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Seções — Pastorais

Um convite para os que sofrem

 O sofrimento é uma experiência comum a todos os homens. Ainda que muitos tenham todo o conforto que possa existir nesta vida, o sofrimento sempre encontra o seu espaço. Essa experiência perturbadora para a condição humana é de certa maneira o objeto de atenção da filosofia, da religião, da arte, das ciências em geral, do entretenimento etc.

O cristianismo genuíno, sustentado pelo ensino bíblico, ensina que a experiência do sofrimento é não apenas real, mas também inescapável. O cristianismo prega que a presença e a influência do pecado nesse mundo caído são a causa primeira de todo o sofrimento. Cristãos e não cristãos estão sujeitos aos mesmos efeitos da presença do pecado e sua influência, no que tange ao sofrimento. O fato de os cristãos serem alvo da graça redentora de Cristo e terem o seu pecado perdoado e não mais serem punidos por causa dele não os isenta de sofrerem a sua ação no mundo. Mesmo que não possam mais ser governados pelo pecado por pertencerem a Cristo, ainda assim os cristãos são acossados por toda sorte de males que ele provoca: possuem corpos vulneráveis e mentes impressionáveis, e estão sujeitos a decepções, frustrações, insucessos, perdas e, por fim, à morte.

Então, o que diferencia a experiência do sofrimento entre os cristãos da experiência do sofrimento entre as demais pessoas? Os cristãos, por estarem vitalmente unidos a Cristo, possuem uma nova perspectiva do sofrimento. Não procuram negar, relativizar ou deixar-se tomar pela perplexidade. Os cristãos entendem o sofrimento na dimensão da cruz do Salvador. O padecimento do discípulo faz parte de seu discipulado. O sofrimento para o cristão é como o cinzel nas mãos de um hábil escultor. À sombra da cruz são forjados os grandes servidores do evangelho e os homens de melhor caráter. O sofrimento para o cristão é parte de seu processo de configuração à semelhança de Cristo. Ainda que ele nunca deva ser desejado, buscado nem muito menos produzido, o discípulo maduro o entende como um selo sobre a sua vocação em Cristo. Em Cristo -- e só nele --, sofrer é uma bem-aventurança que nos faz mais dependentes, menos autossuficientes e mais gratos em tudo e por tudo. O sofrimento produz os mais ardentes buscadores de Deus, e estes, uma vez socorridos e auxiliados, tornam-se os mais inflamados adoradores. Sofrer nos une mais perfeitamente a Cristo. Por último, sofrer nos leva a desejar o céu com mais paixão. Pois o céu é o único lugar onde a experiência do não sofrer, do gozo, da paz e da felicidade plena e perfeita é possível.

Portanto, sofrer sem Cristo é como entrar num labirinto de porquês sem respostas ou no túnel escuro da desesperança. Sem Cristo, o sofrimento faz vir à tona o pior que existe em nós. Sofrer sem a graça da união vital com Jesus Cristo pela fé leva-nos ao ceticismo, ao cinismo, à amargura, à murmuração e à maledicência e, por fim, a uma existência vazia e sem sentido. Porque os que sofrem agarrados à própria sorte não têm para onde fugir. Mas cada discípulo do Senhor pode ouvir constantemente o mais belo convite já feito neste mundo de dor: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

“Se com ele sofremos, também com ele reinaremos” (2Tm 2.12a).

• Luiz Fernando dos Santos é ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana Central de Itapira, SP.

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O complicado problema do sofrimento

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