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Refeição e hospitalidade

Por William Lane







A refeição é parte tão natural, essencial e corriqueira da vida humana que pode parecer estranho achar que exista algo de tão especial e significativo no ato de comer e partilhar alimento com outras pessoas. No entanto, quando olhamos para o sentido de comer e beber nas Escrituras, descobrimos que esse ato tão singelo e natural está carregado de significado e simbolismo no qual ocorre praticamente uma fusão entre o ato e o seu simbolismo. A refeição, que é um ato de alimentar-se, está tão carregada de sentido de partilha, acolhimento, hospitalidade, que tomar uma refeição passa praticamente a significar mais a partilha e acolhimento do que propriamente o ingerir alimentos e satisfazer a fome física. Assim como hoje, “sair para comer uma pizza” tem mais a ver com socialização do que com saciar a fome.

Não é de se surpreender que na Bíblia refeições signifiquem muito mais do que prover a subsistência humana. O ato de comer e beber significa a própria vida. Além disso, as refeições estão associadas à partilha, hospitalidade, companheirismo e, muito frequentemente, à amizade, relacionamentos, acordos e pactos. Partilhar uma refeição com alguém significa ter ou desejar ter um relacionamento ou pacto com essa pessoa. Deixar de receber alguém à mesa é sinal de rejeição. Escribas e fariseus condenaram Jesus por comer com publicanos e pecadores na casa de Levi, porque além das questões de pureza e santidade judaicas, consideravam que acolher um pecador à mesa significava aceitar e receber a pessoa. Jesus o faz entendendo que eram justamente esses, “os doentes”, que precisavam de sua cura e restauração (Mc 2.15-17).

As leis levíticas sobre alimentos sagrados, puros e imundos não tinham finalidade estritamente nutricional. A dieta judaica representava e reforçava a visão de mundo não só religiosa, mas, sobretudo, social. Assim como os alimentos, as pessoas também eram separadas entre os sacerdotes, consagrados para o serviço do templo, e entre o povo de Deus e os gentios. Assim como o animal imundo não podia ser servido na mesa judaica, não era permitido ao judeu se associar ao gentio.

A refeição está presente em todos os momentos da vida do povo e da história da salvação. Foi pelo comer do fruto proibido que Adão e Eva pecaram contra Deus. A consequência do seu pecado foi não poder comer do fruto da árvore da vida (Gn 2.9; 3.22-24). A Páscoa do Êxodo e, posteriormente, a Ceia de Jesus com os discípulos, além de celebrarem a libertação da escravidão, representam a mesa posta por Deus para oferecer novamente o fruto da árvore da vida à humanidade ou, como o próprio Jesus diz em João, o pão da vida, isto é, a própria vida.

Na história da expansão da Igreja no livro de Atos, vemos que a igreja apostólica avançava na evangelização e rompia barreiras geográficas, culturais, raciais e religiosas. Foi a partir de uma visão de animais impuros que Deus mostrou a Pedro que não devia se esquivar de entrar na casa de um gentio e pregar o evangelho. Pedro precisou de uma reeducação alimentar para fazer missão e pregar a Cornélio (At 10)!

Em sua autobiografia, Jules Spach, missionário norte-americano no Brasil nas décadas de 1950 a 1970, conta que uma das refeições mais memoráveis e especiais em sua vida foi a de um pescoço de galinha esquelética que comeu quando era prisioneiro de guerra em um campo de concentração alemão, em Moosburg. Em meio à subnutrição pela falta de alimento, recebeu o convite de um amigo para encontrá-lo num determinado local do acampamento a certa hora da noite. Ele não fazia ideia para quê. Chegando lá, encontrou outros três prisioneiros fazendo uma pequena fogueira. Tinham conseguido uma galinha esquelética e iam dividi-la entre eles. Logo percebeu que o amigo que o convidou ia dividir a sua parte com ele. Spach diz que “o sacrifício generoso de meu amigo tornara-se uma concessão de bondade sem medida”.1 O gesto de solidariedade, partilha e companheirismo foi muito superior à satisfação física.

Partir o pão com alguém simboliza acolhimento, amizade, companheirismo (cum + panis --aquele com quem dividimos o pão), hospitalidade. Não é por acaso que a graça e o perdão de Jesus são simbolizados pela mesa da comunhão.

Nota

1. Spach , Jules C. Todos os caminhos nos conduzem ao lar. Recife: Edições Bagaço, 2000.

• William Lane é pastor presbiteriano, doutor em Antigo Testamento e diretor acadêmico da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina, PR.

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