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Evangélicos ajudam a reeleger Bush

Paul Freston

‘Pelo menos o homem que criou o problema terá de resolvê-lo!’ Foi assim que americanos desapontados com o resultado de sua eleição se consolavam um dia depois da reeleição de George W. Bush. A mídia detectou dois segmentos que teriam dado a vitória ao Partido Republicano: os hispânicos e os evangélicos. Os hispânicos são geralmente pró-democratas. Mas já em 2000 Bush havia conseguido 35% de seus votos; e em 2004 obteve 44%, usando os chamados “valores morais” como maneira de penetrar mais a fundo nesse eleitorado.



Os evangélicos nos Estados Unidos são muito numerosos, mas divididos por raça. Segundo uma pesquisa de abril de 2004, eles constituem 23% da população, sendo que 74% deles são brancos. Entre os evangélicos brancos, 74% declaravam que votariam em Bush e somente 23%, no democrata John Kerry. Em contrapartida, evangélicos negros eram favoráveis a Kerry por uma margem ainda maior, enquanto os evangélicos hispânicos ficavam entre os seus irmãos brancos e negros.

Então, quando a mídia diz que “os evangélicos elegeram Bush”, está falando dos evangélicos brancos. Eles votaram motivados principalmente por duas questões: o aborto (uma questão antiga na política americana) e o casamento gay (uma questão nova).

O Partido Democrata não percebeu a importância do voto evangélico e das convicções profundas que o motivaram. A revista evangélica Sojourners, que é politicamente de esquerda, admitiu, frustrada, antes da eleição, que os democratas não compreendem quão fundamental é a convicção, para milhões de cristãos, a respeito do aborto, inclusive para muitos evangélicos e católicos que são ativistas em questões de paz e justiça [...]. A hierarquia católica americana tem falado de uma “ética pró-vida consistente”, que vincula todas as “questões de vida”, como aborto, eutanásia, pena de morte, armas nucleares, pobreza e racismo.

Como conclui Sojourners, nos Estados Unidos hoje não existe uma opção eleitoral consistentemente pró-vida, pois os republicanos enfatizam algumas questões e os democratas, outras. Mesmo assim, ganha força nos meios evangélicos (brancos!) a convicção de que o verdadeiro cristão só poderia votar em Bush.

As convicções de uma grande parcela da comunidade cristã devem ser sempre tratadas com respeito, sobretudo quando as questões mais em evidência não afetam os cristãos brasileiros na mesma intensidade (já que no Brasil o aborto é ilegal em quase todas as circunstâncias e o casamento gay ainda não está sendo implementado). Mesmo assim, temos o direito de perguntar se a nova importância política que os evangélicos americanos conquistaram é boa para o mundo e para a comunidade evangélica mundial. Podemos iniciar a nossa análise com duas histórias.

Estou passando uma temporada nos Estados Unidos, lecionando sociologia no Estado de Michigan, que fica no norte. Michigan votou em John Kerry. Mesmo assim, pude presenciar a força dos sentimentos evangélicos pró-Bush. Dois dias após a eleição, fui convidado a participar de um jantar, cuja finalidade era levantar fundos para uma missão americana que trabalha praticamente no mundo inteiro. Havia umas duzentas pessoas presentes. Para meu espanto, a primeira coisa que aconteceu foi que o mestre-de-cerimônias, o pastor de uma mega-igreja, disse radiante: “Deus fez coisas incríveis no nosso país nestes últimos dias. Os Estados Unidos têm um papel especial na evangelização mundial e por isso Deus nos deu uma extensão da graça.” Em seguida, foi tocada uma música patriótica norte-americana, America, the Beautiful.

Quando me refiz do susto, fiquei pensando em várias coisas. Em primeiro lugar, que a associação, feita pelo pastor, entre a reeleição de Bush e a eficácia das missões americanas é bastante questionável. A política externa do governo Bush tem causado um grande prejuízo à imagem do povo norte-americano ao redor do mundo, e muitos missionários americanos têm sentido os efeitos negativos. Daria para argumentar, portanto, que a reeleição de Bush é ruim para as missões americanas. Em segundo lugar, pensei em como é natural, para muitos cristãos nos Estados Unidos, associar a evangelização mundial com o nacionalismo americano, uma associação antiga, mas que não deixa de chocar. E, em terceiro lugar, fiquei pasmo com a associação entre uma obra missionária e um determinado candidato a presidente. Creio que no Brasil poucas missões seriam tão abertamente partidárias, sobretudo num evento destinado a levantar fundos e no qual poderia haver pessoas que não tivessem votado naquele candidato. Essa partidarização da missão é chocante em qualquer circunstância, e mais ainda quando o candidato contemplado é bastante criticado no exterior, inclusive por evangélicos. Alguns dias depois, tive a oportunidade de comentar esse episódio com os dirigentes da missão. Eles me ouviram respeitosamente, concordaram em tese comigo, mas me asseguraram que, naquele jantar, “com certeza não havia nenhum eleitor de Kerry”! Longe de me tranqüilizar, essa resposta me deixou ainda mais preocupado.

Uma outra experiência me impressionou durante esse período eleitoral (essa é a primeira vez que observo de perto uma eleição norte-americana). Um mês antes da eleição, assisti a uma reunião de um grupo chamado “Pessoas de Fé com Kerry”. O público era religiosamente misto, mas a maioria era evangélica. Uma das pessoas presentes, a diretora nacional do grupo, me explicou que era a primeira vez que um candidato democrata à presidência organizava um comitê visando explicitamente o apoio de pessoas religiosas. Inclusive, ficou clara a falta de experiência. Quando falei de algumas experiências no Brasil, feitas pelo Movimento Evangélico Progressista (MEP) e pelos comitês pró-Lula desde 1989, as pessoas ficaram admiradas. Tive a sensação de estar falando de televisão em cores num país em que só houvesse preto-e-branco. Para muitos lá, parecia impossível quebrar o monopólio republicano no discurso sobre “fé” e “valores”. Mas o que mais me deprimiu foi ouvir alguns depoimentos. Uma pessoa lamentou: “meus filhos talvez nem possam viajar pelo mundo como eu fiz, por causa dos sentimentos anti-americanos”. Outra comentou que os estrangeiros ainda distinguem entre povo e governo americanos, e dão um desconto, dizendo que afinal Bush nem ganhou o voto popular em 2000; mas acrescentou emocionada: “Se Bush for reeleito agora, depois de tudo que aconteceu, ninguém mais dará esse desconto.”

Agora sabemos que a reeleição aconteceu e que os evangélicos tiveram um papel importante nela. Por quê? Um fator foi a controvérsia sobre o casamento gay. Já em 2003 o presidente Bush havia marcado posição, dizendo que apoiava uma emenda constitucional restringindo o casamento a uniões entre um homem e uma mulher. Mas, tradicionalmente, nos Estados Unidos, leis sobre casamento são prerrogativas dos Estados, ciosos de seus direitos. John Kerry disse que também entendia o casamento como a união de um homem e uma mulher, mas que os Estados deveriam ter autonomia para estabelecer suas próprias leis a respeito. Enquanto isso, o vice-presidente Dick Cheney destoou abertamente da linha de Bush, tendendo claramente a favorecer o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Mas o fato de que Cheney fica, como dizem, “a uma batida de coração da presidência” não preocupou a maioria evangélica. Os republicanos perceberam a sua chance e, sabiamente, incluíram em onze Estados plebiscitos propondo emendas às Constituições Estaduais definindo o casamento como exclusivamente entre um homem e uma mulher. Muitos desses Estados estavam indecisos, ou seja, não estava claro que candidato levaria os votos daquele Estado para o colégio eleitoral que (no sistema americano) elege o presidente. As emendas sobre o casamento gay teriam ajudado a levar mais alguns cristãos conservadores às urnas (o voto nos Estados Unidos é opcional, e muitos não votam); e, já que estavam lá, também votaram em George Bush.

Mas a questão que mais motivou o voto evangélico foi, sem dúvida, a do aborto. Legalizado por decisão da Suprema Corte em 1973, o aborto é o tema que mais causou a politização da fé evangélica nos Estados Unidos. Desde 1980, o principal argumento para convencer evangélicos a votarem nos candidatos presidenciais republicanos é que estes são mais favoráveis à posição antiaborto do que os candidatos democratas. Para muitos evangélicos, a questão do aborto é suficiente para determinar seu voto: votarão no candidato mais propenso a abolir (ou pelo menos restringir) o aborto, seja por meio da legislação, seja por meio de nomeações à Suprema Corte de juízes que queiram reverter a decisão de 1973.

Neste artigo, não se trata de avaliar a questão do aborto, seja do ponto de vista moral, seja do ponto de vista da legislação. Trata-se de avaliar o efeito de votar em eleições presidenciais no país mais poderoso do planeta, com base em uma única questão, o aborto.

Em primeiro lugar, vale perguntar se é responsável votar assim. Após 24 anos votando em candidatos republicanos somente por causa do aborto, e 16 anos de presidência republicana (oito de Reagan, quatro de Bush pai e quatro de Bush filho), o aborto continua legal. Além disso, o número de abortos realizados aumentou sob Reagan e Bush pai, caiu durante a presidência do democrata Bill Clinton e voltou a subir na era Bush filho. Temos de perguntar, então, pela lógica de votar tanto tempo com base em uma única questão, que não foi resolvida, enquanto todas as outras questões políticas (a política econômica, a saúde, a educação, o meio ambiente, a política externa etc.) foram ignoradas por esses eleitores. Por que eles não se sentem responsáveis diante de Deus por essas questões também?

Esse é o problema clássico da “política de questão única”, conhecida nos Estados Unidos como single-issue politics. Será que temos o direito de dizer que uma única questão pesa mais do que todas as outras possíveis questões políticas juntas? E, se sim, por quanto tempo temos o direito de ignorar todas as outras questões em função daquela única questão que não se resolve? Ainda, por que o aborto seria aquela questão e não, por exemplo, o meio ambiente? Afinal, se os alertas dos ambientalistas estiverem corretos, a raça inteira está em perigo, e nossos netos (se existirem) nos criticarão duramente por não termos agido a tempo.

Nada disso falo para minimizar a questão do aborto, que considero seriíssima. Mas votar é sempre uma negociação. Dificilmente achamos um candidato presidencial cuja plataforma e provável curso de ação coincidam inteiramente com o que desejamos, ainda mais num sistema bipartidário como o dos Estados Unidos. Quase sempre, cada candidato tem alguns pontos a favor e outros contra. Daí a necessidade de votarmos no relativamente melhor. Mas como fazer essa ponderação? Como atribuir pesos relativos a cada assunto e chegar a uma decisão? Não há solução fácil, pelo que devemos sempre evitar o dogmatismo (do tipo “quem vota em Fulano não pode ser um verdadeiro cristão”).

Em segundo lugar, a afirmação de ativistas antiaborto nos Estados Unidos (como falou o arcebispo católico de Denver na televisão) de que “nenhum outro assunto político pode ser comparado com a morte de 40 milhões de crianças por meio dos abortos nos últimos 30 anos”, pressupõe duas coisas: que se o aborto fosse ilegal não teria havido aborto nenhum entre 1973 e 2004 (quando provavelmente teriam ocorrido um número alto de abortos clandestinos); e que não teria havido mortes maternas em abortos clandestinos.

Em tudo isso, há outro debate a se levar em conta, embora poucos cristãos o façam: devemos agir na vida política motivados por uma ética de convicção ou por uma ética de responsabilidade? A ética de convicção diz que devemos fazer o que acreditamos, sejam quais forem as conseqüências. Por exemplo, mesmo sabendo que os nazistas estão matando milhões de judeus, um pacifista se recusará a lutar, dizendo que a provável conseqüência de sua decisão (a morte de mais judeus) não deve influenciar seus cálculos, pois ele age apenas segundo as suas convicções. Já uma ética de responsabilidade diz que devemos levar em conta as conseqüências previsíveis das nossas decisões políticas; nesse caso, o pacifista se sentirá parcialmente responsável pelas mortes adicionais de judeus. Geralmente, todos nós cobramos de nossos políticos uma postura de responsabilidade. Quero frisar que não sou antipacifista, pois considero que há problemas iguais ou maiores em relação ao conceito cristão de “guerra justa”. O que quero dizer é que, no caso dos eleitores americanos e o aborto, há espaço para uma discordância genuína sobre a maneira de votar. A idéia que predomina entre muitos evangélicos americanos, de que o cristão tem de apoiar o presidente Bush por causa do aborto, é questionável. Entre um candidato antiaborto, mas pró-guerra, pró-ricos, pró-pena de morte e antidefesa do meio ambiente, e um outro candidato que é melhor em todas essas coisas mas deixará que a lei do aborto continue como está... — será que um cristão não pode julgar que é legítimo votar no segundo candidato?

A realidade é que o aborto tem sido usado por políticos espertos do Partido Republicano, que sabem que é um atalho conveniente para mobilizar uma infantaria de eleitores e militantes, muitos dos quais não se importam com as outras questões que realmente interessam aos líderes partidários. Se eu fosse um líder republicano, estaria “orando” para que a questão do aborto nunca fosse resolvida, porque aí o partido perderia boa parte de sua capacidade de mobilizar os evangélicos.

Mas nem sempre os evangélicos são motivados somente pelas questões do aborto e da homossexualidade. O presidente da Associação Nacional de Evangélicos apoiou a invasão do Iraque (antes de ela acontecer), apesar da condenação quase unânime da invasão por parte de evangélicos do resto do mundo. Ele assinou uma carta aberta, em que afirmava: “devemos agir sozinhos se for necessário [...]. A ameaça das armas que o Iraque possui é realmente grave”. Em sua mega-igreja, no Colorado, apoiou Goerge Bush ostensivamente na eleição de 2004.

A pesquisa já citada, de abril de 2004, descobriu que os evangélicos brancos diferem da população geral naquilo que consideram “extremamente importante” na política externa. Eles são mais interessados do que o americano médio em “manter a América forte” (ou seja, altos gastos militares), em “enviar tropas para outros países que sejam ameaça potencial para os Estados Unidos” e em “apoiar Israel”. Mas eles são menos interessados do que a média em “lutar globalmente contra doenças” como aids e tuberculose, em “combater o aquecimento global e outras ameaças ambientais” e em “ajudar a melhorar o padrão de vida das nações menos desenvolvidas”! É um retrato deprimente de uma comunidade cristã militarista, nacionalista e indiferente perante os problemas que mais afetam o resto da humanidade.

Existem, é claro, vozes discordantes dentro da comunidade evangélica branca. Tenho tido o privilégio de conhecer muitas dessas vozes e sentir a sua dor profunda. Nos dias depois da eleição, muitos americanos ficaram extremamente deprimidos, lamentando não só pelo seu próprio país, mas pelo mundo. Um deles afirmou:

[A direita cristã] diz que as únicas questões de “valores” são coisas como o casamento gay e o aborto. Eles se esquecem de tudo que a Bíblia fala sobre a prioridade dos pobres, sobre os pacificadores, sobre respeitar a criação divina, sobre a imagem de Deus em todos os seres humanos [...]. Creio que aborto e casamento gay são questões importantes, mas não as únicas [...]. Precisamos de uma ética pró-vida coerente, que veja a destruição em guerras, a pena de morte e o escândalo da pobreza global como também questões profundamente morais.

Mas creio que uma coisa tem faltado para essa minoria evangélica discordante. Eles não se organizaram na esfera propriamente política, e assim cederam o campo à direita cristã. O que falta é um MEP! Falta organizar-se e enfrentar a luta ideológica contra a direita evangélica, que se apropriou indevidamente do monopólio da “política verdadeiramente cristã”, causando danos imensos à imagem dos evangélicos ao redor do mundo. Talvez eles possam até aprender alguma coisa da experiência brasileira (a maior comunidade evangélica praticante do mundo, depois dos Estados Unidos!). Além dessa nobre minoria evangélica branca, outro público natural para um “MEP americano” seriam os evangélicos negros e, em boa parte, ainda, os hispânicos. O problema é que, no sistema bipartidário, tal iniciativa seria inevitavelmente associada ao Partido Democrata, o qual tem sido resistente a tais iniciativas por causa de alguns segmentos de base presos a um fundamentalismo secularista. Mas, na depressão pós-derrota, o partido inicia um debate interno, com alguns líderes exigindo que ele se desfaça de sua imagem secularista e abra espaço nas suas convenções para conferencistas “anti-escolha” na questão do aborto.

Quanto ao segundo governo Bush, as opiniões se dividem. Os líderes da direita religiosa afirmam que esta vez um presidente republicano vai realmente avançar substancialmente na questão do aborto e vai patrocinar uma emenda constitucional contra o casamento gay. Outros analistas duvidam. E os republicanos não-religiosos começam a reclamar do predomínio evangélico no partido. De qualquer forma, muito dependerá do andamento da guerra no Iraque. A maioria evangélica conservadora compartilha da incapacidade do atual governo de entender a diferença entre o poder “duro” (militar etc.) e o poder “mole” (a capacidade de ganhar corações e mentes ao redor do mundo). Não entendem que uma nação (mesmo a mais poderosa) pode atribuir-se o papel mundial que quiser (por exemplo, como “portadora da liberdade e da democracia”), mas se não for capaz de torná-lo plausível aos olhos da opinião mundial, muito pouco será realizado. Não sabem que a grande maioria evangélica global se opõe fortemente à atual política externa norte-americana. Quando são informados, muitos se recusam a refletir. Uma pessoa me disse depois de uma conferência que dei: “Não gostei de ouvir os comentários [de cristãos no Terceiro Mundo]; para mim, é ‘Deus abençoe a América’.” Da mesma forma, a Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, a maior denominação protestante do país, se retirou da Aliança Batista Mundial quando esta condenou a invasão do Iraque como “um grande pecado”. Parece que são incapazes de perceber que, além de americanos, são também cristãos e portanto membros de uma comunidade global que somente atingirá a maturidade em Cristo mediante um processo de aprendizado mútuo.

Nós evangélicos do resto do mundo teremos de viver com as conseqüências e orar para que sejam minimizadas. Devemos orar, também, pelos nossos bravos irmãos americanos (minoritários) que lutam contra esse seqüestro da fé evangélica. Devemos, também, ter a humildade de lembrar que ninguém tem monopólio de ignorância política ou de nacionalismo idólatra, mesmo que as nossas falhas afetem menos o mundo!

De qualquer maneira, fica claro que a igreja americana não pode ser, atualmente, exemplo para o mundo, não apenas por seu apoio a uma política externa nacionalista e belicosa, mas também porque o seu estilo de vida não poderia ser imitado (por razões ambientais) por todos os cristãos do mundo. Tenho refletido sobre frases de dois grandes cristãos de outrora. Primeiro, uma do fundador do metodismo, John Wesley, no século 18: “Onde quer que as riquezas aumentem [...] a essência da religião decai na mesma proporção [...]. Quando aumentam as riquezas, aumentam também o orgulho, a ira e o amor ao mundo”. E, depois, do grande romancista inglês G. K. Chesterton, de um século atrás:

Somente o cristianismo oferece uma objeção racional à confiança nos ricos [...]. [A frase de Cristo sobre o fundo de uma agulha significa que] os ricos provavelmente não são moralmente muito confiáveis [..., que] ser rico é estar em perigo moral excepcional. Certamente não é anticristão rebelar-se contra os ricos ou submeter-se aos ricos, mas com certeza é anticristão confiar nos ricos.




Paul Freston é doutor em sociologia e professor da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. Está inaugurando uma nova cátedra como professor de sociologia da religião no Calvin College, nos Estados Unidos. É autor de, entre outros, Evangélicos na Política Brasileira – história ambígua e desafios éticos.



O 11 de setembro e a reeleição de Bush

Bush não teria sido reeleito não fosse o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. Num comício realizado na Virgínia Ocidental, o presidente declarou: “Levanto-me todos os dias pensando em como proteger melhor o nosso país. Se mostrarmos dúvidas ou fraquezas nessa década, o mundo viverá uma tragédia. Mas isso não vai acontecer diante dos meus olhos”. Em outro discurso, Bush foi mais explícito: “Se vocês quiserem uma América mais segura e próspera, vocês têm de me dar a oportunidade de ficar mais quatro anos na Presidência”. Outra “profanação” da tragédia saiu da boca do senador Zell Miller: “Bush é a pessoa em quem confio para que minha família esteja segura”. Walter Kim, colaborador da New York Times Magazine, denunciou dramaticamente essa manipulação política do que aconteceu há três anos: “Para minha surpresa, quando decidi deixar tudo para trás [a lembrança do World Trade Center], os candidatos à Presidência (um deles em especial) me pediram que reavivasse a memória”. No mesmo artigo, Kim explica: “Se pudessem [os candidatos] fariam implantar um chip 11/9 em alguma camada do meu cérebro e o ativariam por controle remoto”.

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