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Colunas — Redescobrindo a Palavra de Deus

O rei está nu! O rei, a menina e o profeta

Valdir Steuernagel

 

 

A vida nos brinda com encontros surpreendentes e inacreditáveis. Alguns deles, verdadeiros encontros da graça, pois surgem do impossível, como água no deserto. Como o broto que nasce do tronco apodrecido.

 

 

As narrativas bíblicas estão repletas de encontros assim. Eles nos surpreendem com a presença da graça de Deus e convidam ao abraço e a dançar no ritmo dessa graça. Foi assim com a Menina Sem Nome, sobre quem já falamos em artigos anteriores desta coluna -- ela se torna, de forma surpreendente, um instrumento da graça de Deus na vida do outro. Nós a chamamos de volta, não só para relembrar o que a graça faz, mas também para ver quanto nós vivemos a negação da graça e somos vítimas da nossa lógica, que aqui identificamos como “a ilusão do poder”.

 

 

Recordando a história (2Rs 5)

Raptada de sua casa, em Israel, a Menina Sem Nome torna-se escrava na casa do comandante do conquistador exército sírio. Num desses lances da vida, ele é acometido de lepra, o que equivalia a ser destronado do cargo e excluído da sociedade. Acolhendo a incrível sugestão da menina escrava de encontrar-se com o profeta do seu Deus, o comandante parte rumo a Israel, numa verdadeira aventura; e volta com a pele renovada “como a de uma criança” (v. 14) e convicto de que “não há Deus em nenhum outro lugar, senão em Israel” (v. 15).

 

 

Entre os detalhes intrigantes deste relato há o rompante do rei de Israel, que ao receber essa comitiva do exército conquistador se vê profundamente ameaçado: “Assim que o rei de Israel leu a carta, rasgou as vestes e disse: ‘Por acaso sou Deus, capaz de conceder vida ou morte? Por que este homem me envia alguém para que eu o cure da lepra? Vejam como ele procura um motivo para se desentender comigo!’” (v. 7).

 

A ilusão do poder tem muitas caras

Como é comum no jogo do poder, o comandante sírio traz credenciais para entregar ao rei de Israel, pois entendia que era para o palácio que deveria seguir. Porém, a reação do rei o assusta e desanima.

 

 

Apesar do seu dramático piti, o rei de Israel está certo: ele não é Deus! E, ante o quadro de saúde do comandante, é impotente. Ele é o rei, mas está “nu”, de roupas rasgadas diante do leproso Naamã. Só lhe resta uma performática explosão de ira e uma acusação de armadilha política que apontaria para uma nova conquista do poder sírio. Pobre rei! E como um rei impotente ele se imagina caminhando para uma nova guerra. São as armadilhas do poder.

 

Aliás, o poder é frágil. É vítima de si mesmo e enxerga apenas a si mesmo. O rei não consegue ver o leproso Naamã ali na sua frente; vê apenas a própria fragilidade e, ilusionista, vislumbra o exército sírio se aproximando. Não lhe resta outra alternativa senão “rasgar as vestes”.

 

Quem acorda o rei do seu torpor é o profeta, que chama para si a responsabilidade de tratar com o comandante e de mostrar-lhe quem é Deus e que ele não reside no palácio, nem de Israel nem da Síria. Assim diz o texto: “Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei de Israel havia rasgado suas vestes, mandou-lhe esta mensagem: ‘Por que rasgaste tuas vestes? Envia o homem a mim, e ele saberá que há profeta em Israel” (v. 8).

 

A menina e o profeta sabem o caminho

Este relato é impressionante pela forma como descontrói a lógica do poder e aponta para um caminho que, de tão surpreendente, é o caminho do encontro com Deus e sua graça. Ele nos mostra um rei “nu” diante de uma realidade à qual só sabe responder com um ataque nervoso e com a leitura de ameaça de um poder maior. A lógica do poder acha que pode tudo e se desespera quando se encontra com a sua limitação, fragilidade e com o poder do outro. Porém, diante de fatos tão reais como a lepra, o câncer, o infarto, a droga, a solidão, o medo, ele se sente perigosamente impotente. As vestes de suas regalias, possibilidades e recursos estão rasgadas e, diante do espelho da vida, ele precisa concluir que também ele pode ser acometido pela lepra. O rei está nu!

 

 

Entretanto, esta não é a palavra final, e tanto a menina como o profeta apontam para um caminho marcado pela presença de um Deus que cura da lepra nas desinteressantes águas do rio Jordão. O comandante sírio experimenta que só esse Deus pode curar, e o faz de tal maneira que nenhuma suspeita resiste. Só Deus o faz e o faz como graça.

No final da história, há uma menina que desaparece de cena e um profeta que não quer recompensa alguma e aponta para o Deus da graça que “faz novas todas as coisas”.

Temos vivido em nosso país dias difíceis, conturbados e desesperançados. Mas esta história mostra que a nossa catastrófica realidade política não tem o poder nem a prerrogativa de pronunciar a última palavra sobre o destino das nossas vidas. Pois, por mais explosões de ira que irrompam nos arraiais de Brasília e suas filiais, aqui também “o rei está nu”.

 

Não podemos deduzir, pelo texto, que governos, sistemas políticos e estruturas econômicas não sejam importantes. Eles são, sim. Mas precisam saber que o poder é para ser exercido com tal cuidado, responsabilidade e transparência que não os deixem “nus” no espelho da história. Precisam saber que não podem tudo: há limites a respeitar. E eles terão de prestar contas não apenas à história, mas também ao Deus que insiste em se revelar como o Senhor, que desconstrói a lógica do poder autossuficiente e nos surpreende com a sua graça, aqui instrumentalizada pela menina escrava e pelo profeta, que age por graça e não aceita recompensa, pois a glória é de Deus.

 

Valdir Steuernagel é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba, PR. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial.

 

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