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Turbulência
Foi ali no cenáculo que Jesus falou aos seus discípulos: “Não se turbe o vosso coração” (Jo 14.1). Outras versões dizem: “Não se perturbe o vosso coração”. A Bíblia na Linguagem de Hoje registra: “Não fiquem tristes e preocupados”. A paráfrase da Bíblia Viva afirma: “Que os corações de vocês não fiquem aflitos”.
Embora menos usado, o verbo turbar parece ser mais próprio que o verbo perturbar. Turbar significa revolver, agitar, transtornar, inquietar, desassossegar, sentir grande comoção, abalar-se, tornar-se sombrio. E é tudo isso que Jesus está pedindo aos seus discípulos para não fazer.
O momento era muito próprio para um conselho desta natureza. Estavam todos perplexos com a revelação de que um dos doze estava traindo a Jesus e que esse apóstolo era Judas, cujo verdadeiro caráter ninguém conhecia até então. Estavam todos perplexos porque Jesus havia revelado que logo Pedro o negaria três vezes ainda naquela noite. Estavam todos perplexos porque Jesus lhes havia asseverado: “Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas” (Mt 26.31).
O pior, porém, estava para acontecer em seguida. Aquele que operava sinais extraordinários, que havia transformado água em vinho, que havia multiplicado pães e peixes, que havia acalmado o vento e as ondas do mar, aquele que curava toda sorte de enfermidade, que ressuscitava mortos, chamava de hipócritas os escribas e fariseus, pregava com autoridade, perdoava pecados, se aproximava de publicanos e pecadores, se apresentava como o enviado de Deus, aquele que escapou de ser preso e morto inúmeras vezes — seria entregue nas mãos dos homens para ser preso, zombado, espancado, humilhado e morto naquele mesmo dia. Na mente ainda tacanha e incrédula dos discípulos, isso interromperia o ministério triunfante de Jesus. Eles não estavam levando em consideração a ressurreição do Mestre ao terceiro dia, tantas vezes anunciada pelo próprio Senhor. Era essa omissão que tornava aquele período de turbulência extremamente difícil. Três dias depois, o Senhor ressuscitou, como havia dito, e aquela turbulência acabou.
Em meio a uma turbulência qualquer, daquele ou de outro porte, menor e mais suave, as palavras de Jesus devem ser levadas em consideração: “Não se turbe o vosso coração”.
Oitenta anos de gratidão
O encontro de Moisés com Faraó no momento da primeira praga deu-se às margens do rio Nilo. Naquela manhã, todas as águas do Egito foram transformadas em sangue (Êx 7.15).
O local do encontro era muito significativo para Moisés. Foi ali que a mãe dele o havia colocado oitenta anos antes, na esperança de que o filho, dentro de um cesto de junco, fosse encontrado e salvo pela filha de Faraó, que tinha o costume de banhar-se naquela praia fluvial (Êx 2.1-10).
Não sabemos ao certo se Moisés se entregou à memória. Mas que ele gostava de recordar fatos históricos, ninguém tenha dúvida. Basta ler o primeiro discurso que dirigiu ao povo no final do êxodo e pouco antes da ocupação da terra de Canaã. Ali ele narra vários e recentes episódios da história de Israel amarrando o passado com o presente e preparando os ouvintes para o futuro glorioso às portas (Dt 1.1-4, 40).
Talvez Moisés tenha se lembrado da mãe hebréia e da mãe egípcia, da mãe natural e da mãe adotiva, de Joquebede, tia de seu pai, e da princesa, filha de Faraó. Talvez tenha se lembrado daquele caudal enorme de cultura palaciana que recebeu por fazer parte da elite que governava o país mais progressista e poderoso da época (At 7.22). Talvez tenha se lembrado de suas lutas íntimas antes de ter a coragem de abdicar as glórias do Egito e os prazeres transitórios do pecado, para perfilar com seus irmãos oprimidos (Hb 11.24-26). Talvez tenha se lembrado daquela estranha arte de ver o invisível e de contemplar à distância o galardão que Deus costuma distribuir com os que vivem pela fé (Hb 11.27). Talvez tenha se lembrado de sua impetuosidade não domesticada que o fizera matar o egípcio que espancava um de seus parentes distantes (Êx 2.11, 12). Talvez tenha se lembrado da incompreensão dos hebreus e da ira de Faraó, depois daquele incidente (Êx 2.13-15). Talvez tenha se lembrado dos quarenta anos passados não na metrópole, mas na terra de Midiã, onde se casara, onde se tornara pai de dois meninos e onde trabalhara como pecuarista (Êx 2.15-22). Talvez tenha se lembrado do estranho fenômeno da sarça que se queimava e não se consumia, e daquele tremendo e decisivo encontro com Deus no monte Horebe, quando a vocação esquecida voltara à tona de modo irreversível (Êx 3.1-4.31).
Todas essas lembranças elucidavam porque Moisés estava ali à margem do rio Nilo à espera de Faraó, oitenta anos depois de ter sido descoberto pela princesa, e encheram o seu coração de gratidão e de determinação.
Teimosia
Nem toda teimosia é maléfica e eticamente incorreta. Há uma teimosia santa. É aquela que insiste em acreditar em Deus em toda e qualquer circunstância. Não há maior triunfo do que superar pela fé um transtorno qualquer, de pequena ou longa duração, até que se enxergue a luz no fim do túnel. Além de ser benéfica, essa modalidade de teimosia é uma virtude rara.
Veja-se, por exemplo, a teimosia do profeta Habacuque: “Ainda que as figueiras não produzam frutas, e as parreiras não dêem uvas; ainda que não haja azeitonas para apanhar nem trigo para colher; ainda que não haja mais ovelhas nos campos nem gado nos currais, mesmo assim eu darei graças ao Deus Eterno e louvarei a Deus, o meu Senhor” (Hc 3.17, 18, BLH).
Veja-se também a conhecida e magistral teimosia do salmista: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4).
A expressão ainda que ou ainda quando, usada por Habacuque e por Davi, é muito enfática. Ela quer dizer que mesmo havendo alguma tragédia, grande ou pequena, isso não pode nem deve perturbar a paz daquele que está firmado no Senhor.
Aquele que é possuído por essa santa teimosia é capaz de adorar a Deus nos momentos humanamente menos indicados. Depois de perder todos os seus bens e os dez filhos, “Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1.20, 21.) A teimosia do homem da terra de Uz era devida à sua certeza: “Eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25). O rei Davi comportou-se da mesma maneira: depois da morte do filho, ele “se levantou da terra, lavou-se, ungiu-se, mudou de vestes, entrou na Casa do Senhor e adorou” (2 Sm 12.20).
Há certas passagens por demais apertadas pelas quais só conseguiremos passar de cabeça erguida se formos realmente teimosos na fé. É como explica o salmista: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam” (Sl 46.1-3).
A soberania de Deus
Todos podem e devem orar por cura e pela solução dos mais intrincados problemas de ordem pessoal. Mas a libertação não é para todos. Deus reserva a si a decisão de libertar ou não libertar. Ninguém pode impor coisa alguma a Ele.
Junto à Porta das Ovelhas, em Jerusalém, havia um tanque chamado Betesda, que tinha cinco entradas. Dizia-se que de vez em quando um anjo descia e revolvia a água. Então o primeiro que entrava no tanque era curado de qualquer enfermidade. Por essa razão ficavam por ali um grande número de pessoas doentes e inválidas: cegos, mancos e paralíticos. Um deles estava nesse lugar há 38 anos na esperança de ser curado de sua paralisia. Jesus o viu e o curou. Só a ele e a nenhum outro doente, embora fossem muitos e igualmente sofredores.
Mais tarde, Jesus lembra que no tempo de Elias havia muitas viúvas em Israel e “a nenhuma delas foi o profeta enviado, senão a uma viúva de Sarepta” (Lc 4.26). E no tempo de Eliseu havia muitos leprosos em Israel, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro” (Lc 4.27).
Por ocasião da primeira grande perseguição aos cristãos, Herodes fez passar ao fio da espada a Tiago, irmão de João, ambos filhos de Zebedeu. E quando pretendia fazer o mesmo com Pedro, Deus o livrou da prisão e da morte (At 12.1-19).
Por que Deus não curou outras viúvas, outros leprosos e outros enfermos junto ao tanque de Betesda? Por que não poupou Tiago das mãos de Herodes? Por que não curou o estômago e as freqüentes enfermidades de Timóteo (1 Tm 6.23)? Por que não curou Trófimo em Milero, antes da partida de Paulo (2 Tm 4.20)?
Não terá sido por falta de compaixão nem por falta de poder da parte de Deus, nem por falta de fé e santidade de vida da parte dos necessitados. Essa é uma pergunta sem resposta pessoal, pelo menos agora. Se o milagre acontecesse a cada momento e a todos os que sofrem, deixaria de ser milagre para ser algo corriqueiro. Deus não recebe ordens. Ele recebe súplicas, que são atendidas ou não, de acordo com a sua sabedoria e o livre exercício de sua soberania. Tudo isso valoriza o milagre, a graça, a oração e a autoridade de Deus.
Em suma, é preciso que você se curve diante da declaração de Jesus: “O Filho vivifica aqueles a quem quer” (Jo 5.21) e diante da soleníssima declaração do Pai: “Terei misericórdia de quem eu quiser; terei compaixão de quem eu desejar” (Rm 9.15, BLH).
O vinho acabou
É muito singela a história da transformação de 480 litros de água em vinho da melhor qualidade, acontecida durante os festejos de um casamento realizado em Caná da Galiléia, logo no início do ministério de Jesus. Sabedora do constrangimento pelo qual estava passando a família do noivo, a mãe de Jesus se aproximou dele e lhe disse: “O vinho acabou”. Depois, aproximando-se também dos desnorteados serventes lhes ordenou: “Façam o que Ele mandar”. A Jesus, Maria não deu ordem alguma. Apenas comunicou o fato: “Acabou o vinho”.
Aqui está um precioso modelo de oração. Embora Deus saiba de tudo que nos ocorre, é muito saudável mencionar nas preces as diferentes situações embaraçosas que nos acontecem, quase sempre de surpresa.
Em algumas situações, podemos procurar o Senhor e segredar-lhe humildemente: “Acabou o ânimo”, “Acabou o pão”, “Acabou a alegria”, “Acabou a paciência”, “Acabou a esperança”, “Acabaram os recursos”, “Acabou o amor” e assim por diante.
Essas são orações sem rodeio, que mencionam o âmago do problema, corajosas, sinceras, humildes. Essas orações significam uma exposição da alma, da angústia que está até então presa lá dentro. É uma confissão: “Acabou o vinho”.
Uma vez introduzido na questão alheia, Jesus age, dá ordens, toma providências. No caso das bodas de Caná, Ele mandou fazer duas coisas: “Encham de água os seis potes de pedra” e “Tirem um pouco de água destes potes e levem ao dirigente da festa” (Jo 2.1-12). Embora fosse apenas um convidado, e não o noivo nem o pai do noivo, nem o mestre de cerimônias nem um dos serventes, Jesus foi obedecido e a água se transformou em vinho, melhor que o anteriormente servido.
Se Jesus solucionou um problema de etiqueta social, não resolveria problemas mais sérios, envolvendo as necessidades físicas, as necessidades emocionais e as necessidades morais?
Você precisa da bem-aventurada ousadia para confessar sempre que necessário: “Acabou o vinho”!
Os portais do ânimo
O ânimo é bom em qualquer tempo, sobretudo em momentos de adversidade. Cobrar ânimo precisa ser um exercício contínuo. Armazenar ânimo é uma das providências mais sábias que você pode tomar. Nada se deve fazer sem ânimo. E o que se faz sem ânimo desgasta muito mais e nem sempre sai a contento.
Diz-se que o rei Asa, ao ouvir as palavras do profeta de Deus, cobrou ânimo. Em seguida, teve a coragem de lançar as abominações fora de toda a terra de Judá e de Benjamim e de renovar o altar do Senhor (2 Cr 15.8). O mesmo aconteceu com o rei Ezequias: “Ele cobrou ânimo, restaurou todo o muro quebrado e sobre ele ergueu torres” (2 Cr 32.5). O ânimo sempre gera ânimo. Ele é tão contagioso como o medo. Daí o registro: “O povo cobrou ânimo com as palavras de Ezequias” (2 Cr 32.8).
Obter mais coragem é uma atitude muito pessoal. Veja este exemplo: “No sétimo ano, Joiada se animou” (2 Cr 23.1). Porque se animou, o sacerdote Joiada promoveu uma extraordinária reforma religiosa em Jerusalém.
Um dos mais famosos casos de reanimação diz respeito à tripulação e aos passageiros de um navio que estava prestes a naufragar no Mediterrâneo. Eram ao todo 276 pessoas, que não comiam nem dormiam frente ao perigo de perderem as suas vidas. Um dos passageiros era o apóstolo Paulo, que, baseado numa clara promessa de Deus, procurou levantar o ânimo de todos. Apesar das circunstâncias esmagadoramente contrárias, “todos cobraram ânimo e se puseram também a comer” (At 27.36).
Em todos os exemplos mencionados, o ânimo veio depois de uma palavra profética. Isso concorda com aquela passagem de Paulo: “A fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). Os portais do ânimo são as Escrituras Sagradas. A leitura e a meditação da Palavra de Deus, quando freqüentes e regulares, geram ânimo durável e verdadeiro. Experimente!
Sensação de bem-estar
É preciso escolher entre sensação de bem-estar e impressão de bem-estar. São dois estados de espírito com certas semelhanças superficiais, mas, na realidade, muito diferentes. Há coisas que provocam mesmo uma real sensação de bem-estar e outras que provocam apenas uma impressão de bem-estar. A primeira é verdadeira; a segunda é mentirosa. A simples impressão de bem-estar, além de decepcionante, é até perigosa, pois “aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição” (Pv 1.22). O pastor da igreja em Laodicéia afirmava: “Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma”, sem saber, no entanto, que ele, na vida real, era infeliz, miserável, pobre, cego e nu (Ap 3.17).
Não haverá uma autêntica sensação de bem-estar se este sentimento depender de expedientes mecânicos, como a ingestão de álcool. Trata-se de uma euforia artificial, irreal e passageira. Depois, virá aquilo que se chama de ressaca, o efeito pós-anestésico do álcool, que inclui uma terrível auto-antipatia, além de dores e incômodos físicos.
Não haverá uma autêntica sensação de bem-estar se este sentimento depender exclusivamente de bens que satisfaçam as necessidades de recreio, de segurança financeira, de prosperidade social e intelectual. Jesus declarou conclusivamente que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4). Se não alimentarmos o espírito, se não tivermos comunhão com Deus, nos desgostaremos da própria vida, da eterna mesmice, da vaidade das possessões, da sabedoria, do trabalho, das riquezas. Concluiremos, como o autor de Eclesiastes, que “tudo é vaidade” (Ec 1.1-5). O homem total tem carência de pão, de conhecimento, de recreio, de trabalho, de sono, de amor e também de Deus, do infinito, do invisível, de eternidade. É uma questão de estrutura.
Não haverá uma autêntica sensação de bem-estar se este sentimento estiver na dependência exclusiva de bens que valem só para o período de vida que vai do berço ao túmulo. Ninguém conceberia uma nave espacial que apenas levasse o homem à Lua e não dispusesse de recursos outros para trazê-lo de volta à Terra. Assim, é loucura e motivo de insegurança cercarmo-nos de apetrechos úteis à vida atual e irrelevantes para a vida do além-túmulo. A muitos é difícil compreender plenamente que “a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15-21). Os que vivem na base do “comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (1 Co 15.32) só podem ter uma impressão de bem-estar, e nunca uma sensação de bem-estar. Que Deus o livre daquela e lhe dê esta.
O abraço da fé com o fato
Há certos problemas que exigem solução imediata. Um dos mais dramáticos é quando alguém está à beira da morte e precisa de cura.
A Bíblia conta a história de dois pais cujos filhos estavam nessa situação. Um deles era funcionário público e tinha um filho à morte (Jo 4.46-54). O outro era chefe de uma sinagoga e tinha uma filha única de doze anos também à morte (Lc 8.40-56).
No primeiro caso, o pai deixou o filho em estado muito grave com a mãe em Cafarnaum e foi atrás de Jesus em Caná da Galiléia, cerca de 20 quilômetros a sudoeste. Ao encontrá-lo, disse-lhe sem rodeios: “Senhor, desce antes que meu filho morra”. No segundo caso, o pai deixou a filha em estado igualmente grave com a mãe, foi ao encontro de Jesus e suplicou-lhe: “Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá”.
Ambos estavam com muita urgência, não poderiam permanecer numa fila de espera, pois a vida se esvaía depressa do corpo do menino e do corpo da menina. No caso do funcionário público, Jesus curou o seu filho à distância, ali mesmo em Caná da Galiléia. No caso do chefe da sinagoga, Jesus se dirigiu à casa dele para curar a menina. Mas, no caminho, havia uma multidão que o atravancava e uma mulher hemorrágica que também precisava de cura. Quando Ele se aproximava da casa de Jetro, chegou uma pessoa com a trágica notícia de que a filha já havia morrido. Todavia, Jesus acabou de chegar e a ressuscitou.
Embora só tenha visto o rapaz curado no dia seguinte, o funcionário público creu na palavra de Jesus antes de retornar a Cafarnaum. No meio do caminho entre Caná da Galiléia e Cafarnaum, ele se encontrou com seus servos, que lhe traziam a auspiciosa notícia da cura do filho. Então a fé e o fato se abraçaram. E o pai do menino ficou sabendo que ele havia começado a melhorar exatamente na tarde do dia anterior, no momento em que ele recorrera a Jesus.
Há pessoas que só acreditam depois de ver. Outras há que acreditam depois de ouvirem uma palavra de Jesus. Você precisa estar no segundo grupo, e não no primeiro!
Variações de comportamento
Em alguns salmos Davi proclama a sua integridade moral. Em outros, proclama os seus pecados. Ele é absolutamente honesto. Fala de suas vitórias e de suas derrotas.
Se o deixarmos testemunhar a respeito de sua performance nos caminhos do Senhor, Davi nos diria: “Deus me sondou o coração e me provou no fogo e iniqüidade nenhuma encontrou em mim. A minha boca não transgride. Os meus passos se afizeram às veredas do Senhor e os meus pés não resvalaram. Tenho guardado os caminhos do Senhor e não me apartei perversamente do meu Deus. Todos os seus juízos me estão presentes e não afastei de mim os seus preceitos. Também fui íntegro para com Ele e me guardei da iniqüidade. Tenho andado na minha integridade e confio no Senhor sem vacilar. Não me tenho assentado com homens falsos e com os dissimuladores não me associo. Lavo as mãos na inocência e assim ando ao redor do altar de Deus. O meu pé está firme em terreno plano”. (Sl 17.3-5; 18.21-23; 26.1, 4, 6, 12.)
Se o deixarmos testemunhar a respeito de suas trapalhadas, Davi nos daria a conhecer as confissões que ele fez ao Senhor:
“Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões. Por causa do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniqüidade, que é grande. Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões e o meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos”. (Sl 25.7, 11; 32.3-5; 51.2-4.)
A experiência do salmista é a experiência humana. Revela as variações de comportamento a que estamos sujeitos. Entre a vitória e a derrota há euforia demasiada, há falta de vigilância, há circunstâncias novas. Entre a derrota e a vitória há tristeza, há arrependimento, há confissão, há volta.
A mesma variação de comportamento aconteceu com Pedro. No cenáculo, ele estava disposto a morrer por Jesus (Mt 26.35). No pátio da casa de Caifás, ele negou o Senhor três vezes consecutivas (Mt 26.69-75). Somos todos frágeis demais.
Céu aberto
Céu aberto pode significar um céu sem nuvens, muito ensolarado, claro e bonito. Pode significar também muita chuva, quando Deus abre as comportas do céu e derrama água sobre a terra, como aconteceu na época do dilúvio (Gn 7.11).
Mas quando Jesus disse a Natanael que ele veria “o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1.51), o significado de céu aberto é outro, muito diferente do primeiro. Nesse sentido espiritual, céu aberto significa a ruptura daquele véu que separava o santuário do lugar santíssimo, que separava o homem pecador do Deus santo.
Céu aberto é algo inédito e maravilhoso. É o resultado imediato e visível da expiação realizada pelo Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Quando Jesus derramou a sua alma na morte, “o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo” (Mt 27.51), deixando-nos ver o que estava do outro lado, o trono do Deus Altíssimo. Porque o céu está aberto, podemos nos aproximar de Deus pelo novo e vivo caminho, aberto por Jesus Cristo (Hb 10.20).
Céu aberto significa proximidade, união, comunhão. Já não há separação entre Deus e o homem. Embora ainda envolto em glória e santidade, Deus aparece, se mostra, se apresenta. Embora ainda envolto em fraqueza e pecado, o homem entra no Santo dos Santos para se confessar, para obter perdão, para ser purificado, para alcançar a maturidade e atingir a medida da plenitude de Cristo (Ef 4.13).
Céu aberto significa chuvas de bênçãos, que escorrem de lá para cá de forma contínua, inundando a alma. É o contrário de céu cerrado, sem chuvas, sem bênçãos, em tempo de desobediência e pecado (2 Cr 6.26).
Jacó sonhou com o céu aberto, com uma escada cujo pé estava na terra e cujo topo estava no céu, na qual os anjos subiam e desciam (Gn 28.12). Mas era apenas sonho, nada mais além de sonho. Todavia, no caso de Filipe, ele veria o céu aberto estando acordado, e não dormindo. Jesus transformou o sonho de Jacó em realidade para os que crêem, inclusive para você!
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