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Especial — O suicídio do bom senso

Quando algum líder religioso, alguma igreja ou algum movimento reformista ou reavivalista chama o bom senso de entrave, de resistência, de incredulidade, de pecado — é preciso tomar muito cuidado. Essa é a nascente do escândalo, do divisionismo (movido pela carne e não pelo zelo) e da heresia. A ditadura religiosa é a pior de todas as ditaduras.

Quando humilde e desprovida de interesse pessoal, a resistência é uma bênção. A Reforma e a Contra-Reforma arrancaram a Igreja de um mar de lama na primeira metade do século 16. Para tanto foi necessário enfrentar corajosamente quase todos os sete chamados chefes da igreja da época, a começar com o papa da descoberta do Brasil, Alexandre VI, que reinou de 1492 a 1503. Muitos homens notáveis deram a sua vida antes, durante e depois da Reforma. Nunca é demais lembrar que Paulo enfrentou Pedro “face a face” e “diante de todos” por sua atitude condenável “de obrigar os gentios a viverem como os judeus” (Gl 2.11-14). E Pedro era mais velho na fé do que Paulo, que nunca conviveu com Jesus e que, no princípio, era o mais perigoso opositor dos cristãos.

Quando algum neopentecostal ou reavivalista aconselha a soltura total diante de Deus como condição “sine qua non” para obter o batismo do Espírito e começa a ministrar ao neófito a técnica de falar em línguas, estamos diante de um absurdo. Se é dom, o falar em línguas não pode ser ministrado. A plena submissão é de fato requerida, mas ela não inclui a renúncia do bom senso. É a inconveniente e perigosa renúncia do bom senso e do equilíbrio que explica a presença histórica de ensinos e comportamentos espúrios, que empobrecem e desvirtuam os avivamentos religiosos, embora não os impeçam nem os danifiquem por completo. O historiador Welliston Walker lembra que, no clima emocional do início do século 19, insuflado por despertamentos religiosos, surgiram também “vários movimentos que representam significativos afastamentos ou distorções do modelo protestante evangélico”. (“História da Igreja Cristã”. v. 2, p. 279.)

O que significa o verbo “vigiar” nas palavras de Jesus e dos apóstolos? O que o “Aurélio” diz — “observar atentamente”, “estar atento”, “tomar cuidado”, “estar acordado”, precaver-se”, “acautelar-se” — combina com o contexto da exortação de Paulo aos presbíteros de Éfeso. Primeiro o apóstolo explica: “sei que, depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos”. Só então ele conclui: “Por isso, vigiem!” (At 20.29-31). A Nova Versão Internacional não usa o verbo vigiar nas passagens de Efésios 6.18, Colossenses 4.2 e 1 Tessalonicenses 5.6. Prefere os sinônimos “estejam atentos” e “estejam alerta”. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje registra: “Não vamos ficar dormindo, como os outros, mas vamos estar acordados e em nosso perfeito juízo” (1 Ts 5.6).

Não devemos ouvir qualquer voz que pretensamente fale da parte de Deus ou das coisas de Deus. João discorre abertamente sobre isso:

“Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1 Jo 4.1).

Paulo já dera conselho parecido:

“Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros julguem “cuidadosamente” o que foi dito” (1 Co 14.29).

Para vigiar, para estar atento e alerta, para examinar e julgar, precisamos fazer uso do pensamento, do raciocínio, da observação, do bom senso, da história. Esse exercício não significa obrigatoriamente falta de fé. Não é pecado. Muito pelo contrário, é virtude. Basta ler o comentário do primeiro historiador da Igreja:

“Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem [de Paulo] com grande interesse, “examinando” todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo” (At 17.11).

Portanto, é preciso ficar de orelha em pé para não ceder lugar a equívoco algum. Temos de dar o nosso voto contra o suicídio do bom senso!

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