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Colunas — Caminhos da Missão

A inquietude dos que “voltaram-mas-querem-ir”

Choro, abraço, alegria, sorriso, tristeza e imposição de mãos. Essas e outras experiências passaram dentro de mim no meu culto de envio. Lembro-me da palavra de Atos 13.1-3 que meu pastor pregou. Recordo-me dos inúmeros abraços intercalados com choros dos irmãos e da minha família. Lembro-me também do medo que percorreu nas minhas veias e na minha mente quando estava dentro do aeroporto de Guarulhos pronto para zarpar para uma nova vida. Tantas dúvidas e preocupações, mas uma certeza -- estar fazendo a vontade de Deus.

Meses se passaram depois desse episódio. O que era dúvida se tornou convicção e as preocupações se tornaram propulsões para minha fé. Vidas foram transformadas, igrejas foram plantadas, novas amizades foram feitas e principalmente o nome de Jesus foi anunciado. Sim, erros foram cometidos, incluindo os meus, mas o sentimento de estar no centro da vontade de Deus era inconfundível. Porém, este texto não é sobre a alegria de estar no campo, mas justamente o oposto. Este texto é sobre aqueles que foram para o campo missionário, experimentaram da maravilhosa dádiva de anunciar o amor de Cristo para os que pouco ou nada ouviram dele, mas que agora estão novamente em suas “casas” com a constante inquietude de ir embora flertando o coração.

Por algum motivo, Deus em sua soberania nos traz de volta para nossa “casa”, sem nos perguntar o que queremos e quais nossos desejos. Seja qual for a forma que Deus trouxe você de volta -- um diagnóstico médico, os pais envelhecidos, os filhos na época da faculdade, problemas com a liderança ministerial, o corte do sustento missionário, problemas pessoais, o fim do seu período ministerial ou qualquer outro motivo --, nunca será tão simples lidar com isso. Parece-me que continua no nosso coração aquela comichão de querer sair, de arrumar as malas, pegar o passaporte e mudar para sabe-lá-onde-Deus-quer, mesmo superando todo o choque cultural reverso. E digo a você: não há nada que apague isso! Quantas vezes chorei e clamei a Deus pedindo que me enviasse novamente, inclusive tentei inúmeras vezes partir aceitando convites e me inscrevendo em projetos. Com tantas pessoas não querendo ir para os lugares mais remotos e perigosos, e eu querendo... por que Deus não me envia?

A jornada vocacional é assim; de tempos em tempos temos nossas crises e o Espírito Santo, com docilidade, nos toca com esperanças. Presenciei diversos missionários com o mesmo sentimento; uns justificam que Deus deseja nos usar como mobilizadores missionários, pois demonstramos paixão e ousadia para ir; alguns apontam para a história de Oswald Smith, que queria ser missionário, mas Deus o escolheu para ser pastor e investir em milhares de missionários; há ainda os que afirmam que Deus quer nos ensinar a depender dele e moldar nosso caráter em Cristo, desprendendo-nos do “trabalho” e nos ligando ao eterno.

Seja qual for o motivo, nós podemos descansar no versículo que diz que é “boa, agradável, e perfeita a vontade de Deus” (Rm 12.2). A jornada vocacional é como a lâmpada com sensor de movimento, que, conforme vamos andando, vai iluminando o nosso caminho. A cada passo que damos em direção a Deus, o nosso chamado é iluminado. Continue andando em direção ao Senhor, pois ele tem todas as respostas. Lembre-se, Paulo tentou ir para a Ásia, mas o próprio Espírito o impediu (Atos 16.6). Ele também quis ir para Roma, mas diversas vezes não conseguiu (Rm 1.13). Muitas vezes os nossos sonhos e ministérios são interrompidos dentro da linha temporal humana, para começar a percorrer no plano divino eterno. Em nada Deus é pego de surpresa, por isso devemos compreender que nesse percurso o dono é Deus, e nós somos seus seguidores. No final, poderemos dizer: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7), seja aqui ou nos confins da terra.

• Felipe Fulanetto é mestrando em missiologia, missionário e pastor da Igreja do Nazareno, coordenador de pesquisas da AMTB e Vocare e coopera no Centro de Reflexão Missiológica Martureo. É o organizador e coautor do e-book Vocação e Juventude, da Editora Ultimato.

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