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A máquina que faz a guerra

A máquina que faz a guerra é inteligente e lança mão de todos os recursos possíveis. Ela não tem escrúpulos nem sentimentos. Consegue o que pretende, não importa os métodos de que faz uso. Entre os expedientes de que ela se vale, é oportuno mencionar os seguintes:



1. O controle da imprensa

Na época da Primeira Grande Guerra, tanto na Alemanha como na Inglaterra, a imprensa estava sob a censura do Estado. Os sucessos bélicos de um e de outro lado eram sistematicamente exagerados e os reveses eram diminuídos. Por exemplo, os jornais alemães noticiaram que o número de mortos e feridos até novembro de 1914 perfazia umas poucas centenas quando, na verdade, eram muitos milhares (55 mil homens). Alguns meses antes (agosto de 1914), Winston Churchill anunciou na Câmara dos Comuns a criação de uma agência para censurar a imprensa e emitir “toda informação relativa à guerra que o Departamento de Estado julgasse conveniente”.

Cada nação fazia de tudo para favorecer o seu lado. Na noite de 4 de agosto de 1914, o navio inglês Telconia conseguiu cortar os cabos submarinos que ligavam Hamburgo a Nova York. No ano seguinte, os imigrantes alemães radicados nos EUA e outros simpatizantes germânicos receberam fundos secretos para comprar o jornal New York Mail e colocá-lo a serviço da causa que defendiam. A Inglaterra distribuía fotografias gratuitas da guerra ao jornais americanos e do mundo inteiro. Explorava-se o quanto possível cenas dramáticas, como o afundamento do Lusitânia e a execução da enfermeira Edith Cavell, condenada pelos alemães por ajudar na fuga de soldados aliados. Para denegrir a Alemanha, a agência britânica fundada por Churchill fez publicar e traduzir para cerca de trinta línguas o Relatório Bryce, a respeito da conduta dos alemães na Bélgica.




2. O uso da religião

Um dos cartazes de recrutamento inglês mostrava um cavaleiro cruzado lutando contra um dragão. A mensagem era óbvia: a Inglaterra precisava de valentes guerreiros cristãos para liberar o mundo da heresia e perversidade inimiga (não a própria). Logo no início da Primeira Grande Guerra, o hino oficial da Inglaterra — God Save the King (cantado com outra letra até hoje nas igrejas protestantes) — passou a ser entoado na sessões de teatro e cinema. Outro hino religioso — Land of Hope and Glory — tornou-se o segundo hino nacional. Alguns clérigos, em seus sermões, exortavam os jovens a se engajarem no Exército britânico.

Em 1935, quatro anos antes de estourar a Segunda Grande Guerra, o monsenhor Augusto Moglioni, da Itália, escreveu uma comprometedora oração:

Somos nós — a Itália, gente de muitas vidas —, hoje unidos com o Pontífice, que vos suplicamos que as exigências e as necessidades, as aspirações e as esperanças de nossa pátria sejam reconhecidas. Mas povos se agitam contra nós, ó Deus! Uma nação fariséia e pérfida restituiu os escravos dos povos e os instigou contra nós, contra os desejos do Pai comum. Ah! Deus, insurgi-vos contra eles, despedaçai-os e destruí os seus vãos e malvados projetos. Eis a nossa pátria, ó Deus, por obra do nosso Duce transformada em farol de luz no mundo, elevada a baluarte, a símbolo de ordem, de disciplina, de unidade nacional, de justiça e paz religiosa, diante de outras nações que, hoje, enfim, puseram a nu toda a sua desordem, toda a sua perversidade, a sua presunção ridícula. Ah! Bendizei esta Itália, ó Senhor, e fazei com que triunfe insubordinadamente no mundo agora e sempre. O nosso triunfo, ó Deus, é o vosso triunfo. O vosso vicário na terra está conosco... Vós estais conosco e, se Deus está conosco, quem pode estar contra nós?...

No final da oração, o monsenhor se refere a Benito Mussolini, então chefe (duce) do Partido Fascista e da Itália (desde 1925), de 52 anos, como dom de Deus, e suplica:

Circundai, ó Senhor, o nosso Duce com vossa onipotência, para que não ceda uma unha... e triunfe totalmente sobre os inimigos, sobre o inimigo da Itália e da Europa.




3. A lista das justificativas

Logo após o afundamento do Lusitânia, a revista inglesa Times, para obter o apoio dos americanos, publicou: “A única maneira de restaurar a paz no mundo e de acabar com a ameaça é levar a guerra para dentro da Alemanha”.

Tanto na guerra de 1914 como na guerra de 1939, dizia-se: “É melhor um fim no terror do que um terror sem fim!”

Por volta de 1905, o conde Alfred von Schlieffen, chefe do Estado-Maior, analisou assim a situação da Alemanha: “Numa guerra contra França e Rússia, o objetivo dos alemães deveria ser dominar um dos inimigos antes que fossem atacados pelos dois”.

Nas reuniões que se realizaram no antigo palácio real de Versalhes, perto de Paris, de janeiro a junho de 1919, para transformar o armistício de novembro do ano anterior em um acordo duradouro, o presidente americano Woodrow Wilson explicou que os Estados Unidos não haviam lutado para salvar a França, mas “para redimir o mundo e torná-lo habitável para homens livres como nós”.

Um pouco antes da Segunda Grande Guerra, Hemann Goering, então responsável pela indústria de guerra da Alemanha, fez o seguinte pronunciamento em Hamburgo (em 1936):

O maior evento do ano que passou foi o nosso rearmamento. Se se perguntar: ‘o que a Alemanha fez pela paz mundial?’, responderemos: ‘Rearmou-se’. Não pretendemos tornar-nos uma segunda Abissínia. Transformamo-nos numa grande potência. Fomos, uma vez, a bigorna para cem martelos. Agora somos um martelo.




4. A manipulação da história

Um dos objetivos do ensino de história é desenvolver o patriotismo. Em quase todos os países, a história pátria é escrita e ministrada de tal modo que as crianças passam a amar e respeitar sua terra, sua gente e seus heróis.

Na época de Hitler e Mussolini, os livros escolares da Alemanha e Itália foram revistos às pressas para darem sustentação ao nazismo e ao fascismo.




5. Mentiras deslavadas

Antes de estourar a Primeira Grande Guerra explicava-se que a guerra seria “uma espécie de operação cirúrgica no corpo podre de uma sociedade corrompida pelo materialismo e pela complacência. De sob a faca emergiria uma sociedade nova, jovem e melhor.” O poeta inglês Wilfred Owen escreveu sobre “a necessidade de semear para a nova Primavera, sendo de sangue a semente”. A guerra de 1914 seria “a guerra para terminar com as guerras”. A caminho do poder, Mussolini fez promessas eleitoreiras: “A Itália está querendo paz e repouso, trabalho e calma. Eu lhe darei isto, se possível com amor, e, se necessário, à força.”

Quatro anos antes de invadir a Polônia, o que deu início à Segunda Grande Guerra, Adolf Hitler declarou:

Quando falo de paz não faço nada mais do que dar expressão ao desejo mais profundo e sincero do povo alemão. Conheço muito bem os horrores da guerra. Nenhum lucro justificaria os sacrifícios e sofrimentos que a guerra provoca. E os resultados de outra carnificina européia generalizada seriam ainda mais catastróficas no futuro do que o foram no passado... Duas coisas devem ficar claras: 1) a Alemanha nunca tomará a iniciativa de uma guerra; 2) mas, se alguém nos atacar, cairá num ninho de vespas — pois amamos a liberdade tanto quanto a paz.

Ao mesmo tempo, o Führe (chefe) não escondia o que estava em sua mente:

Não acredito que possa haver paz entre as nações antes que todas tenham a mesma lei e o mesmo sistema jurídico. Por isso é que espero que o nacional-socialismo um dia se estenda ao mundo. Não se trata de um sonho fantástico, mas de um objetivo atingível.

Dez anos antes desse discurso, proferido em Munique, em março de 1936, Hitler já havia escrito no Mein Kampf (Minha Luta):

Quem deseja a vitória da concepção pacifista deve devotar-se à conquista do mundo pelos alemães. [...] Na verdade, a idéia pacifista-humanitária talvez seja excelente no dia em que o homem (a raça) superior tiver subjugado o mundo.




6. Pressões emocionais

Era quase impossível não ceder à pressão. As bandas marciais percorriam as ruas da Inglaterra executando marchas para virar a cabeça dos jovens e levá-los ao alistamento militar. Para dar mais força ao expediente, os decididos punham-se atrás dos músicos e marchavam com eles até o oficial responsável pelo recrutamento.

As mocinhas eram instruídas a obsequiar com penas brancas os jovens em traje civil que encontrassem pela frente. A idéia foi de um almirante. A pena branca era uma marcação, um espécie de marca da besta.

Pior ainda era a Liga das Mulheres do Serviço Ativo Inglês, fundada pela romancista baronesa Orczy. Ela chegou a arrolar 10 mil mulheres que se comprometeram a não se envolver com nenhum homem recrutável que não estivesse engajado no exército. Para não morrer de fome de amor e de sexo, a rapaziada acabava se alistando.

Uma das canções mais entoadas naqueles dias era comovente. Dirigida à juventude, a letra dizia: “Não queremos perdê-lo, mas achamos que você deve ir”.

As mulheres também deveriam dar a sua contribuição. Para cada soldado eram necessários pelo menos três operários civis. Em julho de 1918, havia 1,3 milhão de mulheres a mais que em 1914 trabalhando nas fábricas, especialmente na indústria de munições na Grã-Bretanha. Sob a pressão do patriotismo e da guerra, as operárias das fábricas de explosivos trabalhavam em turnos de 12 horas, sete dias por semana. Para amarrar ainda mais as mulheres e a opinião pública, avisava-se: “Quem limitar uma mulher estará traindo namorados, maridos e irmãos em luta”. Uma operária dedicada à produção de munições “é tão importante quanto o soldado nas trincheiras e dela depende a vida dele”.

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