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Casamento para além do contrato

 Em certo sentido, casamento é um contrato. Há duas partes constituindo uma sociedade. Cada qual recebe novos direitos e deveres mútuos. Como o horizonte de tempo é amplo e a caminhada, incerta, riscos são inerentes. Estipulações são estabelecidas a fim de conservar o acordo. Objetivos e parâmetros de referência são negociados no decorrer do processo. Cláusulas delimitam condições para o bom andamento da relação de confiança proposta. A palavra de fidelidade dita e escrita atesta o compromisso. A autenticidade dos envolvidos valida a união. Testemunhas confirmam o ato e a ele se atrelam. Assinaturas dão fé quanto à promessa e cada novo dia tem de ser rubricado pelo casal.

Mas, de acordo com a Bíblia, casamento é muito mais do que um contrato. Na visão bíblica, casamento é aliança; e “aliança” é um pacto (Mt 19.6). O sangue derramado no leito consuma o ato conjugal. Sendo consumado nesse nível, há data e local de início, mas, quanto ao término, apenas a morte é autorizada a ocasioná-lo. Qualquer outra intercorrência permanece dentro do foro íntimo do casal, devendo ser dirimida na comarca do amor prometido. Essa é a jurisprudência dos anéis trocados. Não uma parceria sob certas condições, mas um voto incondicional. Não uma ameaça do ônus que seria imposto no caso de quebra das regulamentações, mas a desistência do cálculo. Não um mediador da desconfiança entre os envolvidos, mas uma promessa de transparência simétrica, “sin cera”. Não um instrumento jurídico para prevenir uma atitude oportunista, mas, em si, uma oportunidade divina dada a ambos.

Assim, casamento é graça de Deus; e “graça” é dom (Pv 18.22; 19.14). Não uma recompensa devida, mas um presente imerecido. Não um retorno sobre o seu investimento, mas um investimento divino em você, a despeito da sua capacidade de lhe dar retorno. Não uma honra ao mérito, mas uma dádiva que, pela generosidade, nos constrange. Não uma decisão da qual orgulhar-se, mas uma concessão pela qual agradecer.

Portanto, você só o experimentará plenamente se recebê-lo como um presente. É só olhando para o alto e dando “graças” que você se encontrará na posição apropriada para vê-lo corretamente. É só na abertura para o Eterno que você achará a chave para desdobrar essa nova história que se inicia no tempo. É só ao descobrir-se como um filho amado e perdoado por Deus que você estará em condições de não manter o registro das dívidas do outro, mas de perdoar suas ofensas. Somente ao receber o casamento como uma dádiva você estará apto para enxergá-lo, não como um fluxo de caixa, mas como um fluxo de amor, de Deus para o seu cônjuge, canalizado por você. Em qualquer outro caso, o casamento fica, literalmente, sem graça, pois a sua essência é perdida.

Por isso, por ser essencialmente uma graciosa aliança, o casamento, para ser pleno, tem de ser recebido como tal. É só interpretando a história como o casamento do Filho de Deus com o seu povo que se percebe a alegria escondida no chamado a refletir esse grande casamento em nossas relações. É só ao abrir os olhos para o que significou o sacrifício de Jesus na cruz que se está apto para apreender a dimensão de um pacto de sangue, como é o casamento. É só ao perceber-se convidado para uma aliança eterna com Deus, por meio de Jesus, que alguém está em condições de vivenciar não somente a lei matrimonial, mas também o princípio que primeiro a inspirou. Afinal, ninguém pode dar o que não recebeu. Somente ao receber o casamento como um sinal do tipo de relação que Deus deseja ter com o ser humano é que se abre a possibilidade de não ficar aprisionado à lógica de direitos e deveres, mas de lançar-se em aliança com o cônjuge. Em qualquer outro caso, o casamento fica, literalmente, reduzido a partes, pois perde a indissolubilidade da união que o motiva.

Portanto, que o casamento seja vivido “a três”, definindo-se o relacionamento conjugal em relação ao relacionamento com Deus. Que, assim, em nossa sociedade confusa quanto ao significado dessa instituição divina, reabram-se as portas do mistério do matrimônio. Mistério esse que não pode ser experimentado pelos que o reduzem a somente um ímpeto emotivo ou um cálculo racional. Que o casamento seja novamente vivenciado como uma expressão de fé, a partir da qual emoções e razões, afetos e contratos, repousem unicamente na graça da aliança.

• Jonathan Simões Freitas é casado com Thalita e pai de Manuela. Gerencia a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC²) e dá aulas no L’Abri Brasil.

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Casamento é aliança

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