição quando estão em contato com golfinhos. Sou voluntário em uma entidade que trata de crianças que sofreram paralisia cerebral com equoterapia, entre outros serviços. As crianças que cavalgam e interagem com cavalos possuem uma recuperação acelerada. Alguns hospitais têm permitido a presença de animais em suas dependências porque sabidamente crianças se recuperam mais rápido em contato com eles. Pacientes que estão em quartos com vistas para jardins recuperam-se mais rápido que outros. Eu soube até de um caso em que, durante um grande quebra-quebra num hospital psiquiátrico, alguns internos, postaram- se à frente de um pequeno aquário evitando que fosse destruído.

Noé talvez seja o melhor exemplo de um homem usado por Deus em defesa da natureza. Eu proponho, inclusive, que ele seja eleito o patrono dos ambientalistas! Na arca se salvaram apenas oito pessoas, porém milhares de animais! Creio que ninguém duvida que Deus poderia ter deixado os animais perecerem e recriar tudo novamente, mas não foi isso que ele fez, ele simplesmente preservou as espécies (porque tudo que Ele fez era muito bom), guardando um casal de cada, para posterior repovoamento da terra. É possível que nós pedíssemos a Deus para levar um pouco mais de gente no lugar dos animais. Argumentaríamos que o mais importante é o homem porque foi feito à imagem e semelhança dele, e que no fundo o mais importante é salvação da alma, e por aí vai. Ora, o que nos une é que tanto o homem (Gn 2.7) quanto os animais (Gn 2.19) foram feitos a partir do barro pelo Senhor e a diferença é que o homem recebeu seu sopro divino, tornando-se imagem e semelhança de Deus .

Eu considero o profeta Jonas um outro ecologista bíblico. Tenho muita afinidade com o profeta, acho-o muito parecido conosco, especialmente comigo. Enquanto outros profetas foram capazes de grandes sinais e prodígios e de profecias memoráveis, ele é um dos poucos dos quais conhecemos as fraquezas. E que fraquezas! Ele sente raiva, medo e procura fugir de certas responsabilidades. Pois bem, Jonas foi capaz de sentir compaixão quando morreu a planta que lhe servira de proteção contra o sol (Jn 4.6-9) e Deus valoriza (não recrimina) esse seu sentimento nobre e recomenda que ele sinta o mesmo (compaixão) pelos seres humanos que estão em Nínive (Jn 4.10). Interessante também é observar que após a pregação de Jonas, todos naquela cidade se humilharam, cobrindo-se com sacos, sentando-se sobre cinzas e jejuando, grandes e pequenos, incluindo o rei e os animais, todos clamando fortemente a Deus. Acho que isso nos ensina que mesmo os ninivitas davam um valor às criaturas de Deus que não damos hoje. Ora, para quê deixar os animais em jejum e cobertos com saco? Que mal eles fizeram? Penso que a explicação está no fato de que a natureza sofre as conseqüências do pecado humano proveniente da queda (“maldita é a terra por tua causa”), mas que aguarda (assim como nós) a redenção celeste que está por vir conforme se depreende da afirmação “Toda criação geme conjuntamente e está como dores de parto até agora, e não somente ela, mas também nós” (Rm 8.22-23). No momento da morte de Jesus, lemos que houve trevas de meio-dia até às três da tarde (Jo 27.45), que a terra tremeu e fenderam-se as rochas (v. 51) e que no momento da ressurreição houve um terremoto (Jo 28.2). Parece claro aqui que a terra se ressentiu da morte cruel de seu Criador e Senhor e se alegrou com a ressurreição, liberando nas duas ocasiões, energia na forma de abalos sísmicos.

O metodista Dr. Warwick Estevam Kerr, um dos cientistas brasileiros mais famosos de nossa época contou-me, certa vez, que em João 3.16, a palavra grega (a língua em que foi redigido o novo testamento) que vem sendo traduzida por mundo é “kosmos”, cujo equivalente em português seria cosmos ou universo. Assim teríamos que “Deus amou o “universo” de tal maneira que deu seu filho unigênito...”. Ora, isso muda completamente o foco, uma vez que não é somente o mundo (o homem caído), mas todo o universo foi alvo de seu amor e de seu plano salvífico.

Para nosso consolo e para que saibamos que nossa luta ecológica não será em vão, lembremos de que está estabelecido que chegará a época em que Deus intervirá no planeta de tal modo que teremos “um novo céu e uma nova terra” (Ap 21.1), até porque existem coisas que só ele pode dar jeito. Mas até lá, não custa nada nós agirmos junto com aqueles (ONG’s e ecologistas) que já estão fazendo isso, ou como fizeram José Lutzenberger, Noé, Jonas e tantos outros servos de Deus. Que, enfim, as igrejas comecem a atinar!




Márcio Luiz de Oliveira é mestre e doutor em entomologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e Universidade de São Paulo, respectivamente. Foi conselheiro da ONG ambientalista acreana SOS Amazônia; atualmente é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia em Manaus e colaborador da ONG ambientalista Fundação Vitória Amazônica.



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