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Especial — Triunfalismo escatológico

O mais otimista de todos os otimistas é menos otimista que o pastor brasileiro Ouriel de Jesus! Ele tem certeza de que aquela promessa de Isaías (64.4) que Paulo citou na Primeira Epístola aos Coríntios (2.9) está se cumprindo. O que olho nenhum via, agora pode ver; o que ouvido nenhum ouvia, agora pode ouvir; o que mente nenhuma imaginava, agora pode ser até mesmo apalpado! Pois “o grande e último avivamento da Igreja do tempo do fim” teve início na igreja que ele pastoreia na cidade de Somerville, na região de Boston, capital do Estado de Massachusetts, fundada pelos puritanos ingleses em 1630.

Por causa desse avivamento vão acontecer coisas grandiosas que Ouriel de Jesus cita em seu livro “O Triunfo Eterno da Igreja”, lançado nos Estados Unidos em julho deste ano:

1. Haverá uma “manifestação do Pai, do Filho e do Espírito Santo jamais vista ou sonhada por alguém desde a criação do homem” (pp. 94 e 131).

2. A Igreja “se tornará detentora dos meios de comunicação mais abrangentes da época, dos meios de locomoção mais modernos e mais estruturados e de arenas e templos para poderem comportar e suportar o afluir das grandes multidões que diariamente estarão se locomovendo para buscarem o Senhor e o adorarem na beleza de sua santidade” (pp. 125 e 226).

3. Haverá milagres e maravilhas “jamais vistos em toda a história da humanidade”, entre eles curas espetaculares de toda sorte de enfermidades, curáveis ou incuráveis pela medicina. Doenças emocionais e mentais deixarão de existir. A cura poderá ocorrer por meio de um olhar, de uma palavra e até mesmo por um gesto de adoração (p. 109). O número de mortos ressuscitados nos quatro cantos da terra para glorificar a Deus e atrair multidões será maior do que em qualquer outra época (pp. 60, 80, 97, 109, 159, 228 e 263).

4. “O Espírito Santo será derramado em proporção sem igual como nunca antes na face da terra” (p. 79). “Essa dimensão da unção do Espírito Santo e a medida desse derramamento não terão limites” (p. 138).

5. “A unção do sangue do Filho será manifestada de uma forma tão poderosa que purificará, salvará e libertará a maior quantidade de almas de toda a história da existência humana” (p. 137). Acontecerá então “a maior colheita de almas de todos os tempos” (p. 151). “Os novos convertidos serão a maioria absoluta” (p. 46).

6. “Esses novos convertidos virão livres de contaminação, de contradições, de costumes, de heresias, de politicagens e de tradições”. Eles se mostrarão “despreocupados com posições, títulos e aplausos de homens. Estarão somente preocupados em fazer a vontade do Pai, permitindo assim que os sonhos do Filho e os propósitos do Espírito Santo sejam concretizados” (pp. 46 e 62). Haverá uma santidade tal, uma pureza tal, uma gratidão tal, uma humildade tal, uma glória tal, uma unção tal e uma graça tal que serão notáveis “pelos que os cercam e pelos que os observam” (pp. 173, 174).

7. O inferno será humilhado como nunca antes por causa da autoridade da Palavra Viva chamada Jesus Cristo, manifestado no meio do seu povo (p. 97). “As bênçãos imediatas da fé resultarão na desestabilização do reino das trevas de modo nunca visto antes, eliminando, assim, o poderio por ele usado para atrair a humanidade” (p. 60).

8. “As experiências com a presença manifesta do Pai excederão as manifestações que ocorreram no tempo dos apóstolos, profetas, reis, sacerdotes, juízes e patriarcas” (pp. 146 e 150).

9. Nações inteiras serão levadas ao arrependimento (p. 265). “Haverá mudanças nos calendários de muitas nações: datas abomináveis serão substituídas por datas que não desrespeitarão a Deus e ignorarão os deuses estranhos. As datas que prevalecerão serão datas que glorificarão a Deus” (p. 249). “Os santos atingirão todas as tribos, povos, línguas e nações da terra, pois reis, nobres, presidentes, governadores e prefeitos tomarão conhecimento da grandiosidade da bondade revelada pelo Deus dos Céus. Muitos virão e se renderão e adorarão a Deus eternamente” (p. 285).

10. “Haverá mudanças climáticas em várias partes da terra. Leitos de rios voltarão a se encher e terras secas se transformarão em mananciais de águas. Muitas áreas anteriormente desérticas se tornarão em lugares frutíferos” (p. 269).

11. A Igreja alcançará a maior glória e as maiores bênçãos (p. 49). Viverá os melhores e os maiores momentos de sua existência (p. 51). Mudará o curso da história (pp. 87, 100 e 326). Provocará “impactos grandiosos em áreas sociais, religiosas, políticas, jurídicas e espirituais” (p. 82). “Terá poder absoluto no mundo espiritual” e “em tudo ultrapassará aquilo que os homens podem imaginar ou pensar e até mesmo muito mais do que aquilo que eles buscaram ao longo dos anos” (p. 121). Receberá bênçãos “tão altas, tão grandes e tão abrangentes que surpreenderão não somente os santos que estiverem militando na terra, mas também os santos que estão no Paraíso esperando o grande dia do soar da última trombeta”. Surpreenderão também “países, nações e impérios” e “gerações inteiras” (p. 122).

12. Os seres angelicais, até então ignorados, desprezados e limitados, exercerão um ministério notório (p. 80). Aquela palavra de Jesus a Natanael se cumprirá: “Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (Jo 1.51). “As miríades e miríades de anjos, arcanjos, querubins e serafins gozarão de uma comunhão e intimidade com os santos da igreja e os santos com eles.” Como conseqüência, “os santos tomarão conhecimento das missões dos seres angelicais, seus nomes, suas funções” (p. 275).

13. “A Igreja não terá falta de nada, pois as bênçãos do Senhor enriquecem. De sorte que, até em países carentes e pobres, a Igreja será rica e próspera, pois os ricos e poderosos serão alcançados pelo poder do evangelho naqueles lugares” (p. 126). “O coração e a alma das multidões estarão voltados para a contribuição devido ao conhecimento que terão nos dias que antecedem o rapto [arrebatamento] da Igreja. Isto trará às igrejas um enriquecimento material nunca visto antes” e “através dessas riquezas materiais, a Igreja fará a grande obra do tempo do fim com o que há de melhor em termos materiais sobre a face da terra” (p. 125). “As organizações mundiais reconhecerão que a Igreja tem o padrão de vida mais elevado da humanidade como, também, a última palavra” (p. 231).

Segundo Ouriel de Jesus, esses acontecimentos mais do que fantásticos ocorrerão a partir de agora, mais precisamente do dia 14 de setembro de 2001 em diante (p. 21), na vigência do capítulo da história que ele chama de “O grande e último avivamento do tempo do fim”, que “culminará ao soar da última trombeta, no arrebatamento da Noiva do Cordeiro” (p. 197).

A euforia escatológica da Assembléia de Deus em Boston, todavia, não bate com a escatologia de Jesus e dos apóstolos. Para o longo período espremido entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, não há nenhuma previsão de acontecimentos triunfalistas. Certamente as portas do inferno não poderão vencer a Igreja de Jesus Cristo (Mt 16.18) e o evangelho “será pregado em todo o mundo” (Mt 24.14). Mas sempre com suor, lágrimas e sangue. Do início ao fim, o número de crentes será pequeno e não grande. Duas vezes Jesus se referiu à teologia da minoria. A primeira vez foi no Sermão da Montanha: “Estreita é a porta e apertado é o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela” (Mt 7.14). A segunda foi na parábola do juiz iníquo: “Quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.8). Esse período que antecede a volta de Jesus em poder e muita glória é chamado de “últimos dias” (2 Tm 3.1; 2 Pe 3.3) ou “últimos tempos” (1 Tm 4.1; Jd 18). À luz desses textos não há lugar para a euforia (“sensação de perfeito bem-estar”) nem para o triunfalismo (“sentimento exagerado de triunfo”) de Ouriel de Jesus, mesmo que um anjo dos céus lhe tenha revelado tais coisas (Gl 1.8). A longa lista de acontecimentos mirabolantes de Ouriel não combina com a lista de desafios elaborada pelos apóstolos:

Nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios (1 Tm 4.1).

Nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão... mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder (2 Tm 3.1-5).

Nos últimos dias surgirão escarnecedores zombando e seguindo suas próprias paixões (2 Pe 3.2).

Lembrem-se do que foi predito pelos apóstolos do nosso Senhor Jesus Cristo. Eles diziam a vocês: “Nos últimos tempos haverá zombadores que seguirão os seus próprios desejos ímpios” (Jd 17,18).

O triunfalismo nasce na ingenuidade e alimenta-se na soberba, mas sempre termina em tragédia. O melhor exemplo é o de Pedro: “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei” (Mt 26.33).

A médio e longo prazo, o triunfalismo escatológico de Boston vai afastar muita gente do evangelho, como fez o destempero das cruzadas nos séculos 11, 12 e 13. O fanatismo religioso é o combustível da incredulidade!



É proibido questionar o pessoal de Boston

O prólogo de “O Triunfo Eterno da Igreja” garante que o livro “não tem o propósito ou a pretensão de se comparar ou substituir a Bíblia Sagrada” nem “servirá de base para o estabelecimento de uma nova doutrina, visto que a doutrina apostólica é única, universal e insubstituível” (p. 16).

Porém, há um problema. Na prática, o livro publicado pela Assembléia de Deus em Boston pretende alcançar o mesmo “status” das Sagradas Escrituras no que diz respeito à sua autenticidade e autoridade. Os membros do grupo de oração da mencionada igreja afirmam que eles apenas tomaram conhecimento, por meios sobrenaturais, dos mistérios de Deus, antes revelados exclusivamente a Daniel, João e Paulo, passando-os da língua celestial para a língua humana. A partir dessa premissa, então é razoável que eles façam as seguintes recomendações com certo sabor de ameaça:



As revelações alcançadas pelo exercício da fé não podem ser questionadas pela razão ou pelo intelecto humanos, pois o questionamento e a busca da lógica eliminam a possibilidade de uma atitude de fé e a contaminam tentando anular as revelações de Deus recebidas através da fé. (p. 42)



Aos santos é aconselhado não dar lugar ao espírito de incredulidade para que as suas vestes não venham a ser manchadas. (p. 95)



[Os que mancharem suas vestes com a murmuração] e outros até mesmo chegarão a perder a sua própria salvação visto que, com suas calúnias e mentiras contra esse grande e último avivamento, terão feito com que suas almas se perdessem. (p. 95)



Será essa dimensão da glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo na Igreja no tempo do fim que impactará o mundo trazendo vergonha, tortura e descrédito sobre todos aqueles que se levantarem contra o avivamento do tempo do fim. (p. 152)

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