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Especial — Infográfico

Brasil -- um retrato em preto e branco

O diagrama do navio negreiro Brookes, produzido em 1788, talvez possa ser considerado o primeiro infográfico da história. Usando a planta do navio, Thomas Clarkson assinalou as dimensões e desenhou 482 escravos no espaço a eles destinado -- deitados, alinhados em fileiras, os corpos encostados uns nos outros ou no casco do navio. Ele foi amplamente divulgado em panfletos, jornais, revistas e livros, e posteriormente 7 mil cópias em formato de pôsteres foram fixadas em paredes de “pubs” e de casas em toda a Inglaterra. Tornou-se uma peça essencial da luta abolicionista no país.

Naquele tempo em que não havia fotografias, o diagrama se transformou em um ícone. O desenho provocava uma impressão instantânea de horror a todos que o viam: agora era possível ver o que antes podiam apenas imaginar. Essa figura simples, que atestava uma realidade irrefutável, é possivelmente uma das imagens políticas mais amplamente reproduzidas de todos os tempos.

O movimento abolicionista inglês (sob a liderança de cristãos) conseguiu um feito inédito naquela época. Em grande parte, o êxito de suas iniciativas se deu por ter conseguido criar conexões entre o próximo e o distante, estabelecendo alguma empatia: inúmeras pessoas ficaram indignadas com a quebra (e ausência) dos diretos de “outras” pessoas.

O infográfico das páginas seguintes -- à semelhança do desenho do Brookes -- quer lançar luz em uma realidade pungente, mas distante da reflexão e prática da igreja, bem como despertar empatia.

“Não é normal” -- não há racionalizações que deem conta de justificar -- o fato de o Brasil não ser um só, para negros e brancos. Destacar as desigualdades não tem a finalidade de “dividir” o país. É o cotidiano de milhares de vidas e os dados -- inegáveis -- que expressam da pior forma possível essa realidade de exclusão e violência. É preciso reconhecer a existência de uma estrutura histórico-social-cultural que veda aos negros, especialmente aos jovens, oportunidades iguais; em muitos casos não se trata apenas de melhores oportunidades, mas da própria vida.

A mídia reproduziu largamente a comparação feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao divulgar no dia 4 de junho o Atlas da Violência 2017: “Todos os atentados terroristas do mundo nos cinco primeiros meses de 2017 não superam o número de homicídios registrado no Brasil em três semanas de 2015. Em 498 ataques, 3.314 pessoas morreram no mundo, de acordo com levantamento da Esri Story Maps e da PeaceTech Lab. Segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, cerca de 3,4 mil pessoas foram assassinadas no Brasil a cada três semanas em 2015”.

O estudo registra 59.080 assassinatos no país em 2015. De cada cem pessoas assassinadas, 71 eram negras. Enquanto a taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes negros subiu 18,2%, a mesma taxa teve queda de 12,2% entre habitantes não negros, entre 2005 e 2015. A estimativa é que os cidadãos negros tenham um risco quase 25% maior de sofrer assassinato em relação a outros grupos populacionais.

Não dá para ficar indiferente frente a essas disparidades tão gritantes.

A afirmação de John Stott oferece princípios bíblicos orientadores: “Porque ele é o Deus da criação, nós afirmamos a unidade da raça humana. Porque ele é o Deus da história, nós afirmamos a diversidade de culturas étnicas [...] Por causa da unidade da raça humana, nós exigimos diretos iguais e respeito igual para minorias étnicas [...] Por causa da glória da igreja, devemos procurar nos livrar de qualquer racismo persistente e nos esforçar para fazer dela um modelo de harmonia, no qual o sonho multiétnico se torne realidade”.¹

Para ampliar a contribuição de Ultimato a esse tema tão importante, reunimos no Portal Ultimato artigos inéditos e outros já publicados. Confira aqui.

• Klênia Fassoni

Nota
1. Trecho do capítulo “Celebrando a diversidade étnica”, do livro
Os Cristãos e os Desafios Contemporâneos, de John Stott (Ultimato, 2014).

>> Arquivo para impressão aqui <<

 

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